Claudia Meireles

Como Ashley Tisdale: quando é hora de sair do grupo de mães

A atriz Ashley Tisdale acendeu o debate sobre limites nas relações após compartilhar sua experiência com um grupo de mães tóxicas

atualizado

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Internautas acusam famosas como Hilary Duff e Mandy Moore de fazerem parte do grupo que excluiu Ashley Tisdale
1 de 1 Internautas acusam famosas como Hilary Duff e Mandy Moore de fazerem parte do grupo que excluiu Ashley Tisdale - Foto: Getty Images

Buscar um espaço seguro para compartilhar os desafios da maternidade e acabar revivendo “dinâmicas do ensino médio”. Foi assim que a atriz Ashley Tisdale descreveu sua experiência em um grupo de mães. Em um artigo publicado no portal The Cut, a atriz classificou a comunidade como “tóxica” e afirmou que, em alguns casos, mães podem agir como verdadeiras “meninas malvadas”.

Ashley contou que, após o nascimento da primeira filha, Júpiter, em março de 2021, sentia uma forte necessidade de conexão. “Queria conversar com alguém que entendesse as oscilações de humor”, as noites sem dormir e “o processo de se despedir de quem era antes para dar lugar a uma nova versão de si mesma”, relatou a atriz.

A oportunidade surgiu quando uma amiga criou um grupo de mães. No início, a experiência foi inspiradora: mulheres que conciliavam carreira, projetos e a maternidade pareciam provar que o equilíbrio era possível. “Me dava esperança”, escreveu.

Ashley Tisdale
Ashley Tisdale ganhou fama internacional com o papel de Sharpay Evans, em High School Musical

Entretanto, a sensação de acolhimento durou pouco. Segundo a atriz, o ambiente passou a ser marcado por exclusões, fofocas e críticas veladas, fazendo-a se sentir novamente deslocada, como na adolescência. Diante a situação, Ashley decidiu sair do grupo, classificando a experiência como “muito colegial”. Mesmo com tentativas de reaproximação, ela manteve sua decisão e deixou um recado claro: é permitido — e necessário — sair de grupos de mães quando eles se tornam tóxicos.

Os primeiros sinais de que seu grupo de mães é “tóxico”

A psicóloga clínica Cibele Santos aponta que um dos primeiros sinais de alerta de danos a saúde emocional é a ansiedade antecipatória: quando o simples fato de receber uma notificação do grupo gera palpitação, tensão muscular ou irritabilidade.

“Outros sinais são comparações constantes, quando você sente que sua maternidade é ‘insuficiente’ após interagir com o grupo, assim como o monitoramento excessivo ou medo de postar algo e ser julgada ou ‘cancelada’. Tem também a sensação de exaustão, quando em vez de ser um suporte, o grupo se torna mais uma tarefa pesada no seu dia”, destaca a expert.

A longo prazo, relações que causam “exclusão” podem afetar profundamente a psique — isso porque o ser humano é biologicamente programado para pertencer. “A exclusão, ou o famoso ‘ostracismo digital’, ativa as mesmas áreas cerebrais da dor física. Para uma mãe, que já está em um período de vulnerabilidade emocional, a exclusão pode desencadear sentimentos de inadequação, aumento de risco de depressão e isolamento real”, comenta.

Desconforto pontual x relação tóxica

É importante lembrar que nem todo situação pode ser enquadrada como “tóxica”, pois em relações próximas, desconfortos sempre tendem a existir. O importante, segundo a psicóloga, é saber diferenciar as duas situações.

Enquanto o desconforto pontual geralmente surge de uma divergência de opiniões e se resolve após uma conversa e sem ataques pessoais, a relação tóxica é marcada pelo padrão repetitivo de comportamento. Há dinâmicas de poder, fofocas estruturadas, críticas constantes disfarçadas de ‘dicas’ e uma sensação de que você está sempre ‘pisando em ovos’. Na relação tóxica, não há espaço para a vulnerabilidade”, pontua Cibele.

grupo de mães
Grupo de mães: é importante estabelecer limites e saber se retirar

Como sair e seguir em frente

A decisão se vale a pena conversar e tentar salvar a relação deve ser individual. Cibele Santos defende que a “adaptação é saudável enquanto não fere seus valores fundamentais”. É necessário observar se a relação demanda esconder quem realmente é ou omitir dificuldades e estilo de vida para ser aceita. “Se o esforço para pertencer é maior do que o benefício de estar ali, o limite da saúde mental foi ultrapassado”, alerta a psicóloga.

A forma emocionalmente saudável de se afastar do grupo é dar prioridade a autopreservação — a pessoa deve avaliar o que vai infligir menos desconforto emocional. As alternativas podem variar entre uma saída silenciosa, quando um grupo for muito grande ou muito hostil.  “Você não deve justificativas para quem drena sua energia”, valida a psicóloga.

A comunicação mais assertiva ganha espaço em grupo menores e em que a pessoa ainda sente que pode receber uma certa empatia. Além disso, é importante configurar limites. “Silenciar notificações e arquivar a conversa antes de sair definitivamente ajuda na transição emocional”, destaca.

E após a saída, é importante ter a certeza que ainda é possível encontrar vínculos seguros para além do grupo de mães. “Busques por afinidades reais, procure grupos baseados em interesses além da maternidade e, em vez de grandes grupos de WhatsApp, cultive amizades individuais com duas ou três mães que compartilham valores similares aos seus”, aconselha Cibele.

grupo de mães
Buscar conexões reais e até mesmo fora do ciclo da maternidade pode ajudar a equilibrar melhor a saúde mental

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