Andreza Matais

Testemunha que cita pagamentos a Lulinha já tem 70h de depoimento

Material apreendido pela PF inclui conversas do Careca do INSS com Lulinha e viagens para Portugal

atualizado

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JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é alvo de pedido e Flávio Bolsonaro - Metrópoles 2
1 de 1 Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é alvo de pedido e Flávio Bolsonaro - Metrópoles 2 - Foto: JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO

Empresário e ex-funcionário do Careca do INSS, Edson Claro Medeiros Jr. já soma mais de 70 horas de depoimentos à Polícia Federal. As apurações incluem mais de mil páginas de documentos, além de áudios e conversas de WhatsApp que ajudam a traçar o caminho de parte do dinheiro do Careca – apelido de Antônio Carlos Camilo Antunes.

Edson Claro disse à Polícia Federal que seu ex-chefe pagou R$ 25 milhões a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT). Além disso, segundo ele, o Careca pagava uma mesada mensal de R$ 300 mil ao petista.

A coluna apurou que o material apreendido no celular do Careca do INSS inclui conversas com o filho do presidente. Parte desse conteúdo foi entregue por Edson, que narrou à PF o pagamento da suposta mesada.

Seguindo o depoimento e as apurações em curso, Lulinha teria sido contratado pelo Careca para ajudar na empresa de cannabis medicinal, a World Cannabis. A companhia tinha operações nos Estados Unidos, em Portugal e no Brasil. Lulinha auxiliaria na articulação política do projeto.

Edson trabalhava como diretor executivo da World Cannabis desde 2023. Ele rompeu com o Careca do INSS após a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano.

Após o rompimento, o Careca chegou a ameaçar Edson de morte durante uma reunião.

No depoimento, Edson Claro também afirma que Lulinha seria sócio oculto da World Cannabis em Portugal. No papel, conforme documentos acessados pela coluna, a empresa está registrada na cidade do Porto com o nome Candango Consulting e pertence apenas a Antônio Carlos Camilo Antunes e ao filho dele, Romeu Antunes.

Prédio onde a Candango, empresa de Antônio Antunes, está registrada fica em Porto, Portugal

Segundo o relato, o verdadeiro objetivo dessa empresa seria a plantação indoor de cannabis — a maconha. A produção da planta para fins medicinais é permitida em território português.

O plano da World Cannabis seria produzir medicamentos à base de cannabis e vender esses insumos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A empresa chegou a elaborar um projeto para apresentar ao Ministério da Saúde, batizado de Projeto Amazônia.

Viagens de Lulinha à Europa com o Careca

Nos depoimentos, Edson Claro detalha uma série de viagens do Careca do INSS com Lulinha para a Europa, a passeio. Uma delas ocorreu em novembro de 2024. O próprio Careca comprou as passagens aéreas para Lisboa, saindo de Guarulhos (SP). Claro apontou que as compras foram feitas da empresa Fly Tour.

Nesta quinta-feira, a CPMI do INSS, no Congresso Nacional, rejeitou a convocação de Lulinha. O placar foi de 12 votos a 19. Veja como votou cada parlamentar.

A coluna tentou contato com Lulinha e com a defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes, mas não obteve resposta até o momento sem sucesso. O espaço segue aberto. Na CPMI do INSS, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) desqualificou o acusador de Lulinha e disse que as afirmações são infundadas. A comissão, com os votos do PT, rejeitou a convocação de Edson Claro.

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