
Demétrio VecchioliColunas

Irmão de Michelle Bolsonaro ganha cargo em prefeitura do PL
Diego Torres foi nomeado diretor em São Caetano do Sul, mas pode concorrer em chapa com a irmã ao Senado
atualizado
Compartilhar notícia

Dois meses depois de pedir para deixar o cargo que ocupava como assessor do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Diego Torres Dourado, irmão de Michelle Bolsonaro, voltou a assumir um cargo público, agora em uma prefeitura do PL. Ele, porém, deve ficar pouco na cadeira: o plano é ser suplente da irmã em chapa para o Senado pelo Distrito Federal.
No último dia 2 de fevereiro, ele foi nomeado Diretor do Departamento de Parcerias e Transferências Intergovernamentais na prefeitura de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, pelo prefeito Tite Campanella (PL). O cargo comissionado paga um salário de R$ 26, 8 mil, acima dos R$ 22,6 mil que ganhava no governo do estado.
Em novembro, o Metrópoles contou que ele havia deixado o cargo no Palácio dos Bandeirantes para se concentrar na organização da campanha de Tarcísio para o ano que vem. Na época, acreditava-se que o governador concorreria à Presidência da República, plano que foi frustrado depois que Jair Bolsonaro, cunhado de Torres, escolheu o filho Flávio como candidato a presidente.
Saúde mental
Torres contou ao Metrópoles que deixou o governo de São Paulo com a saúde mental debilitada, embora tenha saído com um bom relacionamento no Palácio dos Bandeirantes.
“Optei por essa questão até porque meus filhos estão crescendo, agora já não é mais creche, agora já é escola. Eu saía muito tarde do Palácio, as demandas lá eram mais intensas. Eu estava ficando até mais tarde e tudo mais. Então, agora eu tirei o ano pra ficar, desenvolver os trabalhos, mas de forma mais tranquila até na questão de horários”, revelou ao Metrópoles.
Torres tem dois filhos, de 5 e 6 anos, e vive na zona sul de São Paulo. A distância da casa dele até São Caetano é mais curta do que o trajeto que percorria até a sede do governo paulista, que fica no Morumbi, na zona oeste.
Segundo Torres, os três anos como assessor especial do Tarcísio o cacifaram para o cargo em São Caetano, já que ele mantinha, no governo, a interlocução com deputados estaduais e secretários. O convite veio de Campanella, que teve a candidatura apoiada pelo irmão da ex-primeira-dama.
“Tite foi um dos prefeitos que sempre foi muito próximo a nós no governo do Tarcísio”, disse Torres. “Se nós fizermos um bom trabalho em São Caetano, com uma boa parceria do prefeito com o governador, consequentemente isso vai refletir na gestão do Tarcísio. Em tese, seria uma cidade a menos pra ter uma extrema preocupação”, acrescentou.
Torres, porém, pode se desvincular do cargo para concorrer como suplente em uma provável chapa de Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado pelo Distrito Federal. “Ainda não está batido o martelo. Nós estamos ajustando essa questão, mas pode ser que eu seja a primeira suplente da Michele ao senado do DF, que é a minha cidade natal, que é o estado que eu amo.”
Nesse caso, o irmão da ex-primeira-dama teria que se desvincular da diretoria três meses antes das eleições, diferente de políticos eleitos, que devem se descompatibilizar até março. Ele assegura que, depois das eleições, retornaria à função na Prefeitura de São Caetano.
Racha no PL em São Caetano
São Caetano vive momentos de efervescência política com uma CPI na Câmara Municipal que investiga dívidas deixadas pelo ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD), pai do deputado estadual Thiago Auricchio, um dos principais aliados de Tarcísio na Assembleia Legislativa (Alesp) – Thiago preside a fundamental Comissão de Constituição, Justiça e Redação.
As denúncias contra Auricchio pai estremeceram as relações entre ele e Campanella, que foi eleito prefeito com seu apoio. O pedido de CPI teve apoio de dois vereadores do PL, partido de Thiago. Outros dois parlamentares do PL votaram contra o requerimento.
