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Claudia Meireles

Ortopedista revela como tratar síndrome de Zé Felipe que causa fortes dores

O cantor sertanejo Zé Felipe acreditava que os sintomas podiam estar relacionados ao nervo ciático, entretanto, recebeu outro diagnóstico

Reprodução/Instagram
Zé Felipe

O cantor goiano Zé Felipe, de 28 anos, expôs, na quarta-feira (28/10), o diagnóstico de síndrome de piriforme, que causa fortes dores nos glúteos. Ao conversar com seus seguidores em seu perfil do Instagram, ele compartilhou que acreditava ter  inflamação do nervo ciático. No entanto, ao se consultar com um médico, descobriu outra condição: a síndrome de piriforme. Em conversa com a coluna Claudia Meireles, o ortopedista Isaías Chaves detalhou mais sobre o quadro. 

Síndrome de piriforme

De acordo com o médico, a síndrome “ocorre quando o músculo piriforme, localizado profundamente na nádega, sofre um espasmo, inflamação ou hipertrofia e comprime diretamente o nervo ciático que passa logo abaixo ou através dele. Essa compressão mecânica de um nervo grande e sensível gera uma dor profunda, intensa, em queimação ou choque na nádega, podendo irradiar por toda a parte posterior da perna.”

Ao gravar o vídeo para seu perfil, Zé Felipe informou ter sentido uma dor agoniante, que o remeteu ao incômodo de uma agulhada.

“É uma dor que parece dor de injeção, sabe? Você arrepia até a alma”, relatou Zé. 

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Como diferenciá-la de uma dor ciática causada por hérnia de disco?

Os principais sintomas podem incluir dor profunda no glúteo, formigamento, dormência e piora ao executar determinados movimentos, como ficar sentado por longos períodos ou até mesmo subir escadas. O especialista explica que o quadro deve ser diagnosticado clinicamente, para não haver dúvidas e para que o tratamento seja o mais efetivo possível.

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“A diferenciação para a hérnia de disco é feita clinicamente, porque a síndrome do piriforme tem origem no glúteo e não costuma piorar com tosse, espirro ou esforço para evacuar [situações que agravam a hérnia lombar], além de apresentar um ponto de dor muito localizado e sensível ao toque direto no centro da nádega”, expõe Isaías.

Apesar dos sintomas serem específicos, nem todos são exclusivos dessa mesma condição. No entanto, o doutor enfatiza a importância de se consultar com um médico, para receber o diagnóstico mais preciso, de acordo com o histórico do paciente e possíveis exames.

“O diagnóstico é eminentemente clínico, fundamentado no histórico detalhado do paciente e em testes físicos e manobras de consultório que tensionam o músculo para reproduzir a dor. A condição é facilmente confundida com outros problemas porque simula perfeitamente os sintomas de uma ciática de origem lombar ou de bursites, e também porque os exames de imagem convencionais costumam não mostrar alterações visíveis no músculo piriforme”, explica.

O que pode desencadear a síndrome?

Excesso de exercícios, longos períodos sentado, alterações musculares ou até mesmo traumas podem contribuir para a evolução da síndrome. O ortopedista afirma que todos esses fatores podem ser determinantes para o aumento da dor. 

“A condição é frequentemente desencadeada por passar longos períodos sentado, como o hábito de sentar com a carteira no bolso traseiro; pelo uso excessivo e repetitivo em corridas ou ciclismo sem o devido descanso; por alterações biomecânicas e assimetrias musculares; ou por traumas diretos decorrentes de quedas ou pancadas na região glútea”, explicita o médico.

O tratamento

Para o tratamento, o especialista compartilha serem necessárias sessões de fisioterapia, liberação miofascial, alongamentos direcionados para a rotação do quadril, uso de analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares. “Em quadros persistentes, podem ser indicadas infiltrações locais com anestésicos ou toxina botulínica, ficando o tratamento cirúrgico reservado exclusivamente para situações extremas e refratárias.”

O especialista em fisioterapia ortopédica e desportiva Raul Santana acrescenta a relevância de um direcionamento individualizado para cada caso. Para ele, “a fisioterapia tem um papel importante porque não se limita a aliviar a dor: ela busca identificar os fatores que contribuem para o problema e recuperar a função do paciente”.

Sobre o tratamento em si, exercícios de mobilidade, fortalecimento, controle dos movimentos do quadril, progressão gradual das atividades e terapia manual, quando indicada, podem fazer parte da lista de tarefas a realizar.

Com a melhora do quadro, Raul ressalta a importância de manter-se atento aos sinais do corpo, pois a condição pode retornar, caso os fatores que contribuíram para o problema continuem presentes na rotina do paciente.

“A prevenção envolve mais do que fazer um alongamento de vez em quando. É importante manter uma rotina de fortalecimento, desenvolver boa mobilidade do quadril, respeitar os intervalos de recuperação e aumentar a intensidade dos exercícios de maneira progressiva”, disse o fisioterapeuta.

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