Esposa de Haakon VIII, rei da Noruega, já esteve envolvida no caso Epstein
Formado nos Estados Unidos e no Reino Unido, Haakon, de 53 anos, assume o trono da Noruega cercado por desafios pessoais e institucionais

Antes de se tornar rei, Haakon Magnus foi um jovem desconfortável com a exposição pública, estudou na Califórnia, cultivou a paixão pelo surfe e protagonizou um casamento que desafiou as convenções da realeza — polêmica, sua esposa, Mette-Marit Tjessem Høiby, foi envolvida no caso Epstein. Aos 53 anos, o até então príncipe herdeiro assumiu o trono da Noruega após a morte do pai, o rei Harald V, nesta sexta-feira (28/8).
Agora chamado de Haakon VIII, o novo monarca nasceu em 1973 e se tornou príncipe herdeiro em 1991. Em sua autobiografia, admitiu que demorou para aceitar plenamente o destino que o aguardava. A imprensa internacional chegou a defini-lo como um “príncipe relutante”, devido ao incômodo que demonstrava com as cobranças e a atenção recebida desde cedo.
Desafios para o novo reinado
Haakon VIII inicia o reinado em um momento delicado. A família enfrenta, por exemplo, a repercussão dos antigos contatos de Mette-Marit com Jeffrey Epstein. A nova rainha pediu desculpas pela relação mantida com o falecido empresário depois da primeira condenação dele.
Conforme a Reuters, documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelaram uma extensa troca de mensagens entre ela e Jeffrey Epstein mesmo após o financista ser condenado, em 2008, por crimes sexuais contra menores. A nova rainha reconheceu ter demonstrado “falta de julgamento”, pediu desculpas à família real e afirmou posteriormente que foi manipulada por Epstein. Ela não é acusada de participação nos crimes cometidos por ele.
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Outro abalo veio de Marius Borg Høiby, filho de Mette-Marit e enteado de Haakon. Sem título ou funções reais, ele foi condenado, em junho, a quatro anos de prisão por dois estupros, agressão e abuso em uma relação íntima, conforme a Associated Press.
A família ainda enfrentou controvérsias envolvendo Märtha Louise, irmã do rei, que abandonou as funções oficiais em 2022 e se casou com Durek Verrett, norte-americano que se apresenta como xamã. Em meio aos escândalos, uma pesquisa citada pela Reuters mostrou que o apoio à monarquia caiu de 72% para 61% em um ano.

Mette-Marit também enfrenta problemas de saúde e passou recentemente por um transplante de pulmão. Haakon, que defendeu publicamente a esposa durante as controvérsias, terá o desafio de preservar a confiança dos noruegueses e conduzir uma renovação da monarquia.
Conforme divulgado pela Reuters, ao assumir o cargo, o novo rei manteve o lema usado pelo pai e pelo avô: “Alt for Norge”, ou “Tudo pela Noruega”. Em uma monarquia constitucional, o soberano não governa diretamente, mas exerce uma importante função simbólica de representação e unidade nacional.
Casamento rompeu convenções
De acordo com informações da Reuters, em 2001, Haakon se casou com Mette-Marit Tjessem Høiby, uma mulher sem títulos da realeza e mãe solo. A união provocou resistência em parte da sociedade norueguesa, mas o casal permaneceu junto e construiu uma das famílias reais mais modernas da Europa.
Haakon e Mette-Marit têm dois filhos: Ingrid Alexandra, de 22 anos, e Sverre Magnus, de 20. Com a mudança no trono, Mette-Marit tornou-se rainha, enquanto Ingrid Alexandra passou a ocupar o primeiro lugar na linha de sucessão.
O rei também é padrasto de Marius Borg Høiby, filho de uma relação anterior de Mette-Marit. Embora não seja integrante oficial da Casa Real, Marius tornou-se o centro de um processo criminal que abalou a imagem da família.
Formação fora da realeza
Segundo a Reuters, Haakon cursou Ciências Políticas na Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, e estudou desenvolvimento internacional na London School of Economics, no Reino Unido. A experiência fora da Noruega permitiu que levasse uma rotina relativamente distante dos protocolos do palácio.
Ao longo dos últimos anos, porém, assumiu cada vez mais responsabilidades. Haakon representou o pai em compromissos oficiais e exerceu a regência em diferentes ocasiões durante os afastamentos de Harald V por problemas de saúde.

O novo rei também atua como embaixador da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) desde 2003. A função o aproximou de temas como combate à pobreza, desenvolvimento humano e igualdade de oportunidades.
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