
Claudia MeirelesColunas

Diversidade ganha espaço na passarela no 3º dia do Metrópoles Catwalk
3º dia do Metrópoles Catwalk reforçou a moda como espaço de expressão, representatividade e pertencimento na passarela, bastidores e plateia
atualizado
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Mais do que apresentar coleções, o terceiro dia do Metrópoles Catwalk também chamou atenção por outro aspecto: a diversidade que atravessou a passarela, os bastidores e a própria plateia do evento. Em uma noite marcada por diferentes linguagens criativas e identidades, o encontro no foyer Teatro Nacional Claudio Santoro reforçou a moda como espaço de expressão, ocupação e visibilidade.
Um dos momentos mais simbólicos da programação aconteceu logo na abertura do primeiro bloco, com a presença da multiartista Valéria Barcellos na passarela. Atriz, cantora, escritora, DJ e performer, Valéria participou do desfile da marca Virginia Barros como musa e reforçou a potência política e simbólica de ocupar esse espaço.
“Uma mulher preta trans entrando para abrir o evento de hoje, ao som de Elza Soares, falando sobre moda e sustentabilidade, abrindo caminhos pra outras pessoas… Esse lugar é nosso”, disse.

Com trajetória marcada pela defesa da visibilidade trans e negra, a artista também definiu o momento atual como uma etapa de consolidação e avanço: “Estamos em um outro lugar: de crescimento, de expressão e de alicerce. Já existe uma base construída e, agora, estamos começando a erguer as paredes”, afirmou. “Não vamos retroceder. Só vamos para a frente”, concluiu
Representatividade que reverbera
Na plateia, a presença de Valéria também foi percebida como um gesto importante por quem acompanha de perto a moda e seus debates. Para os estudantes Caroline Tonietto e Joatan Sant, do curso de design de moda do Iesb, ver uma mulher trans abrindo um desfile em um evento desse porte tem impacto direto sobre a forma como a moda se projeta em Brasília.

“Eu acho isso muito incrível. Eu venho da cultura ballroom, ter uma pessoa travesti desfilando em um evento tão magnífico como esse é bastante importante. Precisamos ocupar ainda mais esses espaços”, afirmou Joatan.
Caroline, por sua vez, chamou atenção para a necessidade de o setor ampliar também o olhar sobre criação e vestibilidade.
“A moda precisa voltar um pouco mais o olhar para essas pessoas, principalmente quando estão em processo de transição, porque ainda existe dificuldade de encontrar peças que se encaixem e representem essas vivências”, observou.


Diversidade também nos bastidores
A discussão também apareceu fora da passarela. A maquiadora Orianna Silva, de 29 anos, que integra a equipe de beleza do evento, destacou que ver mais pessoas diversas ocupando diferentes funções dentro da moda é um sinal importante de transformação.
“Eu vi que tem uma diversidade no elenco das modelos e também no público. Precisamos ter mais pessoas diversas! E acredito que estamos no caminho”, afirmou.
Orianna também falou sobre o impacto pessoal de ver essa representatividade em cena.
“Me vejo através disso. Tenho muita vontade de ser modelo, eu olho para ela na passarela e me vejo lá também”, contou.

Ao reunir diferentes corpos, trajetórias e perspectivas, o Metrópoles Catwalk ajuda a reforçar que a moda contemporânea não se resume à estética. Ela também fala de pertencimento, de espaço e de quem pode, e deve, ser visto.
Programação segue até sexta-feira
A segunda edição do Metrópoles Catwalk começou na última segunda-feira (6/4) e segue até sexta-feira (10/4), com atividades às 19h e às 20h no foyer da Sala Villa-Lobos, além de transmissão ao vivo pelo YouTube do Metrópoles.
A programação é gratuita e aberta ao público no Teatro Nacional Claudio Santoro. Os ingressos podem ser retirados por meio do site da Bilheteria Digital.
Realizado pelo Sol Nascente Associação Cultural e Metrópoles Produções, o evento conta com o fomento da Secretaria de Turismo do DF e com o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF.
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