
Claudia MeirelesColunas

Caso Epstein: e-mails mostram como financista via ex-príncipe Andrew
E-mails e depoimentos recentes revelam piadas internas sobre dívidas de Sarah Ferguson e comentários perturbadores de Epstein sobre Andrew
atualizado
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Novos documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein voltaram a colocar a família real britânica no centro de um dos escândalos mais delicados das últimas décadas. As revelações trazem à tona não apenas conexões já conhecidas, mas também bastidores considerados constrangedores. E-mails e trocas privadas divulgados recentemente lançam luz sobre a relação do príncipe Andrew e Sarah Ferguson com o financista, incluindo episódios que envolvem até mesmo suas filhas.

Fotos das princesas enviadas a Epstein
Entre os registros mais sensíveis estão e-mails de 2010 e 2011 que indicam que Andrew enviou fotos pessoais das filhas, as princesas Beatrice e Eugenie, diretamente a Epstein.
As imagens mostravam as jovens em atividades cotidianas, como escaladas em montanha e eventos beneficentes, e teriam sido compartilhadas anos depois da condenação de Epstein, em 2008, por crimes sexuais envolvendo menores.
Epstein via Andrew como família
Outro ponto que chama atenção nas revelações é a forma como Epstein enxergava sua relação com o príncipe.
Segundo o relato de uma vítima do financista, ele chegou a brincar que gostaria de “adotar” Andrew para sua família, afirmando que o duque se encaixava muito bem naquele ambiente.
A declaração teria sido feita durante encontros na casa de Jeffrey, em Nova York, onde Andrew circulava com naturalidade, em um contexto descrito como informal e com presença de jovens mulheres.
Embora dita em tom de “piada”, a fala é interpretada como um indicativo do grau de proximidade entre os dois — sugerindo que Epstein considerava o príncipe como parte de seu círculo íntimo.
Dívidas de Ferguson geram piadas internas
Os arquivos também revelam o tom com que a situação financeira de Sarah Ferguson era tratada dentro do círculo do financista.
Em uma troca de mensagens, um amigo de Epstein enviou a ele uma manchete com a frase: “Andrew vendeu as filhas para pagar as dívidas de Fergie”, satirizando a situação. Na sequência, o remetente afirmou ter rido de forma incontrolável com o conteúdo, descrevendo a história como “a melhor até agora”.
O episódio evidencia como a crise financeira da duquesa e a situação familiar eram tratadas como motivo de diversão e piadas entre o ciclo de Epstein.

Apoio financeiro e mensagens controversas
As revelações reforçam que Ferguson manteve, por anos, uma relação de dependência financeira com Epstein. Documentos indicam que ele teria ajudado a cobrir dívidas da duquesa ao longo de mais de uma década.
Em uma das mensagens, ela aparece enviando elogios efusivos ao financista e chegando a escrever “apenas se case comigo”, apesar de Epstein já ter sido condenado por solicitar prostituição de menor.
Há também referências a conversas pessoais envolvendo suas filhas, incluindo menções a episódios da vida da princesa Eugenie ainda jovem, o que amplia o desconforto em torno da proximidade. Além disso, Ferguson teria apresentado sua afilhada a Epstein logo após a saída dele da prisão.

Andrew, dívidas e proximidade contínua
Os documentos também mostram que Andrew recorreu diretamente a Epstein para resolver os problemas financeiros da ex-esposa. Em e-mails, o duque aparece discutindo o pagamento das dívidas de Ferguson e mantendo um tom próximo com o financista. Em uma das mensagens, ele escreve: “Parece que estamos nisso juntos”, sugerindo uma relação de colaboração.
Em outro trecho, Andrew afirmou que eles “iriam se divertir mais em breve”, mesmo após a condenação de Epstein.
Essas trocas ajudam a contextualizar o famoso registro fotográfico de dezembro de 2010, quando Andrew foi visto caminhando com Epstein no Central Park — episódio que se tornou símbolo da polêmica.

Contradições e tentativa de distanciamento
Publicamente, Sarah Ferguson concedeu entrevista onde classificou a ajuda financeira recebida como um “erro gigantesco de julgamento” e reconheceu Epstein como criminoso sexual. Na ocasião, afirmou “repudiar a pedofilia e qualquer abuso sexual infantil”.
No entanto, documentos indicam que, nos bastidores, ela teria recuado em algumas dessas declarações, tentando minimizar a gravidade das acusações ao se comunicar diretamente com ele.
Dias depois, um e-mail enviado por Ferguson a James Henderson, empresário do setor de relações públicas, e copiado para o Epstein a detalha uma articulação para gerenciar os desdobramentos da entrevista. Na mensagem, ela relata que seria importante retornar ao jornalista para garantir que ele não tratasse Epstein como um pedófilo.

Impacto e desgaste contínuo
As novas revelações não apresentam acusações criminais inéditas, porém, ampliam significativamente o entendimento sobre o nível de proximidade entre o casal e o financista, especialmente após sua condenação.
O envolvimento indireto das princesas e o teor das conversas privadas reforçam o impacto reputacional duradouro para a família real britânica, que segue lidando com as consequências públicas do caso.
A cada nova divulgação de documentos, o caso Epstein ganha novos contornos, expondo relações, dependências financeiras e interações que continuam a gerar questionamentos. Mesmo anos após sua morte, o legado do escândalo segue atingindo figuras de alto perfil e revelando bastidores delicados.
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