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Galpão do espólio da Itapemirim é invadido e utilizado comercialmente

Imóvel é avaliado em R$ 14 milhões. Utilização não foi comunicada pela administradora da massa falida nem à Justiça nem aos credores

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Flagrante da invasão de galpão da Itapemirim
1 de 1 Flagrante da invasão de galpão da Itapemirim - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Avaliado em R$ 14,3 milhões, um galpão da massa falida da Itapemirim foi ocupado e está sendo utilizado comercialmente sem qualquer comunicação da administradora judicial. A situação foi denunciada à Justiça pela associação de ex-funcionários e credores da viação.

Fotos anexadas ao processo mostram o vaivém de caminhões e tratores, montanhas de areia e a placa identificando o estabelecimento como “Areial do Valmir”. A renda do possível aluguel do espaço deveria ser destinada à administradora judicial da massa falida, mas a empresa responsável pela gestão do espólio não notificou nem os credores nem a Justiça sobre a situação

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Na petição protocolada na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo (SP), os autores afirmam que “informações de terceiros” apontam que a empresa Invictus, que arrematou um imóvel ao lado do galpão, teria “tomando posse e, ainda, sem qualquer cerimônia, locou a mesma para outra empresa utilizar como depósito de areia.”

O documento também aponta a “ausência de medidas efetivas por parte da administradora judicial diante da ocupação indevida do bem” e pede que seja investigada a possível “omissão, conivência e/ou gestão temerária”.

A massa falida da Itapemirim é administrada pela EXM Partners. O Metrópoles revelou que o arrendamento de linhas rendia mais para advogados do que para o espólio. Planilha apresentada pela Suzantur, e anexada ao processo que corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com os gastos da operação revela que a empresa gastou R$ 8,6 milhões com escritórios de advocacia.

A Suzantur assumiu as 125 linhas da Itapemirim no dia em que a viação faliu oficialmente. Em 21 de setembro de 2022, a mesma decisão judicial transformou a malsucedida recuperação judicial da Itapemirim em falência e aprovou o arrendamento das rotas pela Suzantur.

A proposta feita pela Suzantur passou a ser válida sem nenhum questionamento ou alteração: R$ 200 mil mensais ou 1,5% do resultado da venda de passagens, o que fosse maior. O arrendamento incluía as 125 linhas até então exploradas pela Itapemirim, além de pontos de venda e salas VIP e a cessão de uso das marcas e utilização de imóveis.

A EXM Partners sequer questionou a capacidade da Suzantur de operar as linhas. Naquele momento, a Suzantur– cujo o nome de registro é Transportadora Turística Suzano — operava apenas com transporte urbano de passageiros do ABC paulista, não tinha nem veículos adequados nem equipe com experiência para viagens interestaduais.

A EXM também não chamou outras empresas do ramo para a apresentação de propostas antes de fechar com a Suzantur. Mas, mesmo assim, as propostas chegaram — todas mais vantajosas.

O Metrópoles não conseguiu contato com a Invictus nem com a EXM Partners. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos.

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