
Claudia MeirelesColunas

Conheça vigarista “gato” da arte que liderou esquema de R$ 415 milhões
Inigo Philbrick foi condenado a 7 anos de prisão. O motivo dele ficar atrás das grades? Comandar um esquema de fraude milionário
atualizado
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Dono de um “bom olho”, sabia como ninguém sobre determinados artistas e poderia muito bem um prodígio negociador de obras de arte. Com essas palavras o portal ARTNews descreveu Inigo Philbrick. Apelidado pela imprensa de mini Madoff [líder da maior pirâmide financeira do mundo], o britânico de 34 anos foi condenado a 7 anos de prisão pela Justiça norte-americana. O motivo dele ficar atrás das grades? Comandar um esquema de fraude avaliado em US$ 86 milhões, o equivalente a R$ 415,49 milhões.
Na ficha criminal consta que Philbrick “deturpou” obras de artes famosas, como Umidade, de Jean-Michel Basquiat feita em 1982. Ele vendeu ações fracionárias para vários proprietários de um retrato de estilo fotorrealista de Pablo Picasso, elaborado por Rudolf Stingel em 2012. Ao ser questionado pelo juiz Sidney H Stein sobre o motivo de ter cometido os crimes, o britânico respondeu: “Pelo dinheiro, meritíssimo”. O trapaceiro chegou a falsificar documentos para inflar os valores das peças.

“Inigo Philbrick expandiu seu negócio de arte supostamente bem-sucedido garantindo e revendendo ações fracionárias de arte contemporânea de alto valor. Infelizmente, seu sucesso foi construído em mentiras descaradas, incluindo interesses de propriedade ocultos, documentos falsos e até a identidade de um colecionador inventada”, reforçou Damian Williams, procurador dos Estados Unidos, em um comunicado.
Pega ladrão
Conforme publicou o portal The Guardian, um credor notificou oficialmente Philbrick por inadimplência em um empréstimo de US$ 14 milhões, isto é, R$ 67,35 milhões. O episódio ocorreu em 2019. À época, vários investidores entraram com ações civis. Com o cerco se fechando, o “negociador” de arte fugiu para Vanuatu, uma ilha remota no Oceano Pacífico, mas não teve jeito. A Justiça encontrou e prendeu o britânico em 2020. O esquema fraudulento durou de 2016 até 2019.
Em novembro, o criminoso se declarou “culpado” diante do juiz Stein por uma acusação de fraude eletrônica. Ao magistrado, Philbrick fez a seguinte alegação: “Eu sabia que as minhas ações eram erradas e ilegais”. Sob os temos do acordo de confissão, os promotores federais decidiram que ele cumpra a sentença de 121 a 151 meses. O The New York Times escreveu em um artigo que o “vigarista em série” afirmou: “Peço desculpas sem reservas ou restrições”. O trapaceiro definiu o próprio comportamento como “ultrajante e imperdoável”.

Lábia
Para atrair as vítimas, Inigo Philbrick usou e abusou do charme. Na rol de quem caiu no golpe está o artista, escritor e acadêmico Kenny Schachter. Ele perdeu a bagatela de US$ 1,5 milhão, o mesmo que R$ 7,2 milhões. “Ele desviou meus fundos, minha arte, como fez com muitas pessoas”, lamentou em entrevista ao The Guardian. Além do dinheiro, o professor sofre por ter mantido uma forte amizade com o criminoso. A dupla passou férias lado a lado. Ao lembrar dos bons momentos, o autor descreve o “colega” como “afiado, divertido e engraçado”.
“Negociante de arte muito talentoso”, caracterizou Schachter a respeito de Philbrick.
Kenny Schachter quem batizou o golpista de mini Madoff, considerado o vigarista do esquema Ponzi mais notório da América. “Bernie Madoff morreu na prisão, tendo roubado milhares de vítimas em todo o mundo em bilhões de doláres”, frisou o The Guardian em um artigo sobre criminoso. No título da reportagem, o jornal colocou uma aspa do artista e acadêmico: “‘Ele sabotou toda a sua vida por ganância’: a ascensão e queda de US$ 86 milhões de Inigo Philbrick”.

Outro lado
O The Guardian teve acesso a uma carta de Jeffrey Lichtman, advogado do “vigarista em série”. Na mensagem enviada ao juiz Stein, ele reconhece as fraudes e afirma que o cliente sofre com problemas de vício em álcool e drogas desde a escola. “[…] se intensificou à medida que ele entrou no mundo da arte em Londres”. Por conta da aparência, o golpista foi comparado ao cantor Justin Timberlake.
Philbrick nasceu na Inglaterra, entretanto, foi criado em Connecticut, nos Estados Unidos, segundo apuração do The Guardian: “Filho de um respeitado ex-diretor de museu, escritor e artista formado em Harvard, que se divorciou quando era adolescente, devastando a família financeira e emocionalmente, de acordo com documentos judiciais”. O britânico de 34 anos estudou na Goldsmiths, Universidade de Londres.
Trazendo uma instituição renomada no currículo, Inigo Philbrick conseguiu um estágio em 2010 na galeria White Cube, em Londres. “Afiado”, ele logo subiu de cargo e se tornou o chefe de vendas do mercado secundário. Não parou por aí. Em 2013, o negociador fundou a própria galeria de arte contemporânea no bairro de Mayfair. Ao apresentar um faturamento de US$ 130 milhões, o empresário resolveu abrir uma filial em Miami, na Flórida.

Puro luxo
A vida no crime financiou a rotina de luxo e ostentação de Inigo Philbrick. Ele desfrutou de viagens em aviões particulares e degustou os melhores vinhos do mundo, sendo uma das garrafas valendo 5 mil libras, ou seja, R$ 30 mil. No quesito coração, o golpista não está sozinho. Antes de preso, o britânico noivou com Victoria Baker-Harber, estrela do reality-show Made in Chelsea. Do romance, a artista teve uma filha, Gaia Grace.
Como Victoria deu à luz Gaia quando Philbrick aguardava o julgamento, pai e filha nunca se encontraram. “Mal posso esperar pelo dia em que terei minha pequena família de volta”, disse a influencer em participação em um programa da emissora Channel 4. Ela contou que irá apoiar o parceiro apesar da condenação de 20 anos de prisão pelo bem da criança que tiveram juntos. O romance dos dois começou em 2017.

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