Claudia Meireles

Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DF

A mostra Bancos Indígenas do Brasil – Rituais está em cartaz no Museu Nacional, no Memorial dos Povos Indígenas e no Itamaraty

atualizado

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Brasília (DF), 12/11/25. abertura exposição bancos indígenasFotos: Wey Alves/Metropoles@weyalves
1 de 1 Brasília (DF), 12/11/25. abertura exposição bancos indígenasFotos: Wey Alves/Metropoles@weyalves - Foto: Wey Alves/Metropoles@weyalves

Nessa quarta-feira (12/11), o Museu Nacional da República foi palco do lançamento da exposição Bancos Indígenas do Brasil – Rituais, realizado pela coleção BEĨ. Com curadoria de Marisa Moreira Salles, Tomas Alvim e Danilo Garcia e o envolvimento de artistas e lideranças indígenas, a mostra traz a Brasília um acervo histórico e simbólico de cerca de 500 bancos indígenas que expressam mais de 4 mil anos de conhecimento, espiritualidade e tradição dos povos originários.

O evento de abertura reuniu não apenas entusiastas da arte e cultura, como também artistas e lideranças indígenas de diferentes regiões do Brasil, em um encontro que reforçou o protagonismo das culturas ancestrais na construção da identidade brasileira.

Veja os highlights da inauguração da exposição Bancos Indígenas do Brasil – Rituais:

A exposição gratuíta ocupa outros dois espaços de Brasília, o Memorial dos Povos Indígenas e o Itamaraty, que apresenta bancos de 51 etnias, parte de uma coleção composta por mais de 1.400 peças. As obras, feitas em madeira, esculpidas com traços zoomórficos e grafismos simbólicos, unem funcionalidade, estética e espiritualidade.

“Fazer um banco é tão importante quanto usá-lo”, destacou a curadora Marisa Moreira Salles, explicando que a beleza está na conexão com o sagrado.

Exposição Bancos Indígenas do Brasil – Rituais está em cartaz no Museu Nacional da República

Para o professor Eliel Benites, integrante do Departamento de Línguas e Memória do Ministério dos Povos Indígenas, a ideia de um banco indígena representa mais do que a função de sentar, e sim um ato simbólico. “Representa o equilíbrio do corpo com o território e a reconexão com o sagrado”, pontuou.

Benites também explica que os grafismos entalhados nas peças funcionam como linguagem espiritual. “Cada traço tem um símbolo. Nos bancos Guarani, as ondulações representam o caminho dos espíritos no cosmos. Esses sinais atraem a espiritualidade para junto da aldeia — quando ela se aproxima, coisas boas acontecem.”
Exposição Bancos Indígenas do Brasil — Rituais
A mostra apresenta bancos de 51 etnias, parte de uma coleção composta por mais de 1.400 peças

Além dos desenhos, os formatos zoomórficos têm papel fundamental. A onça, tamanduá, anta e jacaré, por exemplo, representam entidades do mundo espiritual, segundo as cosmologias indígenas. “Cada animal expressa uma dimensão superior. Os bancos são extensões do mundo espiritual”, completa.

Para o curador Tomas Alvim, o mais importante em compartilhar o acervo com a capital federal está em promover o reencontro do público com sua própria ancestralidade. “Esses bancos falam de uma estética que preserva a floresta, que revela uma sabedoria profunda sobre o mundo. Conhecer isso é uma forma de fortalecimento cultural”, destaca.

O impacto cultural dos bancos indígenas brasileiros

Durante a vernissage, a curadora Marisa Moreira Salles revelou à coluna Claudia Meireles os caminhos que levaram a editora BEĨ a iniciar a coleção de bancos indígenas brasileiros. Segundo ela, a relação com os artefatos surgiu de maneira despretenciosa.

“Eu e Tomas Alvim somos editores há mais de 35 anos na editora BEĨ. Coincidentemente, é um nome Tupi. Nós estavamos desenvolvendo uma coleção de guias pelo Brasil, com destaque para objetos inusitados e um dos nossos jornalistas encontraram um banco indígena. A gente se apaixonou pela estética e começamos a ir atrás de artesanatos indigenas para adquirir mais deles”, comenta Marisa Moreira Salles.
O curador Tomas Alvim em roda de conversa

Com o tempo, o fascínio virou coleção. Quando já haviam reunido cerca de 300 peças, Marisa percebeu o potencial de publicar um livro sobre o tema. “Eles eram lindos. Então, nasceu a vontade de compartilhar, já que entendíamos que os brasileiros não reconheciam esses objetos como parte da própria cultura”, reflete.

