
Andreza MataisColunas

Aeronave usada por ACM Neto expõe elo com executivo do Master preso
Vice-presidente do União, ACM Neto, e prefeito de Salvador, Bruno Reis, viajaram para agenda oficial em avião emprestado de Augusto Lima
atualizado
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O vice-presidente do União Brasil, ACM Neto (União- BA), e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União -BA), usaram uma aeronave emprestada pelo ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima, para cumprir uma agenda oficial no interior da Bahia dois dias antes de o executivo ser preso pela Polícia Federal.
A operação também prendeu Daniel Vorcaro, dono do Master. Os dois são suspeitos de cometerem fraude bancária. O uso da aeronave expõe a relação de intimidade dos políticos baianos com Augusto Lima.
O helicóptero levou os dois políticos para uma viagem à cidade Conceição do Coité, cerca de 200 quilômetros da capital baiana, para participar do Natal Luz.
Pelas redes sociais, ACM Neto postou fotos ao lado de outros aliados que participaram da visita (imagem em destaque) – entre eles, o ex-ministro da Cidadania, João Roma, e o ex-deputado estadual, Cacá Leão. Neto é pré-candidato ao governo da Bahia.
Procurados por meio da sua assessoria, ACM Neto e o prefeito de Salvador não responderam à reportagem. O espaço permanece aberto.
Vorcaro do Master comprou R$ 258 milhões em aeronaves em 2 anos
Como revelou a coluna, Daniel Vorcaro comprou três jatos pelo valor total de R$ 258 milhões em apenas dois anos e meio. As aquisições foram feitas entre fevereiro de 2022 e agosto deste ano. Nenhuma delas está alienada a bancos, o que indica que foram compradas e quitadas à vista, sem financiamento.
Vorcaro foi detido na noite de segunda-feira (17/11) no aeroporto de Guarulhos (SP), enquanto tentava embarcar em um jatinho privado.
Quem é Augusto Lima
Ex-CEO do Master, Lima e é acusado de ser um dos operadores do esquema bilionário de criação de títulos de crédito sem lastro real, ou seja, sem uma garantia ou suporte financeiro que justifique o seu valor no mercado.
Na casa dele, os investigadores encontraram pilhas de dinheiro.
Lima também é o criador das associações (Asteba e Asseba) que teriam dado origem a essas operações fraudulentas. Além de ter sido preso preventivamente, o banqueiro teve seus bens bloqueados pela Polícia Federal.
Defesa diz que Lima recebeu com surpresa a investigação
Em nota, o advogado Pedro Ivo Velloso disse que “seu cliente recebeu com absoluta surpresa a operação deflagrada nesta data”. Informa que Lima já havia se desligado definitivamente de todas as suas funções executivas no Banco Master em maio de 2024. “As operações atualmente investigadas são posteriores à sua saída e, portanto, não guardam qualquer relação com sua atuação profissional ou com decisões tomadas durante sua permanência na instituição”, afirma.
“Augusto Lima possui histórico ilibado, reconhecido no mercado financeiro e sua atuação sempre foi pautada pela legalidade, transparência e responsabilidade. A defesa tem plena confiança de que a apuração demonstrará a absoluta inexistência de vínculo entre Augusto Lima e as operações objeto da investigação”, conclui a nota.
