Mostra Utopias em construção é aberta ao público em noite prestigiada
Com cerca de 500 documentos e obras, a mostra Utopias em construção é gratuita e fica aberta ao público até outubro, no Museu Nacional

Nesta terça-feira (11/8), a capital federal foi celebrada em diferentes perspectivas com a prestigiada abertura da exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo, realizada pelo Metrópoles Arte em parceria com o Arquivo Público do Distrito Federal. Reunindo fotografias, projetos, documentos, obras de arte e experiências imersivas, a mostra ocupa o Museu Nacional da República até outubro.
O coquetel de abertura contou com a presença de autoridades e convidados ilustres, que fizeram questão de prestigiar a iniciativa que celebra a história do Quadradinho do Distrito Federal. Entre os presentes, o vice-presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Roberval Belinati; o secretário de Relações Internacionais do Distrito Federal (Serinter), Paco Britto; e o superintendente do Arquivo Público do DF, Adalberto Scigliano.
Com concepção do historiador Elias Manoel da Silva e do arquivista Hélio Júnior, a exposição reúne desde croquis de Oscar Niemeyer até painéis de Athos Bulcão. Na exposição, os registros históricos dividem espaço com obras contemporâneas de artistas como Christus Nóbrega e Coletivos Transverso, um encontro de diferentes perspectivas sobre a capital que ilustram suas transformações desde a inauguração, em 1960.
Utopias em construção mantém viva a memória de Brasília para as novas gerações
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o superintendente do Arquivo Público, Adalberto Scigliano, responsável por ceder parte do acervo histórico, revelou que a ideia de celebrar a história da Capital da Esperança nasceu do desejo de aproximar a população de sua própria história e da preservação do patrimônio cultural de Brasília.
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“Quando a gente pensa que 90% da população nasceu depois de 21 de abril de 1960, entende que Brasília e a epopeia da sua construção passam despercebidas e as pessoas não entendem o que foi isso. Depois de quase dois anos recolhendo acervos e me deparando com muitas coisas novas, tomamos a decisão de sair dos depósitos silenciosos e dividir essa memória com a população”, conta Adalberto Scigliano.
Dividida em em três etapas — Área Monumental, Segmentos Radiais e Núcleo Documental — a ideia é justamente mostra como Brasília, mais que um projeto político, foi construída a partir de um coletivo de expressões artísticas.
O olhar dos curadores
Para selecionar os materiais entre os mais de 10 milhões de itens do acervo do Arquivo Público, Adalberto Scigliano contou com a curadoria de Marcus Lontra, Marília Panitz e Rafael Peixoto. Para a coluna, Rafael contou que a troca entre os três foi fundamental para a concepção da mostra, que, segundo Scigliano, “ficará para a história da cidade”.
“Foi muito interessante, porque o Marcus viveu o início da construção da cidade. A Marília já é uma referência sobre a história da arte de Brasília. Eu sou o mais novo e sou do Rio de Janeiro, foi uma oportunidade de conhecer a capital por outro olhar. Construímos diálogos muito interessantes”, detalhou.

Presente na abertura, Marcus Lontra compartilhou com a coluna Claudia Meireles a felicidade de participar de um projeto que, para ele, tem sensação de “casa”. Natural do Rio de Janeiro, o curador passou parte da infância em Brasília.
“Eu vim para cá em 1960, quando tinha 5 anos. Mesmo tendo retornado para o Rio, tenho uma lembrança muito forte do tempo que vivi aqui. Às vezes, brinco que essas memórias me deixaram com ‘ânsias juscelinistas'”, brincou.
Responsável pelo olhar feminino da curadoria, Marília Panitz frisou a complexidade do trabalho e a importância de aproximar o público de documentos ainda pouco conhecidos.
“Foi extremamente complexo montar essa exposição, porque a nossa intenção foi dar visibilidade a um acervo incrível e que poucas pessoas conhecem — e o mais importante, também mostrar, por meio da arte, como as pessoas vivem nessa cidade”, contou.

Discursos
Para celebrar a abertura da exposição Utopias em Construção: Brasília nas dobras do tempo, os envolvidos na realização do projeto se reuniram para brindar o momento e fazer breves discursos.
Com a palavra, o vice-presidente do TJDFT, Roberval Belinati, destacou a importância de iniciativas que valorizem e divulguem a história de Brasília para a população.

“Esta exposição é um exemplo para todo o Brasil fazer o mesmo: divulgar a história do nosso país”, afirma.
A celebração da cultura brasiliense também foi destacada por Fernando Modesto, secretário interino de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF).

“Olhar para trás e para o nosso passado e saber que chegamos aqui graças a pessoas que tiveram a força e a coragem de estar aqui naquela época, na década de 1950… Tudo isso é prazeroso, reconfortante. Para dar valor à nossa história, é preciso conhecê-la. E quando trazemos isso para um lugar aberto, um local público, onde qualquer um pode entrar e visitar, é fenomenal”, frisou.
O empresário Luiz Estevão salientou o especial significado de Utopias em construção para ele.

“Essa exposição tem um significado muito especial para mim, pelo meu incômodo em ver que as novas gerações que desfrutam de Brasília, que moram em Brasília e que nasceram em Brasília, não têm a menor noção do que foi a epopeia da construção desta cidade — uma cidade construída em apenas três anos”, disse.
Luiz Estevão ainda chamou a atenção sobre as visitas guiadas que reforçarão esse viés educativo. “Nós traremos aqui mais de três mil crianças ao longo dos próximos três meses, da rede pública e particular, para que tenham consciência da excelência do lugar onde moram, do desafio que foi construir isso aqui do nada, e para que possam, ao longo de suas vidas, ser defensores do maravilhoso projeto urbanístico e arquitetônico de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer”, celebrou.
Clima festivo marca a abertura da mostra
A estreia da exposição Utopias em Construção: Brasília nas dobras do tempo foi celebrada à altura de sua história. Os convidados puderam contemplar as obras e acervos enquanto desfrutavam de um coquetel elegante assinado pelo buffet Afetto.
Além dos quitutes, o sucesso da iniciativa do Metrópoles Arte foi brindado com com drinks elaborados pela Mix Drinks, como o Santana, que levava na composição cachaça de jambu, Aperol, limão, mel de laranjeira e espuma cítrica.
Veja os clique da abertura da exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo pelas lentes de Pedro Iff e Wey Alves:











































































Serviço
Exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo
No Museu Nacional da República (SCTS Lote 2 – Plano Piloto, Brasília – DF, ao lado da Rodoviária)
Entrada gratuita — Visitação de terça a domingo, das 9h às 18h30
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