Andreza Matais

Brasileiros acreditam que “Lulismo” continuará sem Lula, diz pesquisa

Até mesmo eleitores de Jair Bolsonaro (PL) concordam que movimento em torno de Lula continuará

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Presidente Lula discursa durante abertura do 16º Congresso do PCdoB, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães METROPOLES
1 de 1 Presidente Lula discursa durante abertura do 16º Congresso do PCdoB, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães METROPOLES - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A maioria dos brasileiros acredita que o “Lulismo” — o movimento político e social em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — continuará a existir mesmo após a eventual aposentadoria do chefe de Estado.

É o que pensam 57,9% dos eleitores. Outros 27,5% discordam, e 14,6% não souberam ou não responderam. Os dados são de pesquisa do Instituto Ibespe, realizada entre os dias 1º e 4 de outubro.

Surpreendentemente, até mesmo eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concordam, em sua maioria, que o “Lulismo” seguirá após Lula: 55% deles acreditam na continuidade do movimento.

Outros 30,3% discordam, e 14,5% não souberam ou não responderam. Entre os eleitores do próprio Lula, 63% veem continuidade no fenômeno, enquanto 24,6% acham que deixará de existir.

O levantamento do Ibespe realizou 1.012 entrevistas por telefone. Usando a técnica de pós-estratificação, o instituto busca garantir que a amostra represente o eleitorado brasileiro quanto a faixa etária, escolaridade e gênero. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

A crença na sobrevivência do “Lulismo” é maior nas regiões Nordeste (66,9%) e Sudeste (58,4%), seguidas por Norte (58,6%), Centro-Oeste (55,5%) e Sul (48,3%). O resultado reforça a força histórica de Lula em seu principal reduto eleitoral e sugere que o petismo tende a sobreviver à figura do próprio ex-metalúrgico.


A pesquisa também mostra que a percepção de continuidade é mais forte entre pessoas com ensino superior (62,4%) e ligeiramente menor entre quem tem apenas o fundamental (49,6%). No recorte por idade, o otimismo sobre o futuro do lulismo é maior entre jovens de 25 a 34 anos (60,8%) e eleitores com mais de 60 anos (62,4%).

Entre as religiões, há divergências: católicos (60,6%) acreditam majoritariamente na permanência do “Lulismo”, enquanto entre os evangélicos o índice cai para 46,4%. Já entre os que se declaram sem religião, o percentual sobe para 68,9%.

O levantamento ainda revela diferenças conforme o consumo de informação: quem se informa por rádio (67,1%) e jornais impressos (60,8%) é mais propenso a acreditar na continuidade do movimento. Já entre os que se informam por amigos e familiares, a taxa cai para 37,6%.

Aos 79 anos de idade, Lula deve disputar no ano que vem sua última eleição para a presidência da República — ele vem reafirmando em eventos públicos que deve ser o candidato do PT no ano que vem. Se eleito, Lula estará com 85 anos ao fim desse hipotético 4º mandato.

“Lulismo” vai além de Lula e do PT

O termo lulismo foi criado pelo cientista político e jornalista André Singer para descrever o fenômeno político e social surgido em torno de Lula em seus dois mandatos presidenciais.

Além de estudioso do tema, Singer trabalhou nos primeiros governos petistas como porta-voz da Presidência (2003 a 2007) e secretário de Imprensa (2005 a 2007).

Segundo Singer, o lulismo representa uma aliança entre as camadas populares e setores do empresariado, mediada por políticas de inclusão social, estabilidade econômica e conciliação entre classes. O movimento combina pragmatismo político e compromisso com a redução das desigualdades, mantendo a economia de mercado.

Mais do que o carisma pessoal de Lula, o lulismo expressa uma forma de representação dos interesses dos mais pobres dentro da democracia brasileira.

Para Singer, essa corrente não se sustenta apenas na liderança do ex-presidente, mas também na experiência coletiva de ascensão social vivida durante seus dois primeiros governos (2003-2010).

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