
Claudia MeirelesColunas

Brasil no gelo: conheça os atletas que brilham nos Jogos de Inverno
Superação, talento, coragem e estilo de vida se unem nos Jogos de Inverno 2026 em Milão, mostrando um Brasil que vai além do calor tropical
atualizado
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Poucos imaginariam, décadas atrás, que atletas brasileiros estariam entre os destaques dos Jogos Olímpicos de Inverno. Em Milão-Cortina 2026, porém, o país vive seu capítulo mais inspirador na neve e no gelo — não apenas por resultados históricos, mas pelas trajetórias de vida que transformaram sonhos improváveis em realidade.
Com a maior delegação brasileira já vista nos Jogos de Inverno, distribuída em cinco modalidades, o Brasil atravessa uma fase de virada cultural no esporte. Atletas vindos do atletismo, jovens formados em centros internacionais de neve, profissionais que conciliam treinos com outras carreiras e histórias de superação extrema agora dividem o mesmo cenário olímpico.
Mais do que competir, eles representam uma nova geração que amplia os horizontes do esporte brasileiro.
A lenda que se recusou a parar e o time que colocou o Brasil no mapa do gelo
Edson Bindilatti, aos 46 anos, transformou despedida em novo começo. Após anunciar aposentadoria em 2022, decidiu voltar para disputar sua sexta e última Olimpíada liderando o bobsled brasileiro. Hoje, é reconhecido como o maior nome dos esportes de inverno do país e símbolo de persistência.

Ao seu lado está Davidson “Boka” Souza, cuja história parece roteiro de filme. Ex-atleta de atletismo, com passagem pela seleção do Canadá, ele quase encerrou a carreira após um grave acidente em 2024, com múltiplas fraturas. Contra todas as previsões, voltou ao gelo, se classificou para os Jogos e ainda compôs o hino motivacional da equipe.
Completam o time Rafael Souza, veterano olímpico e um dos líderes da equipe brasileira, que acompanhou de perto a transformação do bobsled nacional, das fases mais improvisadas ao atual patamar competitivo.
Luís Bacca simboliza a força da reinvenção: após um período afastado do alto rendimento, retornou determinado e conquistou novamente sua vaga olímpica com disciplina e persistência. Já Gustavo Ferreira, o mais jovem do grupo, representa a renovação do esporte no país, chegando à Olimpíada com preparação moderna e rápida ascensão no cenário internacional.

O brasileiro que virou fenômeno mundial na neve
Lucas Pinheiro Braathen é um dos rostos mais conhecidos do esqui alpino internacional e compete pelo Brasil. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, ele trocou uma das maiores potências da modalidade para defender suas raízes.
Carismático e conectado à cultura brasileira, Lucas se tornou porta-bandeira do país na abertura dos Jogos e chega como um dos melhores do mundo em provas técnicas. Seus pódios recentes na Copa do Mundo colocaram o Brasil, pela primeira vez, no centro das atenções do esqui mundial.
Ao seu lado estão Christian Soevik e Giovanni Ongaro, jovens talentos que também trocaram federações europeias para representar o país, ampliando a presença brasileira entre a elite da neve.
Christian Soevik cresceu em centros europeus de esqui, com formação técnica de alto nível, mas escolheu defender o Brasil por suas raízes familiares. Jovem promessa, representa a nova fase do país nas pistas de neve. Giovanni Ongaro também construiu sua carreira na Europa antes de vestir o verde e amarelo. Ao optar pelo Brasil, conectou tradição esportiva à herança familiar, reforçando a presença brasileira entre os atletas competitivos do esqui alpino mundial.
No feminino, Alice Padilha, aos 18 anos, devolve o Brasil ao esqui alpino feminino após mais de uma década. Treinando nos Estados Unidos, ela simboliza uma nova geração que cresce sonhando com a neve sem perder suas raízes brasileiras.
Superação que emociona: os brasileiros que desafiaram o impossível
A estreia do Brasil em Milão-Cortina veio acompanhada de histórias de resistência.
Manex Silva, nascido no Acre e radicado na Espanha, conquistou o melhor resultado da história do país no esqui cross-country olímpico, colocando o Brasil entre os 50 melhores do mundo pela primeira vez na prova.

Eduarda Ribera chegou a Milão-Cortina 2026 após um ciclo completo de preparação internacional, muito diferente de sua estreia improvisada anos atrás. Com treinos intensos fora do Brasil, construiu uma rotina de alto rendimento que transformou o sonho olímpico em projeto de vida.

Bruna Moura protagonizou uma das histórias mais emocionantes da delegação. Após um grave acidente de carro que quase encerrou sua carreira, ela passou por meses de reabilitação e reconstrução física. Sua estreia olímpica simbolizou não apenas retorno ao esporte, como uma vitória pessoal sobre as adversidades.

Da enfermagem ao pódio: a brasileira que sonha com medalha inédita
Nicole Silveira é um dos nomes mais fortes do Brasil em toda a Olimpíada, não só nos esportes de inverno. Entre as cinco melhores atletas do mundo no skeleton, chega como candidata real a um pódio histórico.
Nascida no Rio Grande do Sul e radicada no Canadá, Nicole divide sua rotina entre treinos de altíssimo nível e plantões como enfermeira em Calgary. Porta-bandeira do Time Brasil, ela representa uma geração que une profissão, paixão e performance de elite.

Música, surfe e neve: o novo lifestyle do snowboard brasileiro
O halfpipe brasileiro também vive sua melhor fase. Pat Burgener, músico e snowboarder suíço naturalizado brasileiro, transformou o país em presença forte no ranking mundial. Top 10 da modalidade, ele usa a música como parte de sua preparação emocional antes das descidas.
Ao seu lado está Augustinho Teixeira, o Guga, que disputa sua segunda Olimpíada mais maduro e técnico. Surfista nas horas vagas, ele leva o equilíbrio das ondas para as montanhas de neve, criando um estilo próprio que mistura Brasil e esportes de inverno.

Quando o gelo deixa de ser limite e vira sonho
Milão-Cortina 2026 não é apenas mais uma edição olímpica para o Brasil, é um símbolo de transformação cultural. O país do sol, das praias e do futebol também constrói histórias na neve, no gelo e nas montanhas.
Entre despedidas emocionantes, jovens promessas, retornos improváveis e atletas que cruzaram continentes para seguir um sonho, o Time Brasil mostra que novos horizontes são possíveis — e que o esporte brasileiro já não cabe em uma única estação do ano.

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