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Andreza Matais

ANS decide futuro contábil da HapVida nesta sexta-feira

Mercado financeiro vive dias de tensão máxima com os olhos voltados para a Agência Nacional de Saúde Suplementar

atualizado

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Divulgação/Hapvida
Imagem de unidade da Hapvida, operadora de planos de saúde e odontológicos - Metrópoles
1 de 1 Imagem de unidade da Hapvida, operadora de planos de saúde e odontológicos - Metrópoles - Foto: Divulgação/Hapvida

Nesta sexta-feira (5/12), a Agência Nacional de Saúde (ANS) define o futuro contábil de uma das maiores operadoras do país, em um julgamento que pode obrigar a republicação de balanços e o estorno de quase R$ 1 bilhão em ativos fiscais.

A ANS vai analisar três pontos principais: o momento da contabilização do acordo de sua dívida com o SUS; o impacto direto nos lucros e no valor de mercado; e a transparência e governança das informações divulgadas.

O acordo com o SUS, no âmbito do programa Desenrola, garantiu à operadora o perdão de uma dívida de R$ 866 milhões com o SUS. A empresa contabilizou o acordo no balanço de 2024 antes de ele ser analisado pelo governo, o que impactou seus resultados.

Se houver determinação para republicação dos balanços, será um movimento raro no setor. Isso não apenas limparia os lucros passados, mas poderia colocar a empresa em desenquadramento regulatório, forçando-a a pedir dinheiro aos acionistas.

Se a decisão for desfavorável, o que hoje aparece como lucro contábil extraordinário pode simplesmente desaparecer, revelando um resultado muito mais negativo do que o investidor leu até aqui nos balanços e explicando, em retrospecto, o pessimismo que já vem sendo precificado pelo mercado.

As ações da companhia (HAPV3) refletem a desconfiança sobre a sustentabilidade do negócio.

Em novembro, os papéis negociados sofreram uma queda histórica superior a 40% em um único dia, após a divulgação de resultados fracos, o pior desempenho desde a abertura de capital (IPO).

Na última semana de novembro, a empresa amargou a liderança negativa do Ibovespa, acumulando perdas de quase 20% em apenas cinco dias. E nesta semana as ações tocaram o fundo do poço, negociadas na casa dos R$ 14,00 — uma desvalorização acumulada de mais de 60% nos últimos 12 meses.

O valor de mercado encolheu para cerca de R$ 9,5 bilhões. Analistas apontam que essa volatilidade sinaliza que o mercado já precifica o pior cenário.

O que diz a HapVida

“A companhia acompanha de forma permanente todas as discussões técnicas em curso na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No entanto, é importante reforçar que eventuais ajustes solicitados pelo órgão regulador dizem respeito exclusivamente às demonstrações enviadas à ANS (ANS-GAP), que possuem finalidade regulatória própria e seguem metodologia distinta daquela adotada para o mercado de capitais.

Essas eventuais alterações não impactam em nenhum aspecto as demonstrações financeiras consolidadas, elaboradas segundo o padrão internacional, normatizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Não existe, portanto, qualquer hipótese de “republicação de balanço” no âmbito das demonstrações IFRS divulgadas ao mercado, que já refletem integralmente e com metodologia específica todos os efeitos contábeis pertinentes.

A companhia reforça que possíveis revisões na demonstração ANS-GAP não alteram, não reduzem e não modificam o resultado contábil divulgado ao mercado, inclusive nos termos da aprovação do balanço da companhia pelo auditor independente”.

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