Andreza Matais

Veja o trecho da fala de Janja que desagradou evangélicas; vídeo

Primeira-dama participou de culto em igreja na Bahia. “Janja verão evangélica” pregou um discurso descasado com o do público conservador

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
janja 1508
1 de 1 janja 1508 - Foto: Reprodução

O encontro da primeira-dama Janja da Silva com um grupo de mulheres evangélicas evidenciou o tamanho do desafio enfrentado pelo governo para dialogar com esse público.

A “Janja versão evangélica” durou menos de dois minutos, até afirmar que as mulheres precisam se unir para enfrentar a opressão e o silenciamento porque “não tem outra pessoa que vai fazer isso pela gente. Somos nós mesmas que temos que nos colocar”.

No entanto, para os evangélicos, a força da mulher não vem de lutas sociais ou de contextos políticos, mas sim de Jesus Cristo. Como está escrito em Filipenses 4:13: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Ao dizer que “não tem outra pessoa que vai fazer isso pela gente”, Janja, segundo esse entendimento, estaria ignorando a centralidade de Jesus na vida dos fiéis.

A coluna conversou com pastoras de diferentes vertentes. Foi unânime entre elas que a resistência não se dá pelo fato de Janja frequentar o candomblé. O problema, segundo afirmam, é que a primeira-dama só busca esse diálogo em ano pré-eleitoral e demonstra ter pouca ou nenhuma afinidade com o público evangélico, cujos valores e princípios divergem dos seus em temas sensíveis, como o aborto.

Em entrevista ao Contexto Metrópoles, o cientista político Bruno Soller observou que a escolha da Igreja Batista Adonai, em Cajazeiras (BA), pode ter sido uma tentativa de se aproximar de um segmento evangélico mais moderado — em contraponto a corrente tradicional, especialmente a neopentecostal, que tem caminhado ao lado da direita brasileira, sobretudo do bolsonarismo. O programa, com Andreza Matais e Neila Guimarães, é apresentado de segunda à sexta, ao vivo, das 12h às 14h. 

“É muito curioso que a primeira-dama — que é identificada com o candomblé —, na cidade de Salvador, que é a capital mais representativa da cultura afro-brasileira, fale para um público evangélico, inclusive vestindo uma camisa do MTST”, observa Soller. “Mas falar com um público conservador nesses termos não funciona — ela não os convence. Salvador, por exemplo, é uma das cidades onde a religião evangélica mais cresce, em contraste com o candomblé. A guerra religiosa não é só local, é global”, complementou.

Desde a redemocratização, o número de evangélicos no Brasil passou de 9% para 38% da população, o que faz com que todo mundo queira dialogar com esse seguimento.

“Depois do surgimento do bolsonarismo como afirmação política no Brasil, os preceitos evangélicos passaram a ganhar força, e candidatos que defendem pautas religiosas têm crescido na opinião pública. O debate deixou de ser apenas social e passou a envolver interpretações profundas sobre o sentido da vida.”

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?