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Demétrio Vecchioli

TCU aponta irregularidade em patrocínio da Petrobras a futebol de SP

Denúncia do Ministério Público aponta que Federação Paulista de Futebol não cumpre a Lei Geral do Esporte ao permitir quarto mandato

03/12/2025 20:51, atualizado 04/12/2025 13:25
Rodrigo Corsi/ Agência Paulistão
Quatro pessoas seguram uma bola em evento coorporativo da Petrobras. Entre elas está o presidente de Federação Paulista de Futebol, além de duas mulheres

O Tribunal de Contas da União (TCU) acatou pedido do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) e notificou a Petrobras a respeito de irregularidade no patrocínio da estatal à Federação Paulista de Futebol (FPF). A entidade máxima da modalidade em São Paulo não atende às exigências da Lei Geral do Esporte desde que alterou seu regulamento para permitir mais uma reeleição.

A situação tem sido denunciada pelo advogado Joel dos Passos Mello, então auditor do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do futebol paulista — ele foi desligado depois de realizar as denúncias, ainda que o órgão seja independente.

A FPF modificou seu estatuto em janeiro passado para permitir uma terceira recondução de um mesmo dirigente e, depois disso, firmou contrato de patrocínio de R$ 7 milhões com a Petrobras para o Paulistão e a Copinha Femininas e a Copa Paulista, um torneio estadual masculino de segundo escalão.

Reinaldo Carneiro Bastos está no cargo desde 2015, quando substituiu Marco Polo Del Nero, que deixou o cargo para assumir a presidência da CBF. Reeleito em 2019, o presidente foi reconduzido ao cargo em 2022, para um mandato que começou em 2023 e vai até o final de 2026. Nos dois casos, não teve adversários.

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A antiga Lei Pelé já exigia o limite de uma única reeleição — previsto também no antigo estatuto da FPF –, mas havia uma discussão sobre a forma de aplicação em casos como de Carneiro Bastos, que herdou o primeiro mandato e só foi eleito duas vezes para a presidência.

Agora, com a Lei Geral do Esporte em vigor, o texto é claro: “somente serão beneficiadas com repasses de recursos públicos federais da administração direta e indireta” entidades que, entre outras coisas, demonstre que permite uma única recondução consecutiva. A FPF permite mais de uma.

A discussão é se isso se aplica a um contrato de patrocínio firmado pela Petrobras com a FPF em maio, no valor de R$ 7 milhões e validade de um ano. Em voto lido nesta quarta-feira (3/12), o ministro relator Jorge Oliveira disse que a análise técnica do TCU concluiu pela desconformidade do contrato, já que a mudança no estatuto o tornou incompatível com a Lei Geral do Esporte.

Como não foi identificado prejuízo aos cofres públicos, não se justificam medidas cautelares, defendeu o relator, que deu ciência à Petrobras da decisão de um processo que corre em sigilo no TCU.

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A Ferroviária é bicampeã brasileira
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Azael Rodriguez/Getty Images
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Rodrigo Gazzanel/Corinthians
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Marcio Machado/Eurasia Sport Images/Getty Images

Denúncia de mesmo teor também foi recentemente analisada pela Justiça Federal São Paulo, que rejeitou pedido de liminar para afastar o presidente Reinaldo Carneiro Bastos e seu vice, o tetracampeão mundial Mauro Silva, do comando da FPF. Em sua decisão, o juiz Gabriel Hillen Albernaz Andrade alegou que não cabe à Justiça julgar alterações estatutárias promovidas em entidades privadas.

A FPF tem defendido o contrato e relacionado a denúncia à proximidade com o calendário eleitoral, ainda que o mandato de Reinaldo termine só no fim do ano que vem e, até aqui, a federação não tenha publicado qualquer documento sobre a abertura de um processo eleitoral. Segundo a federação, o contrato “passou por criteriosa análise antes de ser firmada, em total conformidade com as normas de compliance de ambas as instituições”.

Já a Petrobras enviou a seguinte nota: “A Petrobras reitera que o patrocínio ao desenvolvimento do futebol feminino paulista observou todas as regras de governança e conformidade da companhia na ocasião de sua assinatura. A Petrobras possui uma trajetória histórica de apoio ao esporte brasileiro. O patrocínio em questão está alinhado à estratégia da companhia de incentivo ao futebol feminino no país, por meio de investimentos que promovem o aumento do interesse e da visibilidade da categoria, promoção de competições, capacitação e aperfeiçoamento de atletas e demais profissionais da área, incentivo à formação de torcida, além de iniciativas de equidade, diversidade e inclusão.”