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O que é moratória da soja e por que gigantes do agro estão abandonando o acordo
Em vigor há 20 anos, o acordo vetava a comercialização de soja cultivada em áreas desmatadas da Amazônia após julho de 2008
atualizado
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O nome até parece complicado, mas a moratória da soja é um acordo bem simples: empresas exportadoras de soja se comprometeram a não comprar grãos cultivados em áreas desmatadas da Amazônia após julho de 2008.
O objetivo era diminuir o impacto ambiental da produção e alcançar mercados internacionais que torciam o nariz para a produção brasileira por conta do desmatamento.
No início, em 2006, o acordo contou com a participação de grandes tradings agrícolas, além de entidades do setor. Mas, desde o meio do ano passado as coisas começaram a mudar. Ganharam forças denúncias de que a moratória funcionou como um cartel, prejudicando a concorrência e os produtores.
O caso chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que, em agosto de 2025, determinou o fim do acordo e definiu uma data: janeiro de 2026. De lá pra cá, no entanto, os tradings agrícolas e as entidades foram, pouco a pouco, deixando o acordo por conta própria.
No início de 2026, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) comunicou que as principais empresas de comercialização estavam deixando o acordo. Para além da decisão do Cade, que ainda pode ser revista ou prorrogada, um dos motivos apontados foi uma decisão do governo de Mato Grosso.
O estado anunciou que, também a partir de janeiro, iria retirar incentivos fiscais de empresas que participam do programa de conservação. Mato Grosso produziu cerca de 51 milhões de toneladas métricas de soja em 2025, mais do que a Argentina.
Atuam no estado — e eram signatárias da moratória — gigantes como ADM, Bunge e Cargill, além da chinesa Cofco e da brasileira Amaggi.
