Andreza Matais

Washington toparia negociar liberdade de Bolsonaro, diz ideólogo de Trump. Vídeo

Casa Branca de Donald Trump “certamente” negociaria liberdade de Bolsonaro com o governo Lula, diz Curtis Yarvin

atualizado

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Espécie de ideólogo da nova direita americana e lido por figuras próximas ao presidente Donald Trump, o escritor e engenheiro de software Curtis Yarvin diz que a administração republicana “certamente” teria algo a oferecer ao Brasil em torno da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lido por magnatas do Vale do Silício, como o fundador da Palantir, Peter Thiel, e pelo vice-presidente J.D. Vance, Yarvin concedeu ao Metrópoles sua primeira entrevista a um veículo de imprensa brasileiro.

“Eu tenho certeza de que há algo que o governo brasileiro pode ganhar com o governo Trump se decidir libertar Jair Bolsonaro. Só não sei o que poderia ser”, disse ele à coluna, no dia 29 de novembro.

Na última sexta-feira (12), o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA (OFAC) decidiu remover as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Também foram retiradas as penalidades contra a mulher dele, Viviane Barci de Moraes, e a empresa do casal.

Em nota, a Casa Branca afirmou que a aprovação do PL da Dosimetria, que reduz a pena de Bolsonaro, foi “um passo na direção certa” e contribuiu para a retirada das sanções.

“Eu não conheço os detalhes das ligações entre a embaixada americana e o presidente Lula (…). Não sei o que pode ser oferecido, mas certamente Trump ficaria feliz de ver Bolsonaro, que não é mais uma ameaça ao Estado brasileiro de forma alguma, perdoado e fora da cadeia”, disse ele.

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O escritor de direita Curtis Yarvin com o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), no Congresso do MBL
O escritor de direita Curtis Yarvin
O escritor de direita norte-americano Curtis Yarvin no Congresso do MBL em São Paulo
O escritor de direita norte-americano Curtis Yarvin no Congresso do MBL em São Paulo
O escritor de direita norte-americano Curtis Yarvin
O escritor de direita norte-americano Curtis Yarvin no Congresso do MBL em São Paulo
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O escritor de direita norte-americano Curtis Yarvin no Congresso do MBL em São Paulo

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O escritor de direita Curtis Yarvin com o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), no Congresso do MBL
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O escritor de direita Curtis Yarvin com o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), no Congresso do MBL

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O escritor de direita Curtis Yarvin
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O escritor de direita Curtis Yarvin

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O escritor de direita norte-americano Curtis Yarvin no Congresso do MBL em São Paulo

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O escritor de direita norte-americano Curtis Yarvin

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Na Internet, Yarvin tornou-se conhecido escrevendo sob o pseudônimo Mencius Moldbug. Entre outras coisas, foi o primeiro a usar o termo “red pill” como metáfora política, segundo o perfil dele na revista The New Yorker. Depois, o termo foi apropriado por comunidades misóginas na internet e virou lugar comum na gíria online da anglosfera.

A coluna entrevistou Yarvin por cerca de quarenta minutos na tarde de 29 de novembro deste ano, em São Paulo (SP). Yarvin veio ao Brasil como convidado do congresso anual do Movimento Brasil Livre (MBL).

(Leia ao fim a transcrição integral da conversa, na ordem cronológica em que ocorreu).

Abaixo, alguns dos principais trechos da entrevista.

Alguns membros da família Bolsonaro, como Eduardo, tentaram cortejar o governo Trump para obter algum tipo de apoio político dentro do Brasil. Você acha que isso ainda pode funcionar?

Esse é um assunto para uma diplomacia mais sigilosa. Certamente, parte do governo Trump ficaria feliz em ver Bolsonaro perdoado e fora da cadeia, mas não significa que o apoiem necessariamente enquanto figura política.

Para o Trump, lealdade é muito importante. Por isso, eu tenho certeza que ele sente uma espécie de solidariedade. Tenho certeza de que ele gostaria de ver Bolsonaro, que não está bem de saúde, em melhores circunstâncias.

Por outro lado, as coisas são o que elas são. Eu não conheço os detalhes das ligações entre a embaixada americana e o presidente Lula (…). Não sei o que pode ser oferecido, mas certamente Trump ficaria feliz de ver Bolsonaro, que não é mais uma ameaça ao Estado Brasileiro de forma alguma, perdoado e fora da cadeia.

Você viu se tinha algo sobre o  Brasil no Wikileaks?

Sim, o Wikileaks revelou (em 2024) que havia espionagem americana de autoridades do governo brasileiro, inclusive da ex-presidente Dilma Rousseff.

Pois é. Neste momento, sob Donald Trump, a política interna do Departamento de Estado (equivalente ao Itamaraty dos EUA) está um pouco complicada. Você tem uma camada de indicados trumpistas acima do velho Departamento de Estado. E essa é uma batalha que eles lutam todos os dias.

