Exclusivo: Luchsinger trata Lulinha como sócio em oito mensagens de “zap”. Ouça áudios
Lobista Roberta Luchsinger falava do filho do presidente como “sócio” a terceiros em conversas de WhatsApp. Veja mensagens inéditas

Investigada por suspeitas de tráfico de influência, a lobista Roberta Luchsinger apresentava o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como seu sócio.
Em depoimento à Polícia Federal (PF), em maio deste ano, Roberta Luchsinger reduziu sua relação com Lulinha a mera “amizade”. E negou ter feito repasses financeiros a ele.
A coluna teve acesso a oito trocas de mensagens de texto e áudio inéditos de Roberta nas quais ela deixa clara a existência de uma sociedade entre os dois.
A mais recente delas é de 25 de junho de 2024. Luchsinger conversa com um contato salvo como “Adelaida Borg – Gerente Le Bristol”. Pelo contexto da conversa, parece tratar-se do hotel de luxo Le Bristol, em Paris, localizado na Rue du Faubourg Saint-Honoré.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Que pena! Estava com meu sócio e a família. Filho do presidente Lula. Fizemos mta compra e adoraria ter lhe encontrado”, diz ela.
Numa conversa do dia 13 de maio de 2024, Roberta diz a um contato salvo como “Alexandre Rodrigues” que tem ficado entre terça e quinta em Brasília, “com o meu sócio q é filho do pr”. A sigla é comumente usada na política para se referir ao presidente da República.
Para o contato “Ana Carolina Alencar”, ela encaminha uma mensagem de Lulinha e pede: “Mostra (a) Marcelo a mensagem do meu sócio, Fábio”. A mensagem foi enviada em 3 de março de 2024.
Num áudio para um contato salvo como “Ana Carolina Melchert”, Luchsinger compartilha detalhes de sua agenda e diz: “E o Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona. E aí eu tenho que correr com as coisas, né?”. A mensagem é do dia 22 de fevereiro de 2024.
Numa conversa com uma amiga, Luchsinger diz, em 28 de janeiro de 2024: “Querida, estou indo dia 5 de fevereiro para Genebra com as filhas. Conosco irão Fábio (meu sócio) filho do presidente Lula com a esposa e filhos”. O parêntese está na mensagem original de Roberta.
Num áudio para um contato salvo como “Rose Amorim”, Roberta Luchsinger se refere a Fábio Luís como “sócio” ao contar uma história sobre Fernando Bittar. “Lembra do Fernando, meu sócio na empresa que eu tenho com ele, com o Fábio, filho do presidente?”. O áudio foi enviado no dia 10 de janeiro de 2024.
Em conversa com um advogado de São Paulo, em outubro de 2023, Roberta Luchsinger diz apenas que “O fábio eh meu sócio”. “Eu ele e o Fernando Bittar”.
Conversando com uma vendedora de roupas no dia 25 de junho de 2023, Roberta diz: “Ela eh amiga da Renata minha melhor amiga q eh esposa do meu sócio Fábio q eh filho do presidente”.
Ao participar de uma sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 27 de agosto deste ano, o presidente Lula disse que “nunca viu” Roberta Luchsinger — a declaração foi desmentida na mesma noite por adversários do petista, que mostraram fotos dos dois juntos.
“Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim”, disse Lula. Ele ainda chamou a lobista de “pilantra” na entrevista. “O que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone?”, disse Lula, ao comentar mensagens dela.
Atualmente, fatos relacionados a Lulinha e Roberta Luchsinger são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O principal deles, com as investigações mais avançadas, diz respeito às suspeitas de que ele, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, teriam praticado tráfico de influência no Ministério da Saúde (MS) para vender fármacos derivados de maconha, como o CBD.
Além da relação com Roberta, Lulinha atuou em conjunto com o Careca do INSS na empresa de maconha medicinal dele, a Cannabis World. Como mostrou a coluna, os dois viajaram juntos para Portugal e Espanha, onde Lulinha vive desde meados do ano passado.
Outro inquérito diz respeito a pagamentos que teriam sido feitos por Roberta Luchsinger a pessoas do entorno do presidente Lula, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Uma terceira apuração gira em torno de possível tráfico de influência na Dataprev, empresa pública de processamento de dados.













