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Eleições 2026Andreza Matais

Nem Lula, nem a direita: as urnas mostraram a fúria do eleitor

Fúria do eleitor nas urnas foi recado à classe política e jurídica, não uma guinada do país à direita ou adesão ao bolsonarismo.

05/10/2026 11:44
Arte/Metrópoles
Nem Lula, nem a direita: as urnas mostraram a fúria do eleitor

Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro. O resultado do primeiro turno das eleições mostrou que o eleitor cansou. Está de saco cheio, exausto de escândalos, dos desmandos no Judiciário, sem perspectiva, sem dinheiro, endividado e sem segurança.

É como se dissesse: já tenho tão pouco, não venha tirar o pouco que me resta. É um “não aguento mais nenhum de vocês” que estava entalado na garganta e ontem eclodiu nas urnas.

Erra quem lê o resultado das urnas como sinal de que o Brasil “endireitou”. O eleitor não escolheu Flávio Bolsonaro, o bolsonarismo ou a direita. Mas viu em Flávio um mal necessário até conseguir se livrar dos dois.

Basta prestar atenção. Não havia ruas tomadas por bandeiras, nem eleitores de camiseta vermelha ou verde e amarela nas seções eleitorais. Não teve nem briga em grupo de família. A apatia mostrou que o eleitor resolveu tomar as rédeas e mandar um recado a toda a classe política e jurídica do país, e não escolher um lado.

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Não à toa, assim que saiu o resultado, Flávio disse que quer apenas quatro anos e que não tentará a reeleição. “Só preciso de uma oportunidade para pôr o Brasil no centro do governo”, afirmou.

Traduzindo: eu sei que muitos de vocês não me querem, mas vamos fazer essa transição juntos e, depois, eu saio para entrar outra pessoa. “Lula está preocupado com o poder. Disputou sete eleições. Eu estou preocupado com o país”, arrematou. Para atender aos anseios do eleitor, Flávio terá que fazer um governo impopular.

Os marqueteiros de Lula não entenderam nada. Colocaram um presidente sem voz no alto de um palanque (Flávio falou do chão), rodeado por candidatos derrotados, pedindo folga na segunda-feira e prometendo distribuir caneta emagrecedora no SUS, se o eleitor fizer ginástica e comer direito!!!

A fúria do eleitor já se manifestou em outros momentos da história. Esteve na crise política e econômica que antecedeu a queda de Jango, quando o país também enfrentava a carestia; no desgaste do regime durante o governo Figueiredo; e nas multidões que tomaram as ruas pelas Diretas Já. Foi essa mesma revolta com a política e a economia que também ajudou a corroer o governo Sarney.

Não era uma onda de direita ou de esquerda. Definitivamente, era um basta do eleitor.