
Claudia MeirelesColunas

Endócrino revela quantos passos por dia são necessários para emagrecer
Endocrinologista explica o impacto real da caminhada na perda de peso e revela quantos passos são necessários para promover o emagrecimento
atualizado
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A ideia de que caminhar diariamente pode ser suficiente para emagrecer voltou a ganhar destaque nas discussões sobre saúde e bem-estar, impulsionando dúvidas sobre quanto tempo e quantos passos seriam realmente necessários para promover a perda de peso. Embora a proposta pareça simples — andar mais para pesar menos —, especialistas alertam que o processo é mais complexo do que apenas atingir uma meta diária registrada no relógio ou em aplicativos de monitoramento físico.
Considerada uma das atividades físicas mais democráticas e acessíveis, a caminhada apresenta benefícios amplamente comprovados para o sistema cardiovascular, controle glicêmico, saúde mental e longevidade. No entanto, quando o objetivo é redução de gordura corporal, fatores como alimentação, intensidade do exercício e constância ao longo do tempo tornam-se determinantes.

Segundo a endocrinologista Anna Karina Medeiros, a caminhada deve ser entendida como parte de uma estratégia metabólica mais ampla.
“A caminhada por si só não é geralmente suficiente para a perda de peso. Ela auxilia, sim, mas o principal fator para emagrecer continua sendo manter uma dieta com restrição calórica adequada.”
Isso ocorre porque o emagrecimento depende diretamente do chamado déficit energético, quando o organismo gasta mais calorias do que consome. A atividade física contribui para aumentar esse gasto, mas dificilmente compensa excessos alimentares isoladamente.
O mito do número mágico de passos
Nos últimos anos, a meta de passos diários tornou-se um dos principais indicadores de estilo de vida saudável. Ainda assim, a especialista explica que não existe um valor universal capaz de garantir emagrecimento.
“Não existe um número mínimo definido. Além da quantidade de passos, a intensidade e o padrão do movimento também influenciam muito nos resultados.”
Estudos populacionais mostram que a partir de cerca de 7 mil passos por dia já é possível observar benefícios relevantes, incluindo melhora do peso corporal, da pressão arterial e da saúde metabólica.
O importante, segundo a médica, é compreender que o impacto ocorre de forma progressiva: “Cada incremento no número de passos contribui para melhora da saúde e do peso corporal. O mais importante é aumentar gradualmente o nível de atividade física.”

Os 10 mil passos funcionam mesmo?
Popularizada inicialmente por campanhas de saúde e dispositivos eletrônicos, a meta dos 10 mil passos deixou de ser apenas simbólica e passou a ser respaldada por evidências científicas.
“Diversos estudos mostram que atingir ou superar 10 mil passos por dia está associado à redução de peso, diminuição da gordura corporal e melhora do risco cardiovascular. Mas o resultado depende da manutenção dessa rotina por vários meses.”
A constância, portanto, tende a ser mais relevante do que esforços intensos e pontuais.

Tempo total ainda é o principal fator
Apesar da crescente valorização de treinos curtos e intensos, a caminhada segue respondendo melhor ao aumento do volume semanal de atividade.
“Para perder peso, o aumento do tempo total de caminhada está diretamente associado a maiores reduções de peso, independentemente da intensidade prescrita.”
De acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde, adultos devem acumular pelo menos 300 minutos semanais de atividade física moderada quando o objetivo é potencializar o emagrecimento e reduzir riscos metabólicos.
Isso equivale, por exemplo, a cerca de 50 a 60 minutos de caminhada em cinco dias da semana.
Caminhar em jejum: estratégia ou risco?
A prática de exercícios aeróbicos em jejum tornou-se popular entre pessoas que buscam acelerar a queima de gordura. Embora existam estudos que apontem maior utilização de gordura como fonte energética nesse contexto, os resultados ainda são discutidos: “Alguns estudos sugerem aumento da oxidação de gordura, mas não está claro se isso traz vantagem real em relação ao exercício após alimentação.”
A endocrinologista reforça que o método não é indicado para todos.
“Há maior risco para idosos, diabéticos em uso de insulina, pessoas com baixo peso ou tendência à hipoglicemia.”

Inclinação, ritmo e terreno fazem diferença
Pequenas adaptações na caminhada podem aumentar significativamente o gasto energético.
“Subidas e inclinações elevam o esforço muscular e cardiopulmonar. Caminhar em ladeiras exige maior ativação dos músculos das pernas e pode ser especialmente benéfico para pessoas com obesidade.”
Alternar ritmos, inserir trechos mais rápidos ou variar o terreno são estratégias capazes de tornar o exercício metabolicamente mais eficiente sem necessariamente aumentar o tempo total.
Após os 40 anos: atenção à massa muscular
Com o avanço da idade, ocorre uma redução natural da massa muscular — processo conhecido como sarcopenia —, o que pode dificultar o emagrecimento.
“A estratégia não precisa ser diferente, mas pessoas acima dos 40 anos devem realizar avaliação médica antes de iniciar atividades moderadas ou intensas.”
Segundo a especialista, a caminhada isolada promove apenas ganhos musculares discretos, principalmente nos membros inferiores.
“O ideal é associar exercícios de resistência, como musculação, para preservar massa muscular e melhorar os resultados corporais.”
Quando os resultados começam a aparecer?
O tempo de resposta varia conforme fatores individuais, como metabolismo, alimentação e frequência da prática.
“Em geral, em cerca de oito semanas já podemos observar mudanças na composição corporal quando há regularidade.”
Ainda assim, a médica alerta que apostar exclusivamente em exercícios aeróbicos pode trazer consequências: “Existe risco de perda de massa muscular, principalmente quando a atividade é prolongada e não há ingestão adequada de proteínas.”
Como começar com segurança
Para quem está sedentário, o principal objetivo inicial deve ser criar consistência.
“Recomendamos iniciar de forma leve, respeitando limitações físicas, e aumentar progressivamente o tempo e a intensidade.”
A orientação final reforça que o emagrecimento sustentável depende de combinação entre movimento, alimentação e acompanhamento profissional: “Para perda de peso, o ideal é atingir cerca de 300 minutos semanais de atividade moderada, sempre após avaliação médica para garantir segurança.”
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