
Claudia MeirelesColunas

Desde o início: tudo sobre treta entre George Clooney e Donald Trump
Trocas de farpas, críticas políticas, sanção a Amal e a mudança para a França escalam o conflito entre George Clooney e Donald Trump
atualizado
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Muito antes de Donald Trump se tornar presidente dos Estados Unidos, George Clooney já o conhecia de perto. Os dois circularam pelos mesmos ambientes sociais em Nova York e Hollywood nos anos 1990 e 2000. Segundo o próprio ator, Trump era, naquele momento, um personagem folclórico da noite, interessado em celebridades e mulheres, bem distante da figura política que viria a se consolidar anos depois.
Essa convivência inicial dá um peso extra às críticas que Clooney passou a fazer quando Trump entrou definitivamente na política. O ator costuma afirmar que viu uma mudança radical no comportamento do então empresário, algo que, para ele, marcou a ruptura definitiva entre os dois.
Clooney, política e a recusa ao poder
George Clooney sempre foi politicamente ativo, especialmente em pautas ligadas a direitos humanos, democracia e liberdade de imprensa. Mesmo assim, ele já deixou claro que não pretende concorrer a cargos públicos. Em entrevista à BBC, em 2021, o ator afirmou que quer “ter uma vida boa” e aproveitar os anos ao lado da família, longe da pressão extrema que envolve a política institucional.

A declaração veio em um contexto no qual pesquisas de opinião nos Estados Unidos apontavam que parte do eleitorado preferiria ver celebridades — entre elas Clooney — disputando a Casa Branca em vez de nomes tradicionais da política. Apesar da popularidade, o ator sempre rejeitou essa possibilidade.
Críticas diretas a Trump
A relação entre Clooney e Trump azedou de vez durante a presidência do republicano. O ator se tornou um crítico frequente do mandatário, especialmente após os ataques às instituições democráticas e à imprensa.

Após os atos de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump invadiram o Capitólio, Clooney foi categórico ao afirmar que o sobrenome Trump ficaria para sempre associado à palavra “insurreição”. A fala repercutiu fortemente e consolidou o ator como uma das vozes mais duras de Hollywood contra o trumpismo.
Mesmo fora da Casa Branca, Clooney demonstrou acreditar que Trump continuaria sendo uma figura influente na política americana por um bom tempo, ainda que expressasse esperança de que o país não repetisse a mesma escolha no futuro.
A família Clooney no centro do conflito
A tensão entre Clooney e Trump deixou de ser apenas retórica quando passou a envolver diretamente Amal Clooney. Advogada especializada em direitos humanos e direito internacional, Amal atua como conselheira do Tribunal Penal Internacional (TPI).
Em 2025, surgiram informações de que o governo Trump estudava impor sanções a advogados estrangeiros ligados ao TPI, em retaliação a processos envolvendo líderes israelenses. Entre os nomes citados estaria Amal Clooney, o que poderia resultar em restrições severas, como a proibição de entrada nos Estados Unidos e o congelamento de bens.
Especialistas em direito internacional classificaram a possibilidade como algo sem precedentes, já que não há histórico de sanções americanas contra advogados estrangeiros apenas pelo exercício de suas funções profissionais. Entidades como a American Bar Association [equivalente à OAB no Brasil] reagiram publicamente, afirmando que esse tipo de medida representa uma ameaça direta à independência do Judiciário e à advocacia.
A mudança para a França e a nova provocação
Em meio a esse cenário, George e Amal Clooney passaram a viver majoritariamente na França, onde compraram uma propriedade e criam os filhos, Alexander e Ella. Em dezembro de 2025, a família foi oficialmente naturalizada como cidadã francesa.
A notícia provocou uma reação imediata de Donald Trump, que usou sua rede social para ironizar a decisão, chamando o casal de “dois dos piores prognosticadores políticos de todos os tempos” e criticando a política de imigração francesa.

A resposta de Clooney veio poucos dias depois, com ironia: ele afirmou concordar com Trump sobre “fazer a América ótima novamente”, acrescentando que isso começaria nas eleições de meio de mandato. A troca de farpas ganhou destaque internacional.
O discurso em francês no Globo de Ouro
A tensão ganhou um novo capítulo simbólico em janeiro de 2026, durante o Globo de Ouro. Ao subir ao palco para apresentar um prêmio, Clooney abriu o discurso falando em francês, em uma referência direta à sua nova cidadania.
Bonsoir, mes amis, c’est un honneur d’être ici.
George Clooney no Globo de Ouro 2026
[“Boa noite, meus amigos, é uma honra estar aqui.”]
O gesto foi interpretado como uma provocação elegante ao presidente americano, especialmente após as críticas públicas de Trump. A imprensa internacional destacou o momento como mais um episódio do embate entre o astro de Hollywood e o político republicano.
Mais do que uma briga pessoal
A chamada “treta” entre George Clooney e Donald Trump vai muito além de ataques pessoais. Ela simboliza o choque entre dois projetos de mundo: de um lado, um ator engajado em causas multilaterais, direitos humanos e instituições internacionais; do outro, um político que frequentemente ataca essas mesmas estruturas.
Ao longo dos anos, o conflito saiu dos bastidores de festas em Nova York para discursos públicos, redes sociais, possíveis sanções internacionais e palcos de premiações.
E tudo indica que, enquanto Trump continuar sendo uma figura central da política americana, Clooney seguirá como um de seus críticos mais conhecidos — ainda que, como ele próprio diz, prefira viver essa fase da vida longe de qualquer candidatura oficial.
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