Claudia Meireles

Elon Musk provoca ao sugerir compra da Ryanair após troca de insultos

Briga de Musk com o CEO O’Leary sobre uso da Starlink vira espetáculo nas redes, levanta debate regulatório e é recebida com ceticismo

atualizado

metropoles.com

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Justin Sullivan/Getty Images
Elon-Musk
1 de 1 Elon-Musk - Foto: Justin Sullivan/Getty Images

Elon Musk voltou a agitar o noticiário global ao sugerir publicamente a compra da Ryanair, a maior companhia aérea de baixo custo da Europa. A provocação surgiu após uma escalada de ataques pessoais entre o bilionário e o CEO da empresa, Michael O’Leary, que rejeitou a adoção da internet via satélite Starlink nos aviões da companhia e chamou Musk de “idiota”. O episódio rapidamente saiu do campo técnico e se transformou em um embate de egos, marketing e poder, acompanhado em tempo real por milhões de usuários no X, o antigo Twitter.

A origem do conflito

A crise começou quando Michael O’Leary foi questionado, em entrevista à rádio irlandesa Newstalk, sobre a possibilidade de a Ryanair seguir a Lufthansa e a British Airways e instalar a tecnologia Starlink a bordo de seus aviões. O CEO descartou a ideia de forma categórica.

Segundo O’Leary, a instalação de antenas nos cerca de 650 aviões da frota provocaria aumento de arrasto aerodinâmico, elevando o consumo de combustível em cerca de 2%. O impacto, segundo ele, seria um custo adicional anual entre US$ 200 milhões e US$ 250 milhões — algo próximo de US$ 1 por passageiro transportado.

Passageiros não vão pagar para usar internet em um voo de uma hora. Se for gratuita, eles usam; se custar um euro, não usam”, afirmou o executivo, acrescentando que Musk “não sabe nada sobre aviação”.
Avião da Ryanair

Troca de ataques e tom pessoal

A resposta de Musk veio rapidamente no X. O bilionário afirmou que a avaliação de O’Leary era “mal informada”, dando início a uma sequência de ataques pessoais. Em poucos dias, ambos passaram a se chamar de “idiotas” publicamente, com Musk chegando a sugerir que o CEO da Ryanair deveria ser demitido.

A própria companhia aérea entrou na disputa. Conhecida por seu tom sarcástico nas redes sociais, a Ryanair ironizou uma recente instabilidade no X com a mensagem:

“Talvez você precise de Wi-Fi, @elonmusk?”

Em seguida, anunciou uma promoção chamada “idiot seat sale” (“assentos para idiotas”), direcionada explicitamente ao bilionário e a outros usuários da plataforma.

Musk respondeu chamando O’Leary de “chimpanzé insuportável” e afirmando que o executivo, por ser contador, não teria qualquer entendimento sobre como aviões voam.

A provocação bilionária

Na segunda-feira (19/1), Musk elevou ainda mais o tom ao publicar uma enquete no X perguntando se deveria comprar a Ryanair e “restaurar o Ryan como governante legítimo” — referência a Tony Ryan, cofundador da companhia, morto em 2007.

A postagem ultrapassou dezenas de milhões de visualizações e recebeu quase 900 mil votos em poucas horas, com mais de 75% dos participantes respondendo “sim”. Em outra publicação, Musk questionou diretamente a companhia:

“Quanto custaria comprar vocês?”.

A Ryanair é avaliada em cerca de €30 bilhões (aproximadamente R$ 190 bilhões) e deve ficar praticamente livre de dívidas nos próximos meses. Apesar disso, o mercado reagiu com frieza: as ações oscilaram pouco e chegaram a fechar em leve queda, sinalizando que investidores não acreditam em uma oferta concreta.

Michael O’Leary

Aquisição improvável

Mesmo com o histórico de Musk, que brincou publicamente sobre comprar o Twitter anos antes de fechar o negócio por US$ 44 bilhões, a situação da Ryanair é bem diferente.

Pelas regras da União Europeia, companhias aéreas sediadas no bloco precisam ser majoritariamente controladas por cidadãos ou empresas da União Europeia, além de Suíça, Noruega, Islândia ou Liechtenstein. Musk, nascido na África do Sul e atualmente cidadão norte-americano, não se enquadra nesses critérios.

A própria Ryanair já impôs restrições à participação de investidores de fora do bloco, especialmente após o Brexit, ainda que tenha flexibilizado parte dessas regras recentemente.

Ego, marketing e estratégia de exposição

Analistas veem o episódio menos como uma tentativa real de fusão ou aquisição e mais como um choque de estilos entre dois executivos conhecidos por declarações provocativas. Musk usa o X como principal ferramenta de comunicação e influência, enquanto O’Leary construiu a imagem da Ryanair com base em polêmicas calculadas e respostas agressivas a críticas.

O embate também reforça a importância estratégica das companhias aéreas para a Starlink, que já fechou parcerias com empresas como United Airlines, Qatar Airways e Lufthansa para oferecer Wi-Fi gratuito a bordo.

Muito barulho, pouco negócio

Por enquanto, a sugestão de compra da Ryanair parece mais um espetáculo público do que um movimento real de mercado. Entre provocações, memes e insultos, Musk mantém os holofotes voltados para si, enquanto a Ryanair transforma o conflito em publicidade.

O mercado, por sua vez, segue observando à distância, pouco convencido de que, desta vez, a provocação bilionária vá se transformar em negócio.

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