
Claudia MeirelesColunas

Wilma Pereira completa 98 anos de amor, bondade e alegria contagiante
Aos 98 anos, Wilma Pereira é memória viva de Brasília, com história marcada por coragem, amor, valores humanos, afeto e dedicação ao próximo
atualizado
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Há pessoas cuja trajetória se confunde com a história de uma cidade. Em Brasília, Wilma Pereira é um desses nomes. Pioneira e referência incontornável da capital, Dona Wilma construiu uma vida marcada por elegância, determinação e humanidade. Neste domingo (25/1), Wilma Pereira completou 98 anos — quase um século de histórias, afeto e sabedoria compartilhada. Cercada pelo carinho da família, celebrou a data como costuma viver com amor, memória e vínculos que atravessam gerações.
Natural de Varginha e criada em Lavras, em Minas Gerais, ela chegou a Brasília em julho de 1962 trazendo consigo mais do que a origem mineira: trouxe valores que atravessariam décadas, como o acolhimento, a fé e o compromisso com o outro.
Foi ali que criou seus três filhos — Cláudia, Paulo Octávio e Zé Ronaldo — e onde se tornou uma unanimidade, respeitada e querida por todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.
Nascida em 1928, mudou-se ainda jovem para Lavras, onde cresceu. Foi atleta, destacando-se como jogadora de vôlei e campeã. Morou em Belo Horizonte, onde seguiu competindo, voltou a Lavras, casou-se e desde cedo se envolveu com ações sociais — um traço que jamais abandonaria.

Wilma: a dama da capital
A paixão por Brasília atravessa toda a sua história. “Brasília foi um sonho concretizado, um projeto de vida do casal”, conta a filha, Claudia.
O marido, Cléo Octávio, admirava profundamente Juscelino Kubitschek, e a capital se tornou o destino escolhido para criar os filhos. Ali, Wilma construiu não apenas uma vida, e sim uma relação afetiva com a cidade que nunca se rompeu.
Dentro de casa, o cuidado virou ensinamento diário. O principal valor transmitido, segundo Cláudia, era simples e profundo: atenção e respeito ao próximo.

“Ela dizia: ‘Olhem o outro, respeitem o outro, cultivem os amigos e as boas relações. Isso era quase um mantra.’ E não era por caridade — era sempre por carinho”, relembra.
Casada por mais de 60 anos com Cléo Octávio Pereira, falecido em 2010, Wilma sempre foi o alicerce da família. Matriarca no sentido mais pleno da palavra, inspira pelo exemplo, pela constância e pela presença firme. A coragem também foi uma lição permanente: “A vida não é fácil, mas não tenha medo. Siga com coragem. Se cair, levanta. Levantou, siga em frente”, recorda Cláudia.
Para ela, esse é um dos maiores legados da mãe: uma mulher que nunca teve medo de começar — ou recomeçar. “É uma coragem extraordinária.”
A alegria de viver é outra marca registrada. Cláudia lembra que a mãe transformava até os acontecimentos mais simples em momentos mágicos, gestos simbólicos, poéticos e cheios de encantamento.
O encanto da mãe ficou gravado na lembrança. “Ela é muito inventiva. Sempre foi uma pessoa mágica”, disse a filha, relembrando memórias afetivas que marcaram sua infância.

De sorriso largo e abraço fácil, Dona Wilma recebe como quem entende que elegância também está no gesto de acolher. Moradora do Lago Sul há cinco décadas, não se prende a rótulos. Ao falar da mãe, Claudia a descreve como alguém que, desde muito pequena, demonstrava uma atenção genuína ao outro, “sem distinção alguma”. A beleza sempre esteve presente, mas nunca foi o centro.
“Ela sempre foi muito bonita, mas nunca deixou isso se tornar algo maior. O que vinha primeiro era ajudar, olhar o outro com um sorriso verdadeiro e uma alegria ímpar.”
A mineiridade aparece nos detalhes e se traduz em afeto, empatia e generosidade. Como quem viveu intensamente e com plenitude, Wilma revisita o passado sem receios, celebra cada capítulo da própria história e não teme a memória do que já foi vivido.
Dona Wilma valoriza as amizades e as boas relações de forma natural, sem esforço. “É um dom”, define a filha. “Ela ama a vida — e, ao amar a vida, ama as pessoas.” Gosta de estar junto, receber, caminhar, observar, viver. “Se tem uma pessoa que tem gratidão pela vida, é ela.”

Mesmo desfrutando de uma vida confortável, nunca se distanciou das demandas da comunidade. Ao longo dos anos, manteve firme o compromisso com causas sociais, reafirmando sua imagem como uma mulher atenta, presente e profundamente conectada à realidade ao seu redor.
Elegância, beleza, simpatia e empatia se encontram numa fórmula rara e verdadeira, sempre ajudando o próximo com graça, sem esperar nada em troca.
Para Cláudia, definir a mãe é quase um exercício de poesia:
“Costumo dizer que a minha mãe é uma espécie de cometa. Por onde passa, tudo se ilumina. No mundo afora, chama atenção pela graça, pela luz e pela bondade.”
Ela resume o magnetismo de Wilma de forma simples e precisa: “As pessoas gostam dela porque o olhar e o sorriso são verdadeiros.”
Dona Wilma não é apenas parte da história de Brasília — ela é, em essência, uma dama da cidade.
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