
Andreza MataisColunas

INSS: a consultoria de fachada que movimentou R$ 371 milhões
Empresa Spyder Intermediação recebeu recursos de empresas usadas pelo Careca do INSS. Dono é auxiliar de serviços gerais de 25 anos
atualizado
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Uma empresa de consultoria sem site, sede própria ou páginas nas redes sociais movimentou mais de R$ 371,4 milhões apenas nos primeiros seis meses do ano passado, semanas após ser registrada. É uma das maiores movimentações já detectadas pela CPMI do INSS até o momento.
No papel, o dono é um rapaz de 25 anos que trabalha como auxiliar de serviços gerais em uma empresa de laticínios de Bernardino de Campos (SP). Além disso, no fim de 2020, o dono, João Vitor da Silva, recebeu o auxílio emergencial do governo. Procurado pela reportagem, ele não respondeu se é ou não o dono da consultoria.
A firma chama-se Spyder Consultoria e Intermediação. Começou a ser investigada pela CPMI do INSS por ter recebido recursos de outra empresa, a Dinar S/A Participações, que era usada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

A Dinar S/A, por sua vez, recebeu milhões de reais da Arpar — pertencente ao Careca — e também da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), outra entidade investigada na Farra do INSS. A Dinar S/A é apenas uma dentre várias empresas usadas pelo Careca.
Nos seis primeiros meses de 2025, a Spyder Consultoria recebeu R$ 185,5 milhões em créditos e pagou R$ 185,8 milhões em débitos. De acordo com os critérios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), essa movimentação seria suficiente para caracterizá-la como uma grande empresa (receita bruta acima de R$ 300 milhões por ano).
Investigada pela CPMI do INSS saiu do zero para R$ 16 milhões em 2 semanas
Segundo dados da Junta Comercial de São Paulo, a Spyder Consultoria foi registrada em 13 de dezembro de 2024. Duas semanas depois, no mês de janeiro de 2025, a empresa já havia movimentado pouco mais de R$ 16 milhões, segundo dados da Receita Federal do Brasil enviados à CPMI do INSS.
Na Receita, a empresa aparece como registrada em um prédio comercial no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo (SP). O capital social é de apenas R$ 120 mil — ou 0,032% dos R$ 371 milhões movimentados pela Spyder no primeiro semestre do ano passado.
Ao registrar a empresa, João Vitor da Silva também a identificou como “limitada unipessoal (EPP)”. Ou seja, uma empresa com um único sócio e de pequeno porte (EPP). Para se enquadrar dessa forma, a Spyder precisaria ter faturamento bruto anual de até R$ 4,8 milhões — uma fração do volume movimentado pela firma.