Mas eu tenho certeza que há algo que o governo brasileiro pode ganhar com o governo Trump se decidir libertar Jair Bolsonaro. Só não sei o que poderia ser.

Fica o aviso para o Lula. 

Alguém estava me contando mais cedo hoje a história da tentativa de golpe de Bolsonaro. Ele chegou para os generais e pediu, “por favor caras, me ajudem a tomar poder”. Me falaram também sobre os prédios que foram devastados, quais prédios foram?

Vários deles, na verdade. O Palácio do Planalto, O Congresso, o Supremo Tribunal Federal… Todas os principais prédios daquela área.

Foi a mesma coisa do dia 6 de janeiro (de 2021, nos Estados Unidos). Tinha esse elemento de comédia. As pessoas achavam que estavam participando da queda da Bastilha (em 1789 na Revolução Francesa) ou algo parecido. Era uma energia de queda da Bastilha. E aí, ao final, elas descobriram que nada aconteceu e que todas elas foram fotografadas. Você acha que o que aconteceu no Brasil foi uma armadilha?

Ao fim, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, terminou prevalecendo.

Sim, você sempre vai acabar vendo quem ganhou o jogo. Mas eu acho que essa é uma lição importante para populistas de todos os tipos, porque eles precisam operar dentro da realidade.

Você conhece o termo “larp”? É tipo uma gíria da geração Z. É quando você está fingindo, ou representando um papel. Essas pessoas estavam brincando de Revolução Francesa ou brincando de “Tea Party” ( a “festa do chá de Boston”, de 1773). De repente, você está num edifício governamental vazio, se perguntando o que fazer em seguida. E aí você percebe que na verdade não tem como fazer nada.

Independente de alguém ter tentado criar uma armadilha ou não, acabou sendo uma armadilha.

Talvez uma armadilha autoimposta. 

Talvez uma armadilha autoimposta. Eu acho que a coisa mais importante para os populistas é viver na realidade, não na ilusão. E isso é muito difícil de fazer quando você está em contato com a mentalidade popular, e tentando seguir o que as pessoas pensam.

O que você pensa do MBL e do Partido Missão, que organizaram sua vinda ao Brasil?

Estou bem impressionado. Me parece um movimento bem saudável da Geração Z. Em muitos sentidos, ultrapassa o que temos nos Estados Unidos. Absolutamente. É muito importante essa compreensão que eles têm sobre a necessidade de estarem organizados num partido. Nós, americanos, com frequência esperamos… Tem essa velha frase do (general prussiano Otto von) Bismarck, segundo a qual “Deus protege os idiotas, os bêbados e os Estados Unidos”.

Pela maior parte da história dos Estados Unidos, nós apenas esperamos as coisas acontecerem por conta própria. E aí ficamos levemente surpresos quando coisas ruins começaram a acontecer. Se você quer que as coisas aconteçam, você tem que se organizar. Nesta altura da história, você tem que organizar um movimento de base.

Ao longo do século XX, a gente tinha essa ideia da política como pessoas falando na TV. Digamos que você quisesse concorrer a presidente da República. Você falaria com a imprensa, a imprensa faria uma edição da sua fala para aparecer no telejornal da noite, na CBS e na NBC, ou na PBS para os ricos. Aí você também compraria também uns anúncios, porque afinal nem todo mundo vê jornal.

Esse tipo de política existiu no século XX, e funcionou muito bem. E isso ainda existe. Quando as pessoas entram em campanha, elas costumam pensar coisas do tipo: “Ok, vou precisar comprar uns anúncios, gastar alguns milhões com a campanha”. Até mesmo o Trump age dentro desse modelo (…).

Mas, hoje, é muito difícil para esse tipo de estrutura gerar engajamento, excitação, energia.  Jovens de 26 anos não assistem mais o telejornal da noite. Então, como você faz isso no mundo moderno? Eu acho que o Renan (Santos, pré-candidato da Missão e líder do MBL) está mostrando muito bem como isso pode ser feito.

Outra coisa que eu acho que é muito importante nestes nossos tempos é saber caminhar na linha entre o populismo e o elitismo. Você realmente precisa capturar ambas as forças, para criar algo que seja realmente muito bom.

Nós vimos muitos movimentos populistas que basicamente prometiam um novo mundo para os eleitores. Eles diziam, “vote em mim e tudo irá mudar, tudo vai ficar melhor.” Aí as pessoas votavam, e nada acontecia. Isso é porque eles (esses populistas) não souberam montar um governo efetivo, que realmente sabia o que queria. Muitos desses populistas parecem pensar: “bom, o povo vai comandar e eu vou seguir”. Você vê isso com todos os populistas ao redor do mundo na era atual.

Eu acho que isso, bom, é como vocês viram no Brasil. Traz apenas resultados desastrosos, e às vezes até cômicos.

 

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