
Claudia MeirelesColunas

Conheça a trajetória e saiba como ajudar a Escola Maria Teixeira
A escola busca meios de continuar atendendo 280 alunos, o que inclui bebês, idosos e crianças com atraso de desenvolvimento psicomotor
atualizado
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“Uma escola diferente, que já nasceu para todos e começou desde o primeiro dia inclusiva”. Essas são as palavras usadas por Silvana Vasconcelos para definir a Escola Maria Teixeira. Ela é a diretora voluntária da instituição de ensino, fixada na área rural da cidade goiana de Luziânia. O centro educacional completou 28 anos no último dia 7. Tendo uma trajetória pautada na ética do amor, o colégio busca meios de continuar atendendo 280 alunos, o que inclui bebês, idosos e crianças com atraso de desenvolvimento psicomotor.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Silvana destaca que o trabalho desenvolvido para os alunos e seus familiares é totalmente gratuito. Embora veja a escola como “segundo maior presente” da vida, a diretora avalia a responsabilidade como grande desafio há 28 anos. Como em grande parte das gestões, existem dificuldades, como o lado financeiro. “Este mês, nós estamos em busca de recursos para fechar os compromissos e gastos”, revela.


Uma forma encontrada pelos gestores é captar colaboradores para a campanha Padrinho Amor. “Pessoas que apadrinham a causa e podem contribuir com o valor que quiserem. Eles nos ajudam a manter todo o trabalho”, frisa Silvana. Bazares e eventos beneficentes também são comuns na agenda da instituição a fim de arrecadar fundos para pagar os custos. A gestora recorda que há cinco anos se viu na situação de não saber a quem recorrer.
Fábrica
No momento de apuro, eis que surgiu a seguinte ideia: “Montamos uma fábrica industrial de pão de queijo”. De acordo com a diretora, o projeto tem vários objetivos, por exemplo, manter os gastos da instituição de ensino e ajudar o desenvolvimento local com a geração de emprego e renda para os familiares dos alunos e ex-alunos. Até então, os propósitos não foram alcançados por completo: “Trabalhamos para isso, porém, ainda não conseguimos”.

A fábrica de pão de queijo da Escola Maria Teixeira contratou cinco ex-alunos. No espaço, produzem pães e biscoitos de queijo. Há também a linha vegana. As delícias são feitas à base de batata doce, sendo indicadas a quem adotou o estilo alimentar ou tem intolerância à lactose ou ao glúten. “Estamos em um momento de divulgar o nosso produto que, por sinal, é muito gostoso. Nossa capacidade de produção é de duas toneladas por dia”, esclarece.
“Para continuar essa obra, precisamos divulgar a fábrica. Queremos a autossustentação da escola para que possa gerar trabalho a mais pessoas, atender mais crianças, ou seja, todo mundo que precisar daqui. Temos a campanha Padrinho Amor, mas o nosso sonho é que a fábrica se torne a nossa grande madrinha”, argumenta Silvana Vasconcelos, com grande ânimo. (Veja como ajudar ou comprar no fim da reportagem).

Trajetória
Em 28 anos de história, mais de 4 mil atendimentos foram realizados na instituição. Silvana contou que a escola surgiu da iniciativa de amigos que frequentavam a chácara do irmão da diretora, Valdemar de Vasconcelos. Diante da necessidade da comunidade rural, o grupo se viu na missão de criar algo para sanar a carência e impactar a vida dos moradores. “Por ser zona rural, não existiam colégios nas proximidades”, explica.
Com a união de forças, criaram a Escola Maria Teixeira, batizada com o nome da mãe de Silvana: “Ela foi uma grande educadora e, à época da inauguração, já tinha falecido. Deixou um grande legado de educação para amigos e filhos”. Tendo o espaço ganhado estrutura, os fundadores foram às propriedades nas proximidades à procura de possíveis estudantes. Ao fazerem o convite, diziam: “Podem ir alunos de todas as idades. Não tem problema”.


