Vorcaro só assumiu posição na SAF do Atlético-MG um ano após aporte
Banqueiro participava de sociedade em holding investidora da SAF a partir de cadeia de fundos e só virou sócio da SAF um ano depois

O banqueiro Daniel Vorcaro utilizou um fundo investigado na Operação Carbono Oculto para aportar recursos na SAF do Atlético Mineiro. Anunciado em setembro de 2023 como investidor do clube, Vorcaro só entrou formalmente na operação em outubro do ano seguinte, pagando com ações de sua holding patrimonial quando o Banco Master já estava na berlinda, em 2025.
Os detalhes da operação constam em uma tabela anexada pela defesa do advogado Daniel Monteiro no inquérito no qual ele é investigado por participar do suposto pagamento de propina ao senador Jaques Wagner (PT-BA). Operador de Vorcaro e preso de forma preventiva em abril, foi Monteiro quem redigiu acordo de acionistas da SAF do Atlético e o acordo de acionistas da Galo Holding, entre outros documentos relativos à SAF atleticana.
A tabela produzida pelo advogado mostra que o compromisso do fundo Galo Forte para o primeiro aporte na Galo Holding, sócia da associação na SAF do Atlético, foi assinado em setembro de 2023. Vorcaro, porém, não aparecia na operação, já que quem investia no fundo Galo Forte, atribuído a ele, na verdade era o fundo Astralo 95, que por sua vez pertencia a uma cadeia de fundo sobre fundo investigada na Carbono Oculto, como revelou o Estadão.
A Galo Holding seguiu tendo um sócio que não poderia ser identificado por mecanismos de controle até 30 de outubro de 2024, quando Daniel Vorcaro, na pessoa física, comprou o fundo Galo Forte do Astralo, em um negócio de R$ 306 milhões – naquele momento, o veículo atribuído a ele já havia aportado R$ 300 milhões na sociedade com os irmãos Rubens e Rafael Menin e o empresário Ricardo Guimarães.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMas Vorcaro não pagou a transação em dinheiro. Em setembro de 2025 – logo, um ano depois -, com o Master já em crise, o banqueiro entregou 33 milhões de cotas da Viking, sua holding patrimonial, ao fundo Astralo. O Astralo, por sua vez, integralizou R$ 306 milhões para criar um novo fundo, o Stern, que por sua vez virou se tornou sócio da Viking.
Foi a partir desta última operação, dois meses antes de ser preso, que Vorcaro passou a administração de sua holding patrimonial para Adriano Garzon Correa, um despachante de Nova Lima (MG). A coluna mostrou nesta segunda-feira (14/9) que a bet.bet informou o Ministério da Fazenda, ao pedir autorização para operar no mercado de apostas esportivas no Brasil, que Correa era o beneficiário final da sócia majoritária da casa de apostas. Vorcaro era o sócio oculto.
A coluna procurou a SAF do Atlético-MG, que inicialmente enviou link para uma nota publicada em janeiro. Depois, questionada sobre a aceitação de veículos sem beneficiário conhecido na estruturação da Galo Holding, a SAF enviou a seguinte nota:
“Quando da entrada do fundo, a SAF fez todo o trabalho de checagem que lhe cabia, inclusive com assessoria da EY e do BTG. Quando Daniel Vorcaro começou a ser investigado, a SAF tomou todas as ações necessárias e o afastou imediatamente do Conselho de Administração. Com o novo aporte realizado recentemente pela Família Menin, ele passou a ser um acionista irrelevante, com cerca de 4%. É importante ressaltar que o Atlético não faz parte de nenhuma investigação“.
A coluna também questionou a SAF sobre o fato de Daniel Monteiro, operador de Vorcaro e apontado como estruturador do pagamento de propina para político, ter sido o responsável por estruturar a SAF atleticana. A SAF disse que não tem mais nada a acrescentar.