Durante o processo editorial, os curadores notaram que muitos bancos tinham traços similares, o que levou até a descoberta de seus autores e ao reconhecimento da autoria indígena. “A gente conseguiu distinguir cerca de 70% dos bancos. Tivemos que vasculhar o Brasil todo atrás desses artistas”, afirma.

A coleção BEĨ, formada ao longo de 25 anos, começou pela paixão estética, e logo se transformou em uma missão cultural. “Quando percebemos que existiam autores por trás de cada banco, soubemos que precisávamos reconhecê-los. Não dava mais para falar em arte tribal, e sim em arte indígena com nome, identidade e trajetória”, diz Marisa.

Mostra espalhada por três espaços de cultura da capital federal

Em Brasília, a mostra apresenta mais do que os bancos. Segundo Maria, o público vai poder ver, em primeira mão, as máscaras, redes, ornamentos e peças que ampliam a experiência sensorial do visitante.

Exposição de coleção de bancos indígenas celebra ancestralidade no DF - destaque galeria
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A exposição traz também máscaras, redes, ornamentos e peças
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Animais são representações sagradas
Artefato indígena
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Bancos indígenas
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A exposição traz também máscaras, redes, ornamentos e peças

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Animais são representações sagradas
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Segundo Danilo Garcia, um dos curadores da coleção, a exposição presente em três simbolos icônicos da capital federal foi desenhada para dialogar com a arquitetura de cada lugar. No Itamaraty, os bancos ocupam o hall modernista em harmonia com os traços do edifício.

No Memorial dos Povos Indígenas, grafismos da artista Dayara Tucano foram projetados nas paredes e no chão, criando um ambiente imersivo. “Ali, o visitante vê sua pele refletida em vermelho, cor ritualística que envolve o corpo na exposição”, comenta Danilo.

Já o Museu Nacional da República recebeu nove rituais diferentes representados por bancos. Entre eles, o Kuarup, uma cerimônia de despedida dos mortos, dos povos do Xingu, e o Rito Rocan, dos Karajá, que marca a passagem da infância para a vida adulta.

A diretora do Museu Nacional da República, Fátima Medeiros, celebrou a abertura como uma experiência de descoberta. “A exposição permite que o público de Brasília se aproxime da riqueza artesanal e espiritual dos povos originários. É uma imersão em uma produção cultural que antes não tinhamos tanto conhecimento. Está em um lugar central e dá oportunidade que muitas pessoas aprendam sobre a arte”, comenta.

Confira quem esteve presente no coquetel de inauguração, pelo olhar de Wey Alves:

Embaixatriz da França, Géraldina Lenain; Marisa Salles e Claudia Estrela
Raphael Santana, Lázara Carvalho, Leo Racy, Tomas Alvim e Daniel Maranhão
Sanagê
Marisa Salles e Claudia Meireles
Krumare Karajá, Rafael Andrade, Sokrowe Karajá e Jhonny Kobayashi
Gabi Mehinako, Ariane Mehinako, Ana Kamayura e Simone Aweti
Daniel Maranhão e Eliel Benites
Sergio Leo e Sara Seilert
Thiago Abreu e Juliana Maceno
Sokrowe Karajá
Morena Reis, Fátima Medeiros, Claudia Meireles e Sara Seilert
Lua Kixeló, Alexandre Barata e Adele De Fé
Gabriel Jara, Marcelo Gomes, Marisa Salles, Leo Racy e Sylvio Rocha
Claudia Meireles e Ricardo Froes
Cecília Piva e Luara Presotti
Leo Racy e Daniel Maranhão
Rodrigo Bragança de Queiroz e Isabella Bragança de Queiroz
Edglenia Lopes, João Flor de Maio, Marcia Lousada e Elisa Carvalho
Lulu, Thoyane e Ana Kamayurá
Teue Kalapalo, Yakalo Kalapalo, Wayukuma Kalapalo Naruvuto e Yawapi Kamayurá
Claudia Meireles
Danielo Garcia e Ana Paula Guerra

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