“Em 7 de fevereiro de 1994, nós recebemos os primeiros 26 alunos que estavam nas redondezas, inclusive o primeiro aluno da educação especial, o Paulo Sérgio. Ele se encontrava em uma chácara em situação de isolamento. Os pais dele não sabiam que existia a escola”, enfatiza a diretora voluntária. Segundo Silvana, a falta de recursos impede o atendimento a mais alunos.
A Escola Maria Teixeira integra a educação especial, precoce, crianças com atraso de desenvolvimento psicomotor e bebês com deficiência que precisam ser estimulados. “Atendemos a partir dos dois meses na educação precoce até jovens e adultos”, garante a diretora. Como a missão de oferecer ensino a todas as faixas etárias, pais, avós, bisavós e tataravós com vontade de estudar são muito bem-vindos.
Atividades
Para poder desfrutar das atividades oferecidas pela escola, há um cadastro a ser preenchido. Como de praxe, os gestores definem um dia de inscrição normalmente no final do ano. Quem se registrou é chamado a depender das possibilidades de atendimento, conforme revela Silvana. De acordo com a diretora, há procura durante todo o ano e, por isso, se forma uma grande lista de espera.
Crianças, adolescentes e adultos estão aguardando para estudar na Escola Maria Teixeira. Quem consegue ingressar terá disponível além do ensino, atendimento médico, odontológico, psicológico, terapêutico, entre outros. Ao todo, a instituição dispõe de 25 professores contratados. Já os profissionais de saúde atuam como voluntários, sendo que alguns deles viajam grandes distâncias a fim de prestar a expertise.

“Tem os médicos e dentistas voluntários. Os psicólogos vêm de fora, do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, tem uma médica de lá também. O grupo da educação precoce é todo voluntário. Eles fazem atendimentos esporádicos na escola”, endossa. Filantrópica e totalmente gratuita, a instituição Maria Teixeira entrega cestas básicas às famílias dos alunos.


Projetos
No projeto Cuidar de quem cuida, os pais dos alunos desfrutam do atendimento médico, odontológico e terapêutico concedido por profissionais voluntários. Conforme ressaltou Silvana de Vasconcelos, a Escola Maria Teixeira ao abrir as portas se tornou “a primeira instituição inclusiva do Brasil em zona rural”, segundo o Ministério da Educação (MEC). A instituição de ensino chegou a servir de objeto de estudo para educadores de outros estados e até de países.
“Profissionais de fora que nos visitam falam que a proposta educacional da Escola Maria Teixeira é única no quesito inclusão. Digo com o que me informam. Uma escola com todo mundo no mesmo espaço e com a filosofia de ensino pautada no respeito às diferenças. Não vemos isso como problema, mas sim como uma riqueza humana”, assegura Silvana, diretora voluntária e professora aposentada do GDF.


Sustentabilidade
Uma das disciplinas ensinadas aos alunos é respeito à natureza. Na matéria, os estudantes aprendem práticas sustentáveis, além de saber como usufruir e contribuir com o meio ambiente. Para fazer uma integração completa, as salas de estudo trazem como nome de batismo um elemento da natureza. Nas aulas, os professores mostram o passo a passo de como plantar, reciclar e cuidar dos animais.
Na avaliação de Silvana, uma das maiores preocupações da Escola Maria Teixeira é formar o ser humano para viver em harmonia no mesmo ambiente e ajudando uns aos outros. “São 28 anos dessa pedagogia do amor. Aprendemos e ensinamos as crianças a plantar e a colher o maior dos sentimentos”, finaliza a diretora voluntária.

Escola Maria Teixeira
Endereço: Rua J. Meirelles, chácara 24, Jardim Gadiópolis — Luziânia (GO)
Telefones: (61) 98144-3406 ou (61) 99261-0540
E-mail: contato@escolamariateixeira.com
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