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Alfredo Henrique

Derrite expôs olheiro do caso Gritzbach e travou prisão, dizem fontes

Justiça havia mandado prender Kauê quatro dias antes de Guilherme Derrite divulgar seu nome e foto; suspeito segue foragido desde então

19/08/2026 04:30
Reprodução/TV Globo
Homem branco, de terno e gravata, fala ao telefone enquanto segura retrato de homem parto - Metrópoles

No fim da manhã de 19 de novembro de 2024, o então secretário da Segurança Pública (SSP) paulista, Guilherme Derrite, divulgou o retrato e o nome de Kauê Amaral Coelho (imagem em destaque), apontado como o olheiro que contribuiu para policiais militares fora de serviço fuzilarem o corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach, onze dias antes.

A divulgação frustrou a eventual possibilidade do cumprimento de um mandado de prisão, expedido pela Justiça quatro dias antes da coletiva de imprensa, como afirmaram à coluna em sigilo fontes envolvidas com o caso. Kauê segue foragido desde então.

Derrite expôs olheiro do caso Gritzbach e travou prisão, dizem fontes - destaque galeria
11 imagens
Ele denunciou assédio de policiais corruptos, posteriormente presos pelo PF em parceria com o MPSP
Corretor de imóveis fechou acordo de delação e foi morto posteriormente no Aeroporto de Guarulhos, na Grande SP
Até onde delatou, corretor contribui para ações contra PCC
Vinícius Gritzbach foi alvo, no Natal de 2023, de um atentado a tiros, na varanda de casa
Guilherme Derrite em formatura dos novos oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo
Deputado Federal Guilherme Derrite
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Deputado Federal Guilherme Derrite

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
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Reprodução/MPSP
Corretor de imóveis fechou acordo de delação e foi morto posteriormente no Aeroporto de Guarulhos, na Grande SP
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Vinícius Gritzbach foi alvo, no Natal de 2023, de um atentado a tiros, na varanda de casa
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Vinícius Gritzbach foi alvo, no Natal de 2023, de um atentado a tiros, na varanda de casa

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Guilherme Derrite em formatura dos novos oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo
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Foto: Celso Silva/Governo do Estado de SP
O deputado federal Guilherme Derrite (PP)
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O deputado federal Guilherme Derrite (PP)

Pablo Jacob /Governo do Estado de SP
O deputado Guilherme Derrite (PP-SP)
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Deputado Guilherme Derrite (PP-SP)
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Deputado Guilherme Derrite (PP)
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O secretário de Segurança de SP, Guilherme Derrite
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O secretário de Segurança de SP, Guilherme Derrite

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Em nota, a assessoria de imprensa de Derrite afirmou que a divulgação da identidade de Kauê ocorreu após o cumprimento de mandados de busca e apreensão, realizados na manhã da coletiva de imprensa. Acrescentou que o olheiro sabia que era procurado pelas forças de segurança (leia mais abaixo).

Policiais civis de São Paulo monitoravam Kauê desde o dia do atentado. Ele estava escondido na favela da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, área dominada pelo Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro, para onde foi dois dias após o assassinato de Gritzbach. Isso foi levantado com base em antenas de celular acionadas pelo aparelho do criminoso.

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Quem lhe deu carona foi um funcionário de Emílio Carlos Gongorra Castilho, o Cigarreira, membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) apontado como um dos mandantes da execução no aeroporto. Ele também segue foragido.

Aniversário e festa pela morte

Investigadores do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) também monitoravam as atividades do criminoso nas redes sociais, por meio das quais entenderam que ele retornaria para São Paulo.

Isso porque constatou-se que ele aproveitou a fuga até a capital fluminense para comemorar o aniversário de 30 anos. Os festejos também se estenderam para celebrar o assassinato de Gritzbach, que havia iniciado uma delação premiada, na qual também indicava a relação de agentes públicos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

As fontes ouvidas pela coluna afirmaram que a expectativa era a de que o cumprimento do mandado de prisão ocorresse durante o trajeto de retorno de Kauê do Rio para São Paulo, quando não estaria mais sob a asa protetora da facção carioca. Para isso, cada passo dele era acompanhado pelos policiais paulistas.

“Após pedido da Polícia Civil, a Justiça decretou a prisão, então correram para tentar monitorar cada passo dele. Mas o Derrite convocou a coletiva, queria mostrar serviço e acabou frustrando a possibilidade concreta de prender o Kauê”, lamentou uma fonte que acompanhou o caso.

