MPSP apura postagem no TikTok sobre estupro coletivo de estagiária
Representação foi apresentada após coluna revelar violência contra adolescente de 17 anos; único adulto investigado está preso

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmou, no fim da tarde desta terça-feira (4/8), que analisa uma representação relacionada ao estupro coletivo de uma estagiária de 17 anos, durante uma transmissão feita no TikTok. O caso foi revelado pela coluna na segunda-feira (3/8).
Matheus Costa Silva, de 19 anos (imagem em destaque), é único adulto apontado como envolvido no crime. Ele está preso, por decisão judicial, desde a última sexta-feira (31/7). A defesa dele não foi localizada.
Outros três investigados pelo crime são adolescentes, já identificados pela Polícia Civil.
O caso é apurado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA representação foi apresentada pela Bancada Feminista do PSOL, mandato coletivo de deputadas estaduais da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O documento foi encaminhado após a publicação da reportagem e pede que o MPSP apure a circulação, a disseminação e o alcance do conteúdo relacionado ao crime no TikTok.
O que é solicitado
A representação pede que seja esclarecido quem publicou o conteúdo originalmente, por quanto tempo ele permaneceu disponível e quantas pessoas visualizaram, compartilharam ou republicaram a postagem.
A coluna revelou que, na ocasião, a postagem foi compartilhada ao menos 28,5 mil vezes, teve pouco mais de 173 mil likes e gerou 1.677 comentários — em grande parte tirando sarro da jovem.
As deputadas também querem saber quantas denúncias foram feitas por usuários, quando o TikTok tomou conhecimento do caso e quanto tempo a plataforma levou para remover ou restringir o material.
Outro ponto é a atuação do sistema automático de recomendações. Esse mecanismo seleciona os vídeos apresentados a cada usuário, inclusive conteúdos publicados por perfis que a pessoa não acompanha.
O pedido busca esclarecer se esse sistema contribuiu para ampliar a divulgação do conteúdo relacionado ao estupro. A representação não afirma previamente que a plataforma tenha cometido irregularidades, mas solicita que sua atuação seja examinada.
Também é pedida a preservação dos registros digitais, como dados sobre contas, horários, acessos, denúncias, compartilhamentos e providências de moderação. A medida pretende evitar que informações importantes sejam apagadas antes da conclusão da apuração.
O que diz o TikTok
Por meio de sua assessoria de imprensa, o TikTok afirmou, em nota encaminhada no fim da tarde dessa terça-feira (4/8), que removeu os conteúdos relacionados ao estupro coletivo.
Disse ainda tratar com “tolerância zero” a promoção e disseminação de abuso sexual e físico — mantendo um time de moderação que “segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema”.



