
Claudia MeirelesColunas

Conheça o Doce d’Alice, iguaria dos restaurantes finos de Brasília
O produto é produzido artesanalmente por Luci Maeda, em uma fazenda a 30 km da capital
atualizado
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Por toda a vida, a mineira Luci Maeda foi professora. Em 2014, incentivada pelos filhos, começou a produzir o Doce d’Alice, doce de leite que é uma homenagem à sua mãe. Hoje, estabelecimentos de alto nível, como Universal Diner, Grand Cru, Nakombi e o restaurante Rústico, em São Jorge (GO), encomendam a delícia para servir aos clientes.
Nascida e criada em Sacramento (MG), Luci relembra que sua mãe, Alice, adorava cozinhar, prática herdada pela filha. “Ela sempre gostou muito e fazia muitos doces, para durar o ano todo, principalmente o de goiaba. Não fomos criados no luxo, mas tinha fartura”, recorda. As criações de Alice faziam sucesso, e a família manteve a tradição de produzir gostosuras.
Em 1986, Luci se mudou para Brasília. Por ter sido criada na fazenda, ela sentia falta do ambiente rural. Antes de falecer em um acidente de carro, em 2007, o marido, Mitsuo Maeda, resolveu comprar uma propriedade de 5 alqueires a 30 km da capital: a estância Maeda. “Eu sentia muita falta da fazenda, mas meu marido não gostava muito. Depois que ele faleceu, comecei a reflorestar a propriedade e tinha vontade de criar gado”, conta.
Em uma visita à sogra do irmão, em 2013, ela conheceu a raça de gado Jersey, conhecida por ser dócil e pela alta qualidade do leite. “Me apaixonei quando vi. Estudei e quis comprar. Queria fazer uma fazendinha para os netos, para eles terem contato com os animais. A família me ajudou a comprar dois. Depois disso, reformei a fazenda e fiz um pasto”, explica Luci.
Em 2014, por conta da grande produção de leite, a fazendeira começou a aproveitar o material e a fazer doces, distribuindo-os para a família. “Meus filhos que deram a ideia de vender. Eles são fãs, acreditam muito. Então, comecei a desenvolver. Todo mundo era fiscal do doce, ficavam criticando e dando sugestões. Fiz vários testes até ficar satisfeita com o produto.”
Por ter aprendido a fazer doces com a mãe, resolveu homenageá-la ao nomear a iguaria. O produto ficou conhecido a partir de degustações promovidas pela família e hoje conta no cardápio de estabelecimentos premium. Hoje, além do doce, Luci também faz manteiga. Ela cuida de todo o processo de fabricação.
O caseiro Pepeu a auxilia no gerenciamento da fazenda e o filho Ricardo, nos negócios. “Hoje, a propriedade é toda sustentável. Fazemos tudo de forma artesanal e manual, com total reaproveitamento. Aqui não tem acúmulo, e nossa produção consegue ser alta. Em 5 horas, é possível produzir 19 kg de doce”, revela.

Apesar do gosto por fazer doces, a fazenda funciona quase como uma terapia para Luci. “Tenho um amor por esse lugar. Às vezes estou para baixo, mas quando chego aqui já me sinto melhor.”




















