Andreza Matais

Investigado na “Farra do INSS”, Sindnapi perde 98% dos filiados

Entidade saiu de 317 mil filiados para cerca de 5 mil, segundo processo movido por dirigente

atualizado

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Sede do Sindnapi no Centro de São Paulo; sindicato é investigado na Farra do INSS
1 de 1 Sede do Sindnapi no Centro de São Paulo; sindicato é investigado na Farra do INSS - Foto: Reprodução/GoogleStreetView

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical, o Sindnapi, perdeu aproximadamente 98% dos aposentados filiados desde o início das investigações da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), em abril deste ano.

O número de inscritos que pagavam a entidade caiu de mais de 317 mil para apenas cerca de 5 mil agora.

A entidade tem como vice-presidente o sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico, que é irmão mais velho do presidente Lula (PT).

A queda no número de associados se dá após o lançamento, pelo INSS, de um mecanismo para facilitar o cancelamento dos descontos indevidos. Desde maio deste ano, é possível cancelar os descontos usando o aplicativo Meu INSS ou ligando para o número 135.

Segundo pessoas ligadas ao Sindnapi, a entidade vem enfrentando dificuldades até mesmo para pagar os salários dos funcionários.

As informações sobre a queda no número de filiados do Sindnapi constam de um processo movido por um ex-dirigente da entidade, Luiz Antônio Adriano da Silva, então secretário-geral. No processo, do começo de agosto deste ano, Silva questiona a eleição que renovou o mandato de Milton Baptista de Souza, o Milton Cavalo, à frente do Sindnapi.

“A tentativa de substituir uma diretoria eleita em 2021, com respaldo em uma base legítima de 317.500 associados ativos e adimplentes, por outra gestão escolhida a partir de um universo atual drasticamente reduzido — estima-se cerca de 5.000 associados potenciais, em grande parte inadimplentes e sem comprovação clara de vínculo ativo — caracteriza verdadeira distorção da vontade coletiva”, diz um trecho da ação movida por Luiz Antônio Adriano da Silva.

Silva, que é ligado ao deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), se tornou adversário interno de Milton Cavalo no Sindnapi. A entidade é comandada pelo mesmo grupo político desde que foi criada, no início dos anos 2000.

Milton Cavalo assumiu o comando do Sindnapi em 2023, após a morte do presidente anterior, João Batista Inocentini, o João Feio. Feio comandou o Sindnapi desde sua criação até sua morte.

A coluna procurou o Sindnapi para comentários na última quinta-feira (09), mas não houve resposta.

Operação da PF e bloqueio de bens

Nesta terça-feira (14), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 389 milhões em bens e valores do Sindnapi. A decisão atinge ainda o presidente da entidade, Milton Cavalo; o espólio do ex-presidente, João Batista Inocentini; o tesoureiro, Anísio Ferreira de Sousa; e o próprio Luiz Antônio Adriano da Silva.

Ainda nesta terça-feira, a CPMI do INSS no Congresso Nacional recebeu um requerimento pedindo a prisão preventiva de Milton Cavalo. O pedido é assinado pelo relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e deve ser votado nesta quinta (16).

No fim da semana passada, o Sindnapi foi alvo de uma nova fase da operação Sem Desconto, autorizada por André Mendonça. Na ocasião, vários dirigentes do sindicato sofreram buscas, bem como a sede da entidade. Num cofre no Sindnapi, a PF apreendeu cerca de R$ 40 mil em dinheiro vivo.

Sindicato diz que “comprovará lisura e legalidade”

Após a publicação desta reportagem, o Sindnapi reencaminhou à coluna uma nota em que afirma ter sido surpreendido pela ação da Polícia Federal em sua sede “e na casa de seu presidente e alguns diretores”. A entidade disse ainda que seus advogados não tiveram acesso ao inquérito e que “comprovará a lisura e a legalidade de sua atuação”.

Eis a íntegra da nota:

“O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI), por meio de seus advogados, manifesta sua surpresa com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje em sua sede em São Paulo, bem como na casa de seu Presidente e alguns Diretores, em operação deflagrada pela Polícia Federal em nova fase da ‘Operação Sem Desconto’.

Esclarece-se que os advogados não tiveram acesso ao inquérito policial, ao conteúdo das razões da representação policial ou dos fundamentos da decisão que autorizou a deflagração da medida cautelar, mas reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados.

A exemplo do procedimento adotado nas demais demandas judiciais, o SINDNAPI comprovará a lisura e a legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e o respeito que são devidos.”

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