
Claudia MeirelesColunas

João Angelini estreia ocupação Cenas de Ódio, Morte e Progresso
A exposição com curadoria de Marco Antônio Vieira traz quatro tempos e momentos instalativos
atualizado
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João Angelini é um artista plural, com trabalhos que incluem diferentes mídias e formatos. Nessa sexta-feira (17/01/2020), ele ocupou a Galeria deCurators, na Asa Norte, com obras da exposição Cenas de Ódio, Morte e Progresso.
Artistas, produtores culturais, curadores e galeristas compareceram em peso e ficaram impressionados com a complexidade do trabalho de Angelini, que conta com a curadoria de Marco Antônio Vieira, professor de Teoria e História da Arte.
Angelini ressalta que não se trata de uma exposição individual, mas de um pensamento para ocupar a galeria e gerar uma situação potente, poética e política. “Ela é o resultado de uma reverberação do que a gente está vivendo nos últimos anos”, enfatizou.
“Todos os trabalhos têm uma questão que amarra. Estão relacionados à morte, ao genocídio, à destruição da terra. O Marco percebeu muito bem que a minha cabeça, talvez por ser formado em vídeo e animação, lida muito com esse formato da montagem de vídeo e de cinema”, disse.

A exposição surgiu a partir de um convite de Gisel Carriconde para que Marco Antônio ocupasse a deCurators e ele logo pensou em Angelini como o artista certo para aquele momento de sua carreira.
“Essa exposição é uma experiência decisiva na minha carreira como curador e como pesquisador de artes visuais. Todas as obras se articulam como se fossem cenas de um filme extremamente poético e alegórico”, ressalta Vieira.
“Todos os anos em que eu me dediquei às artes visuais foram importantes para esse momento de troca com um artista maduro, cuja obra oferece complexidades imensas em vários sentidos”, completou o curador.

Cenas de Ódio, Morte e Progresso é uma obra em quatro tempos e momentos instalativos. Logo na chegada, Look on The Bright Side, Baby, chamou a atenção de todos para a vitrine da galeria. A instalação performática traz balas instaladas em um relógio de vela de 20 dias. A ideia é que ela dure apenas o tempo da exposição.
“É um título irônico, até pela questão colonial a que ela se refere. A gente ainda vive uma lógica colonial global. É uma obra que trata do genocídio dos povos originais daqui. Da ocupação dessa terra e da expansão do progresso do Centro-Oeste”, explica.
No primeiro momento, a ocupação seria composta por três obras: Look on The Bright Side, Baby, a gravura Marco Território, que retrata a Pedra Fundamental, e o cofre Depois de Anhanguera.
No entanto, Angelini sentiu falta de um quarto elemento. Foi então que ele decidiu resgatar a obra Tô Só Observando, com três pires de ágata, cubinho de osso e pó de osso (adubo), que hoje pertence a Maura Mendes. “Funcionou bem. Eles fecharam a narrativa e as relações conceituais”.
Cenas de Ódio, Morte e Progresso
Deste sábado (18/01/2020) até o dia 9 de fevereiro. Na galeria deCurators (412 Norte). Classificação indicativa: livre.
Confira os cliques:
































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