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Rodrigo Faour é um dos maiores especialistas em música popular brasileira. Ele já fez biografias de grandes artistas, escreveu um livro sobre a história sexual da MPB e produziu discos e shows. Além disso, o que sempre me atraiu em seus trabalhos foi a postura de desbravar a presença dos LGBTs na nossa indústria fonográfica.

Sua primeira biografia, em 2001, foi a vida de Cauby Peixoto – artista que sempre escapuliu pela tangente quando lhe perguntaram sobre sua sexualidade. Então como abordar um assunto delicado sobre uma personalidade tão querida? Pior seria contar a vida de uma pessoa sem falar nada sobre seu campo afetivo. Faour encontrou a solução no próprio problema: não falar já é dizer! Ao longo de todo o livro, há brincadeiras e sugestões a esse respeito, como o próprio cantor fez em toda sua vida.

Faour continuou escrevendo até que surgiu o convite da psicanalista Regina Navarro Lins para assinar uma coluna em uma revista de vida curta – durou apenas uma edição. O tema era sexualidade nas músicas da MPB. Da rápida experiência, veio a ideia de um novo livro capaz de consagrar ou destruir sua carreira.

Topado o desafio, ele pôs mãos à obra e lançou A História Sexual da MPB. O livro foi um tremendo sucesso e gerou vários frutos, incluindo um programa de rádio, DVD, série para o Canal Brasil e o prêmio Sexo MPB.

Divulgação

História Sexual da MPB: Editora Record, 2006, 588 páginas. Preço: R$ 97,90

 

Na obra, há o capítulo da sexualidade transgressora. Nele, Faour explora tanto as figuras que fizeram parte da MPB e adotaram uma postura ou um visual contestador, como Edy Star e Angela Ro Ro, até músicas sobre o tema feitas por artistas não necessariamente LGBTs, a exemplo de Cordas e Correntes, de Martinho da Vila.

Com as mudanças do jornalismo e do mercado musical, seu trabalho teve que se adaptar. Se antes ele produzia box de cds (três do Ney Matogrosso, com direito a um texto falando de cada música), o negócio agora era criar um canal no youtube. No seu canal MPB Com Tudo Dentro, Faour entrevista artistas de todas as épocas e, como de costume, comenta sobre sexualidade.

Lá tem momentos raros, como uma entrevista em que a sambista Leci Brandão fala das suas músicas no começo da carreira sobre o amor entre mulheres. Ou um encontro entre Ney, Edy e Caetano Veloso, e a nova geração, composta pelo o trio Não Recomendados e Johnny Hooker. Faour é um ótimo entrevistador e o canal vira uma excelente referência para quem deseja conhecer mais sobre a nossa música.

A MPB é uma cronista de costumes sensacional, além de ser produzida por todas as classes sociais e de chegar a todas elas. Por isso, nos seus livros, Faour sempre destaca a temática LGBT, assim como a situação da mulher e o racismo. Afinal, no fundo, seu trabalho consiste em analisar a sociedade por meio da expressão artística mais democrática do nosso país.

Se hoje assistimos uma tsunami chamado Pabblo Vittar, sabemos que o caminho foi trilhado por outros nomes. E, provavelmente, as gerações futuras os encontrarão nas páginas de um livro ou num vídeo no youtube de Rodrigo Faour.



Rodrigo FaourMPB com tudo dentro
 


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