
Andreza MataisColunas

Flotilha de Gaza tinha lógica de seita, diz jornalista do barco de Greta
Comando da “Flotilha de Gaza” operava com lógica de seita, diz jornalista brasileira Giovanna Vial, que viajou no barco principal
atualizado
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A chamada “Flotilha de Gaza”, liderada pela ativista sueca Greta Thunberg, operava sob a mesma lógica de um culto ou uma seita, e quem contestasse as decisões do “comitê gestor” do grupo era ostracizado ou punido. A afirmação é de Giovanna Vial, uma jornalista freelancer brasileira de 29 anos que navegou com o grupo de Barcelona, na Espanha, até perto de Creta, na Grécia, onde foi forçada a abandonar a viagem.
“O principal elemento de culto era a lógica de tudo ou nada. Então, ou você concordava 100% com todas as condutas, mesmo que fossem condutas abusivas, ilegítimas, que colocassem as pessoas em risco emocional e físico”, disse Vial ao Metrópoles.
A jornalista partiu com a Flotilha Global Sumud em Barcelona no dia 30 de agosto. Ela estava no barco Family, ocupado pela organização da Flotilha — era a mesma embarcação na qual estavam o ativista brasiliense Thiago Ávila, a sueca Greta Thunberg e a turca Yasemin Acar, entre outros.
Segundo Giovanna, quem não concordava com as ordens arbitrárias do “comitê diretor” (“steering committee”) da Flotilha “era tachado de dissidente, ostracizado e, em último caso, expulso e humilhado”.
Segundo Giovanna, sua saída da Flotilha ocorreu depois de ela se recusar a “competir” com um colega jornalista para seguir viagem.
Nesta terça-feira, Giovanna Vial publicou um vídeo em inglês em seu Instagram detalhando o que chama de “lógica de seita” e de autoritarismo por parte dos líderes da Global Sumud Flotilla.
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“Queriam que eu competisse com colega para continuar no barco”
“Quando o barco Family quebrou na costa de Creta, nós fomos redesignados para outros barcos. E a recomendação (…) de um dos diretores da Global Flotilla era de que eu fizesse uma ‘competição’ com o meu colega jornalista”, disse Giovanna ao Metrópoles.
“Que eu ligasse para a diretora de comunicação (da Flotilha) e a convencesse de que eu deveria ir, e não esse meu colega. O que eu me neguei a fazer. E por isso fiquei sem ter barco para ir”, diz ela.
Vivendo atualmente em Beirute, capital do Líbano, Giovanna Vial estava na flotilha reportando para um veículo de comunicação brasileiro.
“A minha única opção era ir em um barco muito pequeno, no qual eu fui alocada justamente porque eles sabiam que, se eu fosse nesse barco pequeno, eu não conseguiria ir por questões físicas. Eu estava muito mal fisicamente e, quanto menor o barco, pior é a condição”, diz ela.
“Então, eu fui sabotada por não concordar com a lógica de competição que eles me obrigaram a seguir no momento em que a gente chegou a Creta. Eles queriam que eu competisse com o colega, e eu não ia competir. É essa lógica de discórdia, de desarmonia no grupo, para facilitar a dominação pelos chefes”, diz Giovanna.
A Global Sumud Flotilla tinha por objetivo chegar até a Faixa de Gaza, com o objetivo declarado de levar ajuda humanitária aos palestinos. Entre o fim de abril e o começo deste mês, a flotilha foi interceptada pelas forças armadas israelenses. Ao todo, 175 pessoas foram presas, e a maioria foi entregue à Grécia. O ativista brasiliense Thiago Ávila segue detido em Israel.
