Andreza Matais

Novo representa contra Lindbergh por acusar Gaspar de estupro

Partido entrou contra Lindbergh Farias (PT-RJ) no Conselho de Ética por chamar Alfredo Gaspar de “estuprador”

atualizado

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KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ)
1 de 1 O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) - Foto: KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo

O partido Novo representou contra o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (30/3). A representação se deve ao fato de Lindbergh ter acusado o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) de ser estuprador na última sexta-feira (27/3).

Na representação, o Novo pede que Lindbergh Farias perca o mandato pela falsa imputação de crime a Alfredo Gaspar.

Na última sexta-feira, a CPMI do INSS realizou sua última sessão — que terminou sem a votação do relatório final de Gaspar. Em meio a uma discussão, Lindbergh Farias chamou o deputado alagoano de “estuprador”.

A troca de insultos começou quando Alfredo Gaspar leu, na reunião da CPMI, uma fala do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. Na ocasião, em 2018, Barroso insultou o colega de STF Gilmar Mendes. “Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”, disse Barroso.

Lindbergh se irritou e disse que Gaspar estava se desviando do tema da reunião. “Isso é um relatório ou um circo?”, disse Lindbergh. “Deputado Lindinho, não estamos falando de Odebrecht”, disse Gaspar.

Na sequência, Lindbergh chamou Gaspar de “estuprador”. Gaspar respondeu chamando o petista de “bandido”.

Posteriormente, Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) convocaram uma coletiva de imprensa para falar do assunto. Eles distribuíram uma “notícia de fato” direcionada à PF contra Alfredo Gaspar, em que o acusam de ter mantido relações sexuais com uma menor de idade de apenas 13 anos. A relação teria resultado no nascimento de uma filha, hoje com 8 anos.

A representação não inclui o nome da suposta menina abusada nem qualquer outro detalhe. Lindbergh alega ter enviado os nomes à PF, sob reserva.

Gaspar nega as acusações e diz que irá processar Lindbergh e Soraya por denunciação caluniosa — isto é, por lhe atribuírem falsamente um crime.

“A divergência política é legítima, mas a difamação não pode ser normalizada dentro do Congresso. Imputar um crime gravíssimo a outro parlamentar sem qualquer evidência não pode ser tratado como retórica política. É um fato grave que precisa ser punido pelo Conselho de Ética, que é o foro adequado para tratar de situações como a ocorrida”, disse o líder do Novo na Câmara, Marcel van Hattem (Novo-RS).

Lindbergh: “Vou tomar todas as medidas contra Gaspar”

À coluna, Lindbergh Farias disse que tomará “todas as providências cabíveis, na esfera criminal e na esfera parlamentar” contra o relator da CPMI do INSS.

“Vou tomar todas as providências cabíveis, na esfera criminal e na esfera parlamentar, contra Alfredo Gaspar pela agressão verbal e pela tentativa deliberada de manipular os fatos para se apresentar como vítima. Vou processá-lo com o ajuizamento de queixa-crime por crimes contra a honra e também vou representá-lo por quebra de decoro parlamentar na Corregedoria e no Conselho de Ética da Câmara”, disse o deputado do PT-RJ.

Leia abaixo a íntegra da nota de Lindbergh Farias

“Vou tomar todas as providências cabíveis, na esfera criminal e na esfera parlamentar, contra Alfredo Gaspar pela agressão verbal e pela tentativa deliberada de manipular os fatos para se apresentar como vítima. Vou processá-lo com o ajuizamento de queixa-crime por crimes contra a honra e também vou representá-lo por quebra de decoro parlamentar na Corregedoria e no Conselho de Ética da Câmara.

Alfredo Gaspar tentou criar uma cortina de fumaça sobre o caso, puxando um episódio aleatório envolvendo terceiro, com exame de DNA e vídeo de outra pessoa que nada tem a ver com a vítima do caso denunciado. Isso não responde à denúncia, não enfrenta os fatos centrais e não apaga a gravidade do que precisa ser investigado. É uma manobra para confundir a opinião pública e desviar a atenção do ponto principal.

A verdade vai aparecer. O Brasil precisa saber exatamente o que houve no caso de possível estupro de vulnerável e das suspeitas de fraude processual para comprar o silêncio da vítima, ocultar crime e garantir impunidade. Eu não vou recuar. A Polícia Federal está conduzindo a investigação e, em breve, conheceremos os próximos capítulos”.

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