Andreza Matais

Ganhando R$ 7 mil, ex-servidora do INSS comprou Mustangs de R$ 903 mil

Servidora aposentada do INSS, Cecília Rodrigues Mota comprou dois Ford Mustangs elétricos em dois meses. Carros somam R$ 903 mil.

atualizado

metropoles.com

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Considerada operadora da Farra do INSS, Cecilia Rodrigues Mota comprou dois Ford Mustang
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Em pouco mais de dois meses, a servidora pública aposentada Cecília Rodrigues Mota comprou dois veículos esportivos Ford Mustang elétricos. As máquinas foram adquiridas diretamente da montadora entre janeiro e março do ano passado, por R$ 451.806,90 cada. Juntos, os dois carros custaram R$ 903,6 mil. As compras destoam da renda da aposentadoria de Cecília, de apenas R$ 7,4 mil líquidos.

As informações sobre a movimentação financeira da ex-servidora foram enviadas à CPMI do INSS no Congresso Nacional, e obtidas pela coluna.

De dezembro de 2023 a abril deste ano, Cecília comprou R$ 1,3 milhão em veículos. Além dos dois Mustangs elétricos – um cinza e outro vermelho –, adquiriu também uma caminhonete Ford Ranger e um Volkswagen Nivus.

A movimentação financeira de Cecília sugere que ela continuou utilizando os Mustangs mesmo após a deflagração da operação Sem Desconto. No dia 20 de maio deste ano, ela comprou dois carregadores para veículos elétricos em uma loja de Fortaleza.

O modelo elétrico da Ford foi lançado em 2019. O carro é um SUV (utilitário esportivo), mas o design remete ao Mustang original dos anos 1960, de carroceria cupê.

Revelado pelo Metrópoles, o esquema da “Farra do INSS”, consiste em descontos ilegais sistemáticos em aposentadorias e movimentações financeiras suspeitas entre servidores e entidades de fachada.

A coluna procurou Cecília por e-mail, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.

Relógio de R$ 30 mil

Além dos automóveis e dos gastos elevados com viagens, Cecília também investiu em joias. Em abril deste ano, gastou R$ 30.188 em um relógio de aço e titânio com safira incrustada.

Na mesma compra, realizada em uma loja de Fortaleza, adquiriu um colar de ouro 18k com pérolas, por R$ 12,4 mil, e um par de brincos de ouro com pérolas, por mais R$ 13 mil.

Operadora da “Farra do INSS”

Nas investigações da “Farra do INSS”, Cecília Rodrigues Mota é apontada como uma das operadoras das entidades de fachada que faziam descontos ilegais em aposentadorias. Ao mesmo tempo em que recebia recursos dessas entidades, ela realizava pagamentos a servidores do INSS, órgão do qual foi funcionária.

A advogada, natural de Fortaleza (CE), presidia entidades investigadas, como a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (AAPEN) e a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB).

Esta última chamou a atenção da Controladoria-Geral da União (CGU) por um feito inusitado: conseguir 778 novas filiações de aposentados por hora. Segundo a CGU, a entidade não comprovou que os aposentados realmente desejavam se associar

Porsche, apartamento de luxo e milhões em imóveis

Outro núcleo da “Farra do INSS” envolve o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Oliveira Filho e sua esposa, Thaisa Hoffmann Jonasson. Documentos sigilosos enviados à CPMI do INSS, revelados pela coluna, mostram que o casal acumulou patrimônio milionário nos últimos anos, incluindo imóveis de alto padrão e veículos de luxo.

Em agosto de 2024, Thaisa comprou um SUV Porsche Cayenne híbrido de R$ 789 mil por meio de sua empresa, a THJ Consultoria. Além disso, entre 2022 e 2024, ela adquiriu três imóveis à vista — dois em Curitiba e um em Brasília — totalizando R$ 3,47 milhões. Em novembro do mesmo ano, Thaisa chegou a reservar um apartamento de R$ 28 milhões na Senna Tower, edifício de 550 metros em construção em Balneário Camboriú (SC), apresentado pelos incorporadores como “o maior do mundo”.

O negócio foi cancelado meses depois, a pedido da construtora, por risco de bloqueio judicial do imóvel. No mesmo período, Virgílio reservou um Audi A5 avaliado em R$ 380 mil e já possuía uma Mercedes-Benz GLB 35 AMG de R$ 508 mil, segundo a Tabela Fipe.

Segundo a Controladoria-Geral da União, Virgílio Filho teve um aumento patrimonial de R$ 18,3 milhões, parte proveniente de repasses de empresas envolvidas no esquema. Ele teria recebido pelo menos R$ 11,9 milhões de investigados na “Farra do INSS”. Enquanto ocupava o cargo de procurador-geral, Virgílio autorizou o desbloqueio em massa de benefícios de aposentados da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), medida que contrariou pareceres técnicos do próprio INSS.

O ex-procurador foi afastado judicialmente em abril de 2025, e a Advocacia-Geral da União determinou sua exoneração. A defesa de Virgílio e de Thaisa não respondeu aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto.

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