As 7 trilhas mais remotas e deslumbrantes do mundo
Seleção reúne rotas de trilhas no Ártico, desertos e montanhas, mas algumas exigem atenção redobrada a permissões e alertas de segurança

Algumas viagens começam com uma passagem e uma mala. Outras exigem preparo físico, autorizações especiais e disposição para passar dias longe das cidades, muitas vezes até mesmo sem sinal de celular no meio das trilhas. Em troca, oferecem paisagens quase intocadas, silêncio e a sensação de alcançar lugares onde poucos turistas estiveram.
Uma seleção da Condé Nast Traveller reuniu sete das trilhas mais remotas e belas do planeta. Os caminhos cruzam geleiras, desertos, montanhas, ruínas milenares e territórios marcados pela presença de antigas civilizações.
Trilhas que transformam a caminhada em uma verdadeira expedição
Arctic Circle Trail, Groenlândia
Com aproximadamente 160 quilômetros, a trilha do Círculo Polar Ártico liga Kangerlussuaq a Sisimiut, entre a camada de gelo e o litoral da Groenlândia. O percurso atravessa tundras, montanhas e uma sucessão de lagos cristalinos, em uma região praticamente desabitada.
Parte da viagem passa por Aasivissuit–Nipisat, paisagem cultural reconhecida como Patrimônio Mundial. De acordo com a Unesco, o território preserva vestígios de práticas de caça e migrações sazonais realizadas por povos inuítes ao longo de milhares de anos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO isolamento, a falta de cobertura telefônica e a estrutura limitada exigem autonomia e planejamento rigoroso.

Península de Hornstrandir, Islândia
No extremo norte da Islândia, Hornstrandir não possui estradas. A chegada normalmente é feita de barco e, a partir daí, o viajante segue a pé por vales, montanhas, praias selvagens e paredões voltados para o oceano.
O circuito destacado pela Condé Nast Traveller tem cerca de 68 quilômetros e conecta Hesteyri a Kögur. Raposas-do-ártico, aves marinhas e pequenas construções isoladas completam o cenário. O Visit Iceland, guia oficial do país, recomenda excursões conduzidas por profissionais experientes e diz que os serviços de barco funcionam principalmente durante o verão.
Alto Mustang, Nepal
O Nepal vai muito além das rotas e trilhas em lugares mais conhecidos como Everest e Annapurna. Em o Alto Mustang, o caminho acompanha uma antiga rota comercial utilizada no transporte de sal e especiarias entre o Tibete e a Índia.
A paisagem árida do Himalaia esconde várias cavernas, mosteiros budistas e a cidade murada de Lo Manthang, fortemente influenciada pela cultura tibetana.
O Conselho de Turismo do Nepal explica que o Alto Mustang é uma área de acesso restrito, ou seja, os estrangeiros precisam de autorização especial e acompanhamento autorizado. Portanto, essa não é uma aventura para ser organizada de última hora.

Deserto de Lut, Irã
Dunas gigantescas, planícies de sal e formações esculpidas pelo vento fazem o Deserto de Lut parecer um lugar de outro planeta. A rota de trilha apresentada pela Condé Nast Traveller tem aproximadamente 193 quilômetros e é indicada apenas para caminhantes já com experiência.
A Unesco descreve a região como uma das áreas mais quentes do planeta. Algumas dunas chegam a 475 metros, enquanto os kaluts, que são enormes cristas formadas pela erosão, podem se estender por dezenas de quilômetros.

Apesar da beleza, o destino não deve ser tratado como uma recomendação de fácil acesso. Em setembro de 2026, devido às questões político-econômicas, o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido não orienta viagens ao Irã, devido aos riscos de segurança, detenção e interrupções no transporte.
Montanhas Simien, Etiópia
Picos, vales profundos e desfiladeiros transformam o Parque Nacional Simien em uma das paisagens mais impressionantes do continente africano. A região também abriga espécies ameaçadas, como o íbex-da-núbia, o babuíno-gelada e o lobo-etíope.
De acordo com a Unesco, milhões de anos de erosão criaram paredões com quedas de mais de mil metros. O parque é considerado Patrimônio Mundial desde 1978.

Atualmente, porém, é necessário acompanhar os alertas com atenção. O parque fica na região de Amhara, para a qual o governo britânico desaconselha viagens em razão dos conflitos e riscos de sequestro. A rota pode ser encarada como uma possível inspiração para uma viagem futura enquanto permanecerem as restrições.
Dientes de Navarino, Chile
No extremo sul da Patagônia chilena, Dientes de Navarino é conhecido como o circuito de trekking mais austral do mundo. De acordo com o Chile Travel, a caminhada de aproximadamente 48 quilômetros atravessa terrenos irregulares, florestas, lagos alpinos e montanhas de aparência afiada.
Segundo informações do Chile Travel, o percurso é classificado como um dos mais desafiadores da América do Sul. A recompensa inclui vistas do Canal de Beagle e do arquipélago do Cabo Horn. O circuito costuma levar de quatro a cinco dias e demanda preparo para mudanças bruscas no clima.

Lycian Way, Turquia
A Lycian Way, ou Rota Lícia, combina o azul do Mediterrâneo com ruínas de antigas civilizações. A trilha percorre mais de 500 quilômetros entre a região de Ölüdeniz e Antalya, passando por florestas, penhascos, praias e sítios arqueológicos.

Segundo o portal oficial GoTürkiye, a rota apresenta diferentes pontos de entrada e pode ser explorada em caminhadas curtas, passeios de um dia ou expedições mais longas. Essa flexibilidade faz dela uma das opções mais acessíveis da lista, embora alguns trechos continuem exigindo experiência e bom condicionamento.
Muito além do que apenas destinos para contemplar, essas trilhas mostram a essência do chamado turismo lento, que se refere ao caminhar sem pressa, reduzir as distrações e observar cada transformação da paisagem.
O isolamento, entretanto, também amplia os riscos. Antes de embarcar, é fundamental verificar alertas atualizados, contratar seguro que cubra resgate, estudar o clima e confirmar a necessidade de guias ou permissões. Viajar com segurança deve ser sempre prioridade.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.

















