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Como os signos influenciam sua personalidade, segundo a psicologia
A coluna conversou com um psicólogo para entender se os signos realmente impactam na personalidade das pessoas
atualizado
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Áries é bravo. Câncer é chamado de sensível. Escorpião tem fama de manipulador. Já Sagitário é daquelas pessoas livres demais. As descrições populares dos signos do zodíaco vira e mexe se tornam pauta de conversas, geram memes e, por vezes, são vistas como desculpa para o jeitinho de alguém. Mas será que os astros realmente influenciam na personalidade das pessoas?
Para responder à questão, a coluna Claudia Meireles conversou com o psicólogo clínico comportamental Jaime Pinheiro Rabelo. De acordo com ele, a ideia de justificar ações, vícios de comportamento e até falhas de caráter por conta do mapa astral pode, na verdade, estar mascarando algo ainda mais profundo.

“O problema é quando se terceiriza a responsabilidade. Quando alguém diz ‘sou ciumento porque sou de Escorpião’, ela está desviando a causalidade. Isso atrasa o processo de mudança pessoal. A maior perda é essa”, alerta o psicólogo.
Apesar disso, ele reconhece o valor simbólico e reflexivo da prática. Para o especialista, o fascínio pelos signos está, muitas vezes, atrelado à busca por sentido e pertencimento. “Ela entra como um sistema de crenças. E, como tal, envolve história, cultura e identidade. Muitas vezes, ajuda a evocar reflexões e a promover autoconhecimento“, comenta.

Então, sim, para o expert, a astrologia pode ter influência sobre o nosso comportamento, tanto quanto qualquer outro aspecto histórico-cultural. “Mas se pensarmos a nível de funcionamento da psique, definitivamente não. Ela diz respeito à questão dos arquétipos e estereótipos”, pontua Rabelo.
Signos não são ciência!
Do ponto de vista da psicologia enquanto ciência, Jayme Pinheiro é categórico. “Não há aplicação técnica validada cientificamente que envolva signos. Mas, como manifestação subjetiva do indivíduo, sim — há espaço para escuta, para compreender por que aquele tema importa para a pessoa”, ressalta.
O limite saudável do uso da astrologia, segundo Rabelo, está no impacto que ela causa na vida do indivíduo e no coletivo. “Quando uma crença, qualquer que seja, limita a pessoa ou impede o diálogo com o mundo ao redor, aí temos um dano. E ele pode ser sutil ou perigoso. É necessário autocrítica para reconhecer esses sinais”, conclui.
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