Andreza Matais

Senador diz que R$ 200 bilhões lavados pelo PCC são “irrecuperáveis”

Senador Efraim Moraes antecipou ao Contexto Metrópoles o relatório do projeto que irá punir o devedor contumaz e evitar empresas de fachada

atualizado

metropoles.com

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senador Efraim Filho fala sobre as pautas da reunião do União Brasil 3
1 de 1 senador Efraim Filho fala sobre as pautas da reunião do União Brasil 3 - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O relator do projeto que pune o chamado devedor contumaz, o senador Efraim Filho (União-PB), afirmou ao Contexto Metrópoles que o dinheiro sonegado pelas empresas investigadas na Operação Carbono Oculto “está perdido” e “é irrecuperável” aos olhos da Receita Federal.

O esquema de lavagem de dinheiro do PCC deixou de pagar R$ 200 bilhões em impostos. São cerca de 1.200 CNPJs de fachada que usaram fintechs para esquentar recursos da organização criminosa.

“Está perdido, é irrecuperável aos olhos da Receita. A legislação é para coibir a pratica daqui por diante. Essas empresas abrem o CNPJ, operam por seis a oito meses, somem antes de concluir o primeiro balanço e não deixam patrimônio para a Receita executar. Quando vamos atrás, o valor já não existe”, disse Efraim.

O projeto de lei relatado por ele busca endurecer as punições para esse tipo de empresa, que age de forma deliberada para fraudar o fisco e, em muitos casos, atua em conluio com facções criminosas e organizações do crime organizado.

Os setores mais afetados são combustíveis, bebidas e tabaco, onde já foram identificadas práticas como o uso exclusivo de dinheiro vivo para dificultar o rastreamento.

Segundo Efraim, o objetivo agora não é mais recuperar o dinheiro perdido, mas interromper o ciclo de fraudes estruturadas.

“A legislação tem o papel de coibir a prática daqui por diante. O que se espera é que a perda que tivemos nos anos anteriores seja compensada por um aumento de arrecadação de 20% a 30% ao longo dos próximos anos”, explicou.

O senador antecipou ao Contexto Metrópoles os principais pontos do seu relatório:

  • Suspensão cautelar do CNPJ de empresas fraudulentas;
  • Paralisação imediata das atividades, sem necessidade de decisão final;
  • Fim da extinção da punibilidade apenas com o pagamento do débito, quando houver conexão com outros crimes;
  • Exigência de aporte de capital integralizado na abertura de empresas nos setores de óleo e gás, para garantir rastreabilidade;
  • Bom pagador não será penalizado como o sonegador.

O senador antevê que as maiores dificuldades para aprovação do texto serão a possibilidade de extinção do CNPJ de forma cautelar pela Receita e a obrigatoriedade de aposte de capital.

“Para as empresas do setor de óleo e gás vamos exigir um aporte de capital para permitir que haja essa rastreabilidade para, em havendo sonegação, a Receita possa encontrar o patrimônio. Tinha postos de combustível que só aceitavam dinheiro vivo. É a fórmula clara e concebida da pratica de sonegação para evitar rastreabilidade”, exemplificou.

Apesar do rigor, o projeto prevê tratamento diferenciado para empresas que têm bom histórico fiscal e passam por dificuldades momentâneas.

“O bom pagador, que por uma crise momentânea atrasou um mês, não pode ser penalizado como o fraudador profissional. Para esses casos, haverá redução de multas, advertência, notificação e prazo para regularização, sem punição automática”, afirmou o senador.

O projeto também permite que essas empresas tenham 30 a 120 dias para corrigir irregularidades sem sofrer sanções graves. “O empreendedor brasileiro é um herói, e não pode ser tratado como criminoso por um atraso pontual”, disse.

O projeto, disse o senador, foi validado pela Fazenda e pelo setor produtivo, como a CNI (Confederação Nacional da Indústria). A previsão é que seja votado nesta terça-feira (01/9) no plenário do Senado. Após esse passo, o texto segue para análise da Câmara.

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