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Partido de Paes recruta caciques para defender acusado de ser miliciano

Carlo Caiado, Luiz Paulo e Rosa Fernandes vão depor ao TRE-RJ como testemunhas de Junior da Lucinha. Envolvidos não responderam à coluna

28/08/2026 16:06
Reprodução
Lucinha em primeiro plano e, ao fundo, o filho dela, Junior da Lucinha

Três dos principais aliados de Eduardo Paes no Rio de Janeiro foram recrutados pela partido deles, o PSD, para falarem ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a favor do registro de candidatura Junior da Lucinha (PSD), apontado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) como braço político da milícia do Bonde do Zinho nas eleições de 2026. Ele não é réu em nenhum processo criminal por acusação do tipo.

Na próxima quarta-feira (2), a pedido do PSD, serão ouvidos pelo TRE, na condição de testemunhas do aliado, o presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlo Caiado (PSD), o deputado estadual Luiz Paulo Rocha (PSD), decano da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e a vereadora Rosa Fernandes (PSD), que está em seu nono mandato no legislativo municipal.

Os três têm interesse direto nos votos que Junior da Lucinha pode conseguir na zona Oeste para a chapa do PSD à Alarj, já que Caiado, Luiz Paulo e Sergio Fernandes (apadrinhado de Rosa) também estão na nominata.

Junior é filho da deputada estadual Lucinha, acusada de ser o braço político do “Bonde do Zinho”, milícia de Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho. Ela é ré em processo derivado das investigações da “Operação Dinastia II”, acusada do crime de constituição de milícia privada.

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Para o MPE, a deputada utiliza sua condição de agente pública para atuar em defesa dos interesses do Bonde do Zinho, interferindo na esfera política, ora para favorecer o grupo, ora para blindá-lo de iniciativas estatais e garantir a impunidade de seus integrantes. Lucinha chegou a ser afastada do seu cargo na Alerj por determinação judicial, mas a medida foi revertida pelos colegas deputados.

Fora da nominata para tentar a reeleição, Lucinha indicou o próprio filho, o vereador em quarto mandato Junior da Lucinha, para concorrer a deputado estadual. Mas, para o MPE, a ascensão do político em substituição à mãe, “não é um projeto autônomo, mas a continuidade orgânica de um projeto de poder alicerçado no domínio territorial armado”.

Para defender que Junior não pode concorrer, devido ao seu envolvimento com o crime organizado, o MPE apontou que ele teve 89,9% dos seus votos em 2024 nas zonas eleitorais localizadas em Santa Cruz e Campo Grande, bairros da zona Oeste do Rio, onde a mãe teve 89,1% de seus votos em 2022.

“A análise do TRE-RJ, utilizando os critérios de concentração e dominância, classificou esse desempenho como ‘extremamente atípico’ em 36 locais de votação, localizados em um cluster geográfico contínuo sob domínio da organização criminosa “Bonde do Zinho” (ou “Tropa do Z”)”, apontou o MPE, citando que a destinação de 48% dos votos de um colégio em específico “denota a supressão da competitividade democrática por mecanismos coercitivos de conformidade ao poder local armado”.

A denúncia vai além. Afirma que familiares de milicianos presos atuam diretamente na campanha de porta em porta, intimidando moradores a comparecerem a eventos políticos para serem “vistos” pela deputada e seu filho. Também lista denúncias “gravíssimas” de que Lucinha realiza atos de campanha escoltada por homens armados, ameaçando represálias a quem não votar em seu filho, o ora impugnado, e alegando o pagamento de R$ 8 mil à milícia local para garantir a exclusividade da campanha na região.

A procuradoria avalia que, por isso, a candidatura de Junior da Lucinha não representa uma escolha democrática, mas sim a tentativa de institucionalizar a influência de grupos criminosos organizados no processo eleitoral.

A coluna entrou em contato com o gabinete de Junior da Lucinha, que não retornou o pedido de comentários, assim como a assessoria de imprensa da campanha de Eduardo Paes. Os gabinetes de Luiz Paulo, Carlo Caiado e Rosa Fernandes não atenderam, nem responderam mensagens enviadas pelas redes sociais.