Prisão frustrada e sugestão para subir morro

Diferentemente do então titular da SSP, as demais autoridades envolvidas com a investigação eram contra a divulgação da identidade do olheiro, para não frustrar a eventual possibilidade de ele retornar para São Paulo.

Isso porque policiais paulistas acompanhavam a movimentação de Kauê, com base nas ligações que ele fazia com o celular e as antenas acessadas pelo aparelho para isso — indicando que ele transitava dentro da comunidade controlada pelo CV.

“Houve argumentação para [Derrite] aguardar para divulgar a imagem. Mas diante da confirmação da coletiva [convocada pelo então secretário], foram pedidos ainda no dia 18 [um antes da coletiva] os mandados de prisão e busca e apreensão”, afirmou uma pessoa que acompanhou os desdobramentos nos bastidores.

Os pedidos judiciais haviam sido deferidos em 15 de novembro, mas só “subiram para os autos”, e foram repassados à polícia na madrugada do dia da coletiva. Por conta disso, o DHPP precisou fazer às pressas o que pretendia e se organizava para realizar com a calma necessária, frustrando as chances de prender Kauê.

Prisão frustrada e operação inviável

Com a divulgação da identidade do olheiro, frustrando a eventual prisão, o DHPP precisou mudar a estratégia. Usou drones para seguir monitorando o criminoso e equipes se deslocaram para o Rio, quando conseguiram imagens dele no complexo da Penha.

Derrite teria sugerido para que uma operação fosse organizada, com o intuito subir o complexo de favelas e prender Kauê. A proposta, porém, era inviável diante do pouco tempo e a forma com a qual as facções cariocas defendem seus territórios — nos quais há uma profusão de barreiras que, atualmente, só podem ser transpostas com explosivos usados em guerra,  segundo afirmou à coluna o delegado Fabrício Oliveira, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), unidade de operações táticas da Polícia Civil carioca.

Veja execução em aeroporto 

Identificado após comprar pizza

O olheiro foi identificado após o DHPP analisar câmeras de monitoramento do maior Aeroporto do Brasil. Ele aparece nelas cerca de uma hora antes do horário de desembarque de Gritzbach, permanecendo próximo ao portão pelo qual a vítima obrigatoriamente deveria passar. Para esperar, Kauê foi até um quiosque de pizzas, onde usou seu cartão de crédito. Essa operação bancária contribui para a identificação dele.

Logo após Gritzbach aparecer, acompanhado da namorada, Kauê saca o celular e faz uma ligação. A investigação defende que ele alertou os atiradores, que aguardavam a vítima no lado de fora do terminal-2. Na coletiva de imprensa, de 19 de novembro,  Derrite afirmou que Kauê apontava em direção à Gritzbach, após o desembarque, mas nenhuma das imagens constantes na investigação mostram isso claramente.

No momento em que os policiais militares, fora de serviço, fuzilam Gritzbach, testemunhas tentam se proteger. Kauê, porém, corre para um estacionamento, no qual havia deixado seu carro, um Audi A1 preto. Isso também chamou a atenção da investigação à época.

No dia em que Derrite divulgou a foto e nome do olheiro, ele foi incluído no programa de recompensas da SSP. A pasta oferece R$ 50 mil para quem der informações que possam ajudar na prisão de Kauê.

Leia íntegra de nota enviada por Derrite

“A divulgação das informações sobre Kauê Amaral Coelho ocorreu após a Polícia Civil cumprir, na manhã de 19 de novembro de 2024, mandados de busca em três endereços relacionados ao investigado, além de diligências para o cumprimento do mandado de prisão temporária expedido pela Justiça em 15 de novembro, com anuência do Ministério Público.

Na ocasião das diligências, ele não foi localizado nos endereços relacionados a ele.

O próprio irmão informou aos policiais, naquela manhã, que Kauê já tinha conhecimento de que era procurado pelas forças de segurança.

Posteriormente ao cumprimento das ordens judiciais, o então secretário Guilherme Derrite realizou uma coletiva de imprensa ao lado do secretário-executivo Osvaldo Nico Gonçalves, que comandava a força-tarefa para elucidar o caso, do delegado-geral Artur Dian e da chefe do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, delegada Ivalda Aleixo, informando que, em razão da situação, publicaria naquele dia uma resolução com pagamento de recompensa a informações que levassem ao paradeiro do criminoso.

Portanto, quando houve a divulgação de sua identificação, o investigado já tinha conhecimento da atuação policial para localizá-lo.

Diante desse cenário, a divulgação de sua imagem e a posterior oferta de recompensa tiveram como objetivo ampliar a obtenção de informações que permitissem identificar seu paradeiro e auxiliar as forças de segurança no cumprimento da ordem judicial”.