
Claudia MeirelesColunas

De ressaca ou doente? Médico alerta para sintomas de risco pós-folia
O médico infectologista destaca como a ressaca pode mascarar os primeiros sintomas de doenças infecciosas como gripe e covid-19
atualizado
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Após quatro dias de Carnaval o corpo começa a cobrar a conta: fadiga extrema, dores musculares, dores de cabeça e aquele típico mal-estar associado à ressaca. Entretanto, nem sempre os sintomas são apenas um sinal do excesso de álcool, por vezes esses são os primeiros indícios de que você pode estar doente.
Hareton Teixeira Vechi, médico infectologista do Instituto de Medicina Tropical da Universidade Federal do Rio Grande do Norte explica que o tempo de duração dos sintomas é um dos principais parâmetros a serem observados. De acordo com o especialistas, a famosa ressaca dura de 24h a 48h.
“Quando os sintomas persistem além desse período ou pioram gradativamente, mesmo que dentro dessa janela de tempo, o indivíduo precisa procurar atendimento médico, pois isso pode não ser mais uma simples ressaca e se tratar, na verdade, de uma intoxicação mais grave ou algum outro agravo infeccioso que demanda uma atenção especial”, alerta.
O médico destaca que o excesso de álcool compromete barreiras naturais de defesa do nosso organismo, como a barreira gastrointestinal, bem como prejudica o funcionamento de algumas células do nosso sistema de defesa, como linfócitos T e B, neutrófilos e macrófagos. Somado ao fato das grandes aglomerações, que facilitam a transmissões de doenças respiratórias, estar doente pós-folia não é incomum.

Ressaca pode mascarar sintomas de infecção
Entre enfermidades mais comuns do período estão as doenças infecciosas transmitidas por gotículas, como gripe, resfriado comum, COVID-19, citomegalovirose, mononucleose infecciosa. A ressaca pode mascarar muitos dos sintomas característicos dessas infecções, visto que o mal-estar pelo excesso de álcool costuma ser generalizado. Entretanto, sintomas como febre, coriza e incômodo na garganta costumam indicar a contração de um vírus.
Entretanto, o infectologista alerta também para estar atento também aos primeiros sinais de infecções sexualmente transmissíveis (IST) como sífilis, gonorreia, clamídia e cancro mole — visto que algumas delas podem apresentar febre e dores no corpo dias após a infecção.
“Atualmente dispomos de medicamentos para reduzir o risco de adquirir IST, a exemplo da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP HIV), profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP HIV) e a profilaxia pós-exposição com doxiciclina (DoxyPEP). Pessoas com vida sexual ativa que estejam sob maior vulnerabilidade para adquirir IST, como por exemplo, se tiveram múltiplas parcerias sexuais, relações sexuais sem preservativo, histórico recente de alguma dessas infecções, podem procurar uma unidade hospitalar”, disse.
Ele lembra apenas que medidas como a PEP HIV, são feitas após a exposição sexual e só podem ser prescritas se o indivíduo buscar atendimento médico em até 72h após o ato sexual.

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