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Andreza Matais

Após se aliar ao bolsonarismo, Ciro perde vantagem e põe sua era em jogo

Ciro Gomes chega à véspera da eleição em empate técnico com Elmano após adversários explorarem sua aproximação com o bolsonarismo

03/10/2026 17:23, atualizado 03/10/2026 17:26
Ciro Gomes e Jair Bolsonaro se cumprimentam durante encontro na RedeTV!
Em estúdio da RedeTV!, Ciro Gomes cumprimenta Bolsonaro, ambos candidatos nas eleições de 2018. Ao redor deles jornalistas observam - Metrópoles

A aproximação de Ciro Gomes (PSDB) com o bolsonarismo virou um dos principais problemas de sua campanha ao governo do Ceará. Líder isolado no início da disputa, o tucano viu desaparecer uma vantagem de 19 pontos sobre o governador Elmano de Freitas (PT) enquanto os adversários passaram a explorar sua aliança com o PL e o apoio da família Bolsonaro.

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (3/10), véspera da eleição, mostra Elmano com 50% dos votos válidos e Ciro com 47%, em empate técnico. Nos votos totais, o petista tem 46%, contra 44% do tucano. Em agosto, o cenário era muito diferente: Ciro tinha 52%, e Elmano, 33%.

Adversário de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018 e 2022, Ciro se aliou neste ano ao PL, partido da família Bolsonaro, e passou a receber apoio de lideranças bolsonaristas no Ceará.

Elmano explorou a contradição na televisão. Uma das peças apresenta declarações de Ciro e Bolsonaro e associava os dois politicamente. A ofensiva foi parar na Justiça: Ciro conseguiu inicialmente 29 minutos de direito de resposta por 58 inserções que o vinculavam ao ex-presidente.

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Outro indicador acompanhou a perda de vantagem. A rejeição a Ciro, que era de 21% em agosto, chegou a 29% no Datafolha de 23 de setembro. Ao mesmo tempo, o tucano consolidou força entre o eleitorado bolsonarista: naquele levantamento, 89% dos eleitores que declaravam voto em Flávio Bolsonaro para presidente afirmavam votar em Ciro para governador.

Na reta final, Ciro tenta se descolar dessa associação. Neste sábado, ao ser questionado sobre o apoio de Flávio Bolsonaro, afirmou que o senador “não tem a menor relevância” no Ceará.

A eleição pode marcar um ponto de inflexão na trajetória política de Ciro. Aos 68 anos, depois de quatro candidaturas à Presidência da República e de décadas como uma das principais lideranças do Ceará, ele voltou a disputar o governo do estado 32 anos depois de deixar o cargo.

Uma derrota para Elmano, após iniciar a campanha com ampla vantagem, será tratada por adversários como o encerramento da era Ciro Gomes na política cearense.