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Andreza Matais

Dono de bet e aliado de Temer: o “sócio” de Edir Macedo no Digimais

Roberto Campos Marinho Filho é sócio de Edir Macedo no Banco Digimais. Investigações remontam a 2013, na Operação Tritão

25/06/2026 10:23, atualizado 25/06/2026 10:41
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Reprodução
Digimais

Alvo da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (23/6), o Banco Digimais tem como principal controlador o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Na Operação Miragem, a PF apura indícios de fraude contábil na condução da instituição financeira. A investigação é apenas mais um capítulo na trajetória do “sócio” de Edir Macedo no banco: o empresário Roberto Campos Marinho Filho.

Ligado politicamente ao ex-presidente Michel Temer (MDB) e a outras pessoas de seu grupo, como o ex-senador Romero Jucá (MDB), Roberto Campos Marinho Filho tem pelo menos 25 CNPJs relacionados ao seu nome na Receita Federal. Apesar dessas conexões, ele não é mencionado na representação da PF para a Operação Miragem.

Uma das empresas de Campos, a Yards Capital, processa o Digimais, alegando prejuízo de quase R$ 500 milhões com a desvalorização de um fundo de investimentos, o EXP 1.

No processo, Campos culpa o Digimais pela perda de valor do EXP 1. Segundo ele, o banco usou títulos emitidos pelas corretoras Fictor e Reag — além do Banco Master — para comprar participação no fundo. Tanto a Fictor quanto a Reag, assim como o Master, foram alvo de investigações recentes, o que derrubou o preço dos títulos.

A Yards Capital foi criada por Campos em fevereiro de 2023. Em sua página no site do think tank Milken Institute, a empresa é definida por sua atuação na “gestão de recursos próprios e de terceiros, em ativos líquidos e ilíquidos”.

Antes disso, o empresário atuava no ramo das casas de apostas online, as chamadas bets. Campos criou uma empresa chamada Zap Bets, que operava apostas esportivas e “cassinos online” por meio do WhatsApp. A aposta não deu certo, e o site da Zap Bets está fora do ar.

O ecossistema incluía também uma fintech que buscava viabilizar o envio de Pix pelo WhatsApp, chamada ContaZap. A empresa mantém CNPJ ativo na Receita Federal, mas não tem site nem contas ativas nas redes sociais. Em 2021, dizia ter 1,2 milhão de usuários.

A reportagem tentou contato com Roberto Campos Marinho Filho na tarde desta quinta (25/6), mas não houve resposta. O espaço segue aberto.

A relação com o governo Temer

Antes das bets, Roberto Campos Marinho Filho teve uma empresa de terceirização de mão de obra na área de tecnologia, a TCI BPO. Na sopa de letrinhas da firma, “BPO” significa “Business Process Outsourcing”, ou “terceirização de processos de negócios”.

Tanto a empresa quanto Campos são mencionados na denúncia do Ministério Público na Operação Tritão, deflagrada pela PF em outubro de 2018 para apurar um suposto esquema de fraudes em licitações na antiga Codesp, a Companhia Docas do Estado de São Paulo.

Na denúncia apresentada à Justiça em decorrência da investigação, o Ministério Público afirma que a TCI BPO de Campos e outras empresas relacionadas a ela pertenciam “a um mesmo grupo econômico ou, no mínimo, mantêm relações muito próximas entre seus sócios”.

As empresas do grupo, segundo o MPF, eram subcontratadas pela firma alvo da investigação, a N20 Tecnologia da Informação, para executar contratos com órgãos públicos durante o governo de Michel Temer (2016-2018).

Entre 2014 e 2022, a TCI de Roberto Campos Marinho Filho recebeu R$ 75,5 milhões do governo federal — parte significativa do montante é decorrente de contratos firmados durante o governo de Michel Temer. Mesmo assim, atualmente a empresa encontra-se em recuperação judicial.