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Andreza Matais

Gleisi Hoffmann foca em receber petistas e acumula derrotas na SRI

Gleisi Hoffmann tem agenda dominada por congressistas do PT durante periodo na SRI

30/06/2025 14:35, atualizado 30/06/2025 14:38
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Breno Esaki/Metrópoles @BrenoEsakiFoto
Gleisi Hoffmann

Deputados federais e senadores do PT dominam a agenda da ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, Gleisi Hoffmann. Nos últimos três meses, a ministra recebeu 70 congressistas das duas Casas. 23 deles são do PT – o número é mais de três vezes maior que o segundo colocado, o MDB, legenda aliada ao Planalto, na qual sete congressistas se encontraram com Gleisi.

Os números são de levantamento exclusivo da coluna com base na agenda pública de Gleisi, divulgada pela plataforma E-Agendas, da Controladoria-Geral da União (CGU). Só são levados em conta, portanto, os compromissos públicos da ministra.

Deputada federal pelo Paraná, Gleisi Hoffmann assumiu em 10 de março deste ano o comando da SRI, pasta responsável pela interlocução do governo com o Congresso. Desde a chegada dela ao posto, o governo sofreu algumas de suas piores derrotas na arena legislativa.

A última foi a derrubada, na semana passada, de três decretos de Lula (PT)  que aumentavam a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A derrubada se deu pela aprovação de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL). A última vez que o Congresso usou o instrumento para cassar um decreto presidencial foi em 1992, ainda no governo do ex-presidente Fernando Collor.

Na votação, o governo amargou votos contrários de 346 deputados, e só 97 favoráveis à manutenção dos decretos de Lula.

Na lista de partidos mais recebidos por Gleisi Hoffmann, aparecem em seguida o PSD, de Gilberto Kassab, com cinco congressistas; o PDT, do ex-ministro Carlos Lupi (Previdência), e o União Brasil, com quatro nomes cada. Aliados tradicionais do PT na esquerda, PSB e PC do B tiveram três congressistas recebidos.

O predomínio petista também aparece quando se considera quantas vezes os congressistas de cada partido foram recebidos. Petistas do Congresso estiveram com Gleisi 55 vezes desde o começo de abril. Já os integrantes do MDB – a segunda mais representada – estiveram com ela 20 vezes. Nomes do PDT foram recebidos quatro vezes; e do PSB, 10 vezes.

A presença do PT nesta contagem é puxada para cima pelo fato de Gleisi participar de reuniões semanais com os líderes do Governo e da Maioria na Câmara (os deputados José Guimarães,  do PT-CE, e Arlindo Chinaglia, do PT-SP). O líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA), também participa desses encontros, nos quais os integrantes do governo passam diretrizes para a semana.

Também pesa no “PTcentrismo” de Gleisi o fato de ela ter sido presidente do PT durante quase dez anos, de 2017 a 2025. Sob o comando dela, o partido enfrentou alguns de seus momentos mais difíceis nos últimos anos, como a prisão de Lula (2018-2019).

Em 12 de maio deste ano, dias depois da nomeação de Gleisi para a SRI, Lula disse, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, que tinha escolhido uma “mulher bonita” na SRI. “Uma coisa que eu quero mudar é estabelecer uma relação com vocês [Congresso], por isso eu coloquei essa mulher bonita para ser ministra de Relações Institucionais”, disse o presidente.

Até o momento, porém, a nomeação não foi capaz de reverter a má vontade do Poder Legislativo com o governo. Além da derrota do IOF, Gleisi assistiu a outros revezes, como a aprovação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo dos desvios na Previdência, revelado pelo Metrópoles; e a derrubada de vetos presidenciais.

Gleisi Hoffmann é uma das principais figuras do PT. Além de presidir o partido, foi senadora entre 2011 e 2019, e ministra da Casa Civil no governo Dilma Rousseff (2011-2014). Também exerceu o cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional, nos primeiros mandatos de Lula (2003-2006).

Gleisi Hoffmann: agenda reflete só parte do trabalho

À coluna, Gleisi Hofmann disse manter “interlocução permante” com os presidentes da Câmara e so Senado, entre outros líderes políticos. A agenda pública de compromissos reflete apenas “parte do diálogo político do governo”, disse ela, em nota.

Leia abaixo a íntegra da nota enviada por Gleisi:

“A ministra Gleisi Hoffmann mantém interlocução permanente com as lideranças e os presidentes da Câmara e do Senado, entre outras atividades inerentes à Secretaria de Relações Institucionais. A agenda de audiências no Gabinete da SRI reflete apenas parte do diálogo político do governo, que se estende aos diversos partidos e representações da sociedade organizada, sem discriminações nem privilégios”.