
Claudia MeirelesColunas

Estudo encontra BPA em item inusitado que talvez você esteja usando
O perigo está além das garrafinhas e recipientes de plástico
atualizado
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Ao comprarmos utensílios de cozinha, recipientes para armazenamento de alimentos ou garrafinhas de água, costumamos olhar a embalagem para encontrar o aviso “livre de BPA”.
Isso significa que aquele material foi fabricado sem bisfenol-a, um produto químico conhecido por ser um desregulador hormonal, com estudos que sugerem que a exposição a ele pode causar efeitos à saúde de fetos, bebês e crianças; bem como aumento do risco de pressão arterial, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, segundo a Mayo Clinic Press.
Infelizmente, a preocupação aumentou. Uma nova descoberta pode mudar a forma como lidamos com a substância. Altos níveis de BPA foram encontrados em um item inusitado e que faz parte da rotina de muita gente: as roupas de ginástica.
Em outubro do ano passado, a organização sem fins lucrativos Center for Environmental Health (CEH) enviou avisos legais a 14 marcas famosas de trajes esportivos depois que testes revelaram que alguns dos itens (tops, camisetas, shorts e leggings) poderiam estar expondo os usuários a altos níveis de bisfenol-a. De forma mais detalhada, os tecidos podem expor as pessoas em até 22 vezes o limite seguro do BPA, de acordo com a lei da Califórnia.
Uma nova atualização de junho de 2023 identificou mais empresas de roupas de ginástica que poderiam estar expondo os usuários a altos níveis da substância.

Kaya Allan Sugerman, diretora do programa de ameaças tóxicas ilegais do CEH, fez um alerta ao site Shape: “Estudos mostraram que o BPA pode ser absorvido por meio da pele e acabar na corrente sanguínea depois de manusear papel de recibo por segundos ou alguns minutos de cada vez”.
“Tops e roupas esportivas são usados por horas a fio, e você deve suar neles, por isso é preocupante encontrar níveis tão altos de BPA em nossas roupas”, continuou.
“O suor atua como um solvente e foi descoberto que remove os contaminantes da roupa”, completou Jimena Díaz Leiva, diretora científica da organização.
Por que se preocupar com o BPA?
Segundo o Center for Environmental Health, o produto químico age como o estrogênio e tem a capacidade de interromper os métodos típicos de funcionamento do corpo, incluindo os processos de metabolismo e reprodução, além do desenvolvimento e crescimento.

Usado em uma variedade de plásticos, resinas e revestimentos, o bisfenol-a, em contato com o corpo, pode levar a problemas de fertilidade, alterações comportamentais e doenças sensíveis ao estrogênio, incluindo câncer de mama, conforme declarou Hugh Taylor, presidente de obstetrícia e ginecologia e ciências reprodutivas da Universidade de Yale, nos EUA, ao veículo.
“Devemos pedir mais transparência nos materiais de vestuário e melhor rotulagem”, sugeriu o especialista.
O que fazer?
Enquanto atualizações mais recentes dos estudos não são divulgadas, podemos ter como recomendação a diminuição da exposição ao BPA. Mas como isso pode ser feito?
- Pesquisando a verdadeira origem dos materiais usados na fabricação das roupas de ginástica (confira o link das marcas sinalizadas pelo CEH);
- Trocando os itens esportivos logo após o treino;
- Desapegando de roupas mais antigas, que poderiam contém altos níveis de BPA.
De acordo com a Proposição 65, a Lei de Água Potável e Tóxica da Califórnia de 1986, o estado é obrigado a publicar uma lista de produtos químicos (incluindo BPA) que são conhecidos por causar danos reprodutivos e câncer, e informar os residentes sobre as exposições. O nível de BPA permitido através da exposição da pele é de três microgramas por dia.
Entretanto, embora o CEH cite a lei da Califórnia em seu relatório recente, os avisos legais enviados às marcas identificadas ultrapassam as fronteiras do estado. “Enquanto litigamos sob a Proposta 65, Lei de Execução de Água Potável Limpa e Tóxicos da Califórnia, as repercussões de nossos acordos se estendem além da Califórnia, pois, na maioria das vezes, é economicamente inviável para as empresas reformularem apenas para o mercado da Califórnia”, falou Emily DiFrisco, diretora de comunicações da CEH, ao Shape.
“Nossa ação legal tem sido bem-sucedida em pressionar indústrias inteiras a remover certos produtos químicos de produtos, [como] doces ou brinquedos infantis. Esses casos não servem apenas para proteger os consumidores da Califórnia, mas também os consumidores de todo o país”, comunicou.
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