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Andreza Matais

Acidente revela uso de carro apreendido e leva secretário do Amapá à investigação

Investigação autorizada pelo TJ apura se Cézar Augusto Vieira entregou carro para investigador particular de furto de bois

19/06/2026 13:37, atualizado 19/06/2026 13:52
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Acidente revela uso de carro apreendido e leva secretário do Amapá à investigação
Acidente revela uso de carro apreendido e leva secretário do Amapá à investigação

O secretário de segurança pública do Amapá, Cézar Augusto Vieira, é investigado pela suspeita de utilizar um carro apreendido pela justiça.

Na época, ele era o delegado na região dos lagos e o carro foi apreendido durante uma operação policial. À coluna, o secretário disse que “ao final irá esclarecer a verdade dos fatos” e alegou perseguição política da oposição em razão dos “ótimos resultados de sua gestão” (ler mais abaixo).

O veículo deveria ficar à disposição da delegacia, mas as investigações apuram se o atual secretário desviou a finalidade para fins particulares. O Tribunal de Justiça autorizou a apuração, uma vez que Cézar Augusto tem prerrogativa de foro pelo cargo que ocupa no governo Clécio Luís (União Brasil), correligionário do senador Davi Alcolumbre (AP), presidente do Congresso.

Um acidente de trânsito levou a polícia ao veículo, uma Chevrole S10, e o caso à corregedoria.

O carro era conduzido por Francisco Gomes Vilhena e ao passar pelo local do acidente a polícia verificou que estava com placa fria. Vilhena informou em depoimento que “fazia uso do veículo por ordem e permissão do delegado Cézar Augusto, e que o veículo estava sendo usado a pedido da referida autoridade, para apoio informal a atividades relacionadas à apuração de crimes de abigeato (furto de gado) no interior do estado”.

Também, em depoimento, responsabilizou o secretário pela placa adulterada e revelou que “mantinha em sua guarda a placa original”, assim como o documento e o cartão de abastecimento, de uso privativo da instituição policial.

No processo consta que “diante da gravidade dos fatos” e do suposto envolvimento de autoridade, a polícia encaminhou o caso para a Corregedoria e um processo foi instaurado por determinação do Tribunal de Justiça do Amapá.

No interrogatório, Vilhena afirmou que não é servidor público, embora atuasse como se fosse, reportando diretamente ao secretário informações relacionadas a investigações sobre furto de gado na região. Segundo informações públicas, dois filhos do mecânico têm ligação com facções criminosas.

Carro era guardado “no fundo do quintal” de mecânico

Vilhena admitiu que, a pedido de Cézar Augusto Vieira,  o veículo (que deveria estar à disposição da delegacia) estava há um mês “estacionado em garagem no fundo do seu quintal”. Apesar de portar  o cartão de abastecimento, disse que não tinha a senha e que, eventualmente, recebia valores em espécie do secretário pelo combustível.

Procurado, o secretário disse que não está mais com o bem. Ele justificou que Vilhena é mecânico e, “como se tratava de veículo apreendido judicialmente, não era possível, pelo contrato de manutenção da instituição”.

Perguntado sobre sua relação com Vilhena, o secretário respondeu: “prestador de serviços”.

Cézar Augusto confirmou que o veículo era usado para “serviços de investigação e operações policiais”.

O secretário disse que a investigação “ao final irá esclarecer a verdade dos fatos” e alega perseguição política da oposição em razão dos “ótimos resultados de sua gestão”.

“A situação toda do veículo S-10, originou-se justamente em narrativa com o objetivo de atingir a segurança pública do estado, uma vez que o adversário político opositor da atual gestão não consegue atacar o trabalho dos operadores da segurança pública. Os dados consolidados falam por si só”, afirmou em nota à coluna.

Sobre a relação familiar do mecânico com faccionados, o secretário disse que “soube recentemente” e que Vilhena perdeu o contato com os filhos há 12 anos. “Soube recentemente quando tentava entender o motivo de terem criado a narrativa toda envolvendo o veículo. Inclusive indaguei ao Sr Francisco sobre isso e respondeu que perdeu o contato com os filhos a aproximadamente 12 anos, não sabendo o paradeiro deles”, esclareceu.