Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Andreza Matais

Dono de bar anti-Israel é militante pró-Cannabis e filiado ao PSOL

Bar “Partisan”, na Lapa, viralizou com placa dizendo que cidadãos de Israel e dos EUA “não são bem-vindos”

05/04/2026 17:53, atualizado 05/04/2026 18:42
Instagram bar Partisan / Reprodução
Bar Partisan Rio de Janeiro antissemita

Neste fim de semana, um bar na Lapa, no Rio de Janeiro (RJ), viralizou nas redes sociais por conta de uma placa problemática na porta. “US & Israel citizens are NOT! welcome” (“Cidadãos dos Estados Unidos e de Israel não são bem-vindos”, em tradução livre).

O dono do bar é um carioca de 48 anos, Thiago Braga Vieira. Em agosto de 2021, o empreendedor se envolveu em uma discussão online em um grupo de WhatsApp da Marcha da Maconha, da qual era um dos organizadores. Inconformado, levou o caso à Justiça.

“O querelante Thiago Vieira é militante político e integra o Coletivo Movimento pela Legalização da Maconha (MLM), um dos grupos políticos que participa da organização da Marcha da Maconha no Rio de Janeiro”, diz a petição inicial.

Em uma das mensagens, um dos acusados por Thiago o chama de “Mestre Splinter da Glória”. A referência é a um personagem da antiga série de TV Tartarugas Ninja, popular no Brasil na década de 1990. Mestre Splinter é uma ratazana antropomórfica que desempenha o papel de mestre (sensei) das tartarugas ninja.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Mestre Splinter da Glória é uma das pessoas mais abjetas que tive o desprazer de conhecer.” “Pessoa manipuladora, desleal e desonesta.” “O Mestre Splinter da Glória é um rato, age nas sombras, fala pelas costas e manipula todos”, dizem algumas das mensagens reproduzidas no processo, que tramitou no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Após anos de tramitação, a Justiça fluminense entendeu que a ação penal de Thiago não merecia prosperar. O juiz de primeira instância entendeu que as mensagens não eram criminosas. Para o magistrado, tudo o que houve foi o “emprego de expressões que causam certos dissabores”, mas que “não podem ser consideradas condutas delituosas”.

Em 26 de abril de 2023, a desembargadora Maria Angélica G. Guerra Guedes rejeitou o último recurso de Thiago contra a decisão inicial.

Além de militar pela legalização da cannabis, Thiago Braga Vieira é filiado ao PSOL desde abril de 2013. Além do “Partisan”, também é dono de uma gráfica rápida no mesmo bairro, chamada Pavunão da Lapa.

A repercussão da placa anti-Israel foi imediata: ainda na noite de sábado, o Procon do Rio multou o bar em R$ 9,5 mil por restringir o acesso de consumidores, prática considerada abusiva e discriminatória. Para o órgão, é “inadmissível qualquer tipo de distinção baseada em origem, nacionalidade ou critérios similares”.

A polêmica fez o termo “Procon” chegar à lista de assuntos mais comentados do Brasil no X, antigo Twitter.

Apesar da repercussão, a atitude do bar de Thiago Braga Vieira não foi unânime nem dentro da esquerda. A vereadora carioca Tainá de Paula (PT) se manifestou no X contra a placa.


“Que loucura essa história da proibição de americanos e israelenses num bar da Lapa. O radicalismo tem nos levado ao limite da barbárie! Gente, americanos não são Trump! Israelenses não são Netanyahu!”, escreveu.