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Dinheiro e Negócios

Saques bilionários, “apagão” de dados e rendimento baixo: a crise dos fundos de crédito privado

Dados da CVM mostram que entre março e abril houve R$ 13,3 bilhões em resgates de fundos de crédito privado

22/04/2026 19:44, atualizado 22/04/2026 19:53
Arte/Metrópoles
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Os primeiros meses de 2026 não foram nada fáceis para os gestores de fundos de crédito privado. A tempestade perfeita reúne resgates bilionários dos valores aplicados, o “apagão” de informações essenciais e rendimentos muito abaixo do CDI.

Começando pelos saques, entre março e abril, de acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), R$ 13,3 bilhões foram retirados de fundos de crédito privado pelos investidores.

Quanto ao rendimento baixo, levantamento recente mostra que no 1ª trimestre de 2026, 20 fundos tiveram resultado pífio: de até 28,4% do CDI. Em um dos casos, o resultado foi negativo.

O estudo, feito pelo professor do Centro de Estudos em Finanças (FGV-Cef), Ricardo Rochman, com base em dados da Economatica, avaliou 849 fundos de crédito privado voltados para investidores de varejo. Do total:

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Desempenho dos Fundos de Crédito Privado

  • 59 fundos renderam entre 28,4% e 50% do CDI, enquanto 112 renderam até 70% do CDI;
  • Outros 505 renderam entre 70% e 99% do CDI;
  • Só 153, 18% do total, ficaram acima do CDI.

No mercado, um fundo de crédito privado é considerado bom quando rende mais do que o CDI, já que oferece aos investidores mais riscos do que aplicações mais conservadoras.

Outra questão é a falta de transparência, principalmente dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Levantamento da Uqbar apontou que 76 fundos não haviam reportado dados de fevereiro como patrimônio, volume de crédito e nível de inadimplência até o dia 10 de abril. O prazo para a entrega era até o dia 15 de março. Considerando o patrimônio reportado pelos fundos, a obscuridade alcança R$ 37 bilhões.