
Andreza MataisColunas

CNJ abre investigação contra juiz que mandou leiloar mansão de Cafu
Órgão apura suposta “relação imprópria” entre o magistrado e o leiloeiro. Mansão valia R$ 40 milhões e foi vendida pela metade do preço
atualizado
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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu investigação contra o juiz Bruno Paes Straforini, que mandou leiloar a mansão do ex-jogador de futebol Cafu por metade do valor da avaliação.
Por determinação do Corregedor Nacional de Justiça, Mauro Campbell, “tendo em vista a gravidade dos fatos narrados”, o magistrado terá de responder à reclamação disciplinar apresentada pelo ex-atleta.
Na petição ao CNJ, os advogados de Cafu sustentam que Straforini teria “relação imprópria” com o leiloeiro de sua mansão, Denys Pyerre de Oliveira. O imóvel foi arrematado em outubro de 2024 por R$ 20 milhões, embora avaliado em R$ 40 milhões.
“Documentos indicariam a concentração de mais de 50 nomeações para o mesmo profissional na 1ª Vara Cível de Barueri, violando a Resolução CNJ n. 236/2016”, escreveu o Corregedor. O caso foi revelado pela coluna.
“O juiz teria recusado pedidos de substituição do leiloeiro feitos pelas partes, alegando ‘confiança pessoal’, e fixado comissões acima da praxe de mercado”, complementou.
Além disso, Campbell anotou que “notícias jornalísticas informam que o magistrado teria adquirido dois veículos de luxo da marca Volvo pertencentes ao leiloeiro ou suas empresas”.
E destacou: “o juiz também teria reagido de forma intimidatória contra advogados e jornalistas que reportaram tais fatos no espaço público”.
TJSP terá de informar comissões recebidas pelo leiloeiro
Na decisão, o Corregedor requisitou à presidência do TJSP a relação de processos e de comissões pagas ao leiloeiro Denys Pyerre de Oliveira nos últimos cinco anos.
Campbell também solicitou a lista de processos em que a esposa do leiloeiro, Bruna Oliveira dos Santos, aparece como administradora judicial.
Em fevereiro deste ano, diante da repercussão do caso na imprensa, Bruno Straforini pediu ao TJSP para se afastar do caso de Cafu – e foi transferido da 1ª Vara Cível de Barueri para a 2ª Vara Cível de Osasco.
Além dos indícios de relação imprópria com o leiloeiro, a defesa de Cafu argumenta que o juiz teria conduzido a execução de forma “excessivamente onerosa” ao abarcar praticamente todo o patrimônio do ex-jogador, mesmo havendo um bem em garantia hipotecária.
A medida teria desrespeitado a ordem legal de penhora e o princípio da menor onerosidade, já que a dívida girava em torno de R$ 8 milhões.
Desocupação do imóvel e leilão tiveram prazos reduzidos
Os advogados também afirmam que houve irregularidades na condução do leilão e interferência indevida do magistrado em tentativa de acordo entre as partes.
O juiz teria alterado cláusulas pactuadas, reduzindo de 180 para 45 dias o prazo para desocupação do imóvel – circunstância que inviabilizaria uma solução consensual.
Além disso, a defesa de Cafu enfatiza que o leilão ocorreu com prazo reduzido de publicação do edital e encerramento precoce da primeira etapa – o que teria contribuído para a venda por valor considerado abaixo do mercado